Huawei chama Biden para conversar e aceita repassar tecnologias 5G aos EUA

Huawei chama Biden para conversar e aceita repassar tecnologias 5G aos EUA

Por Felipe Junqueira | Editado por Wallace Moté | 29 de Maio de 2021 às 22h00
Doruk Bayram/Unsplash

A saída de Donald Trump da presidência dos Estados Unidos não reduziu os problemas da Huawei com o governo americano. Joe Biden, inclusive, chegou a impor ainda mais limites aos fornecedores da gigante chinesa. Agora, o vice-presidente sênior da companhia, Vincent Peng, escreveu uma carta aberta pedindo uma conversa com o novo mandatário dos EUA.

Peng escreveu a Biden em uma coluna de opinião no site Nikkei Asia, e aproveitou para explicar, sob o seu ponto de vista, o que as restrições americanas podem causar à companhia. O texto começa lembrando que agora em maio completou dois anos que a administração Trump anunciou a inclusão da Huawei na lista suja de empresas que não podem fazer negócios com companhias americanas.

“Esta restrição foi seguida por outras, incluindo um movimento no ano passado para impedir que a Huawei compre placas da maior fabricante de semicondutores do mundo”, explicou Peng, citando a Taiwan Semiconductor Manufacturing Co. (TSMC), que apesar de não ser americana, utiliza maquinário de empresas dos EUA em sua linha de produção.

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“O governo americano tomou estas ações porque acredita que, como uma empresa chinesa, a Huawei poderia ser forçada a iniciar ataques cibernéticos nas redes de telecomunicações americanas, além de fornecer a Pequim a possibilidade de espionar nos Estados Unidos”, avaliou o executivo.

Caminho ideal

Huawei se desfez da marca Honor e deve repensar estratégia no mercado de dispositivos móveis mesmo que retome negociações com empresas americanas (Imagem: Divulgação/Honor)

De fato, há uma preocupação bastante grande, ao menos no discurso oficial, com relação à segurança das redes de telecomunicações nos Estados Unidos, e alguns países europeus também chegaram a demonstrar o mesmo receio e até baniram a Huawei de fornecer equipamentos para o 5G e outras redes.

No ano passado, houve ataques contra agências governamentais dos EUA e também contra empresas privadas, como a Microsoft Exchange e a empresa de TI SolarWinds. Neste ano, um ataque de ransomware teria fechado o maior duto de combustível dos EUA por vários dias, como lembra Peng em seu texto.

“Se a ordem executiva de Biden levar o governo americano a adotar abordagem mais baseada em fatos para a segurança cibernética, isso será muito bom”, apontou o executivo da Huawei. “Na verdade, o pedido poderia beneficiar tanto EUA quanto China, se combinado com o aceite americano em renovar a competição global, em vez de seguir pelo caminho do protecionismo”, observou.

Peng acredita que a competição é o melhor caminho, pois permite que “empresas americanas e chinesas possam continuar trilhando um caminho bem trilhado que fortaleceu suas economias interligadas na última década”. Porém, caso o governo Biden opte por abordagem semelhante à de seu antecessor, e “permitir a competição apenas quando se alinhar com os objetivos políticos dos EUA, a economia global estenderá sua corrida precipitada para a dissociação econômica e tecnológica”.

Separar as cadeias produtivas dos dois países poderia causar imensos prejuízos às empresas chinesas, mas também impactaria as companhias americanas no longo prazo, com uma perda estimada no PIB de US$ 190 bilhões, de acordo com um cálculo da empresa de pesquisa americana The Rhodium Group.

“Também prejudicará a liderança das empresas americanas no setor de semicondutores e outras tecnologias”, alertou Peng, que justificou possíveis necessidades de cortes em pesquisa e desenvolvimento por conta da queda nas receitas.

“Vamos conversar?”

Huawei desenvolveu novo sistema operacional, o HarmonyOS, para driblar ausência de serviços Google (Imagem: Divulgação/Huawei)

A mudança de postura, portanto, é bem vista pelo executivo da Huawei, que espera abertura para o diálogo com a administração Biden. Peng diz que a companhia chinesa aceita se submeter a controles mais rigorosos para garantir os negócios da empresa com companhias americanas.

“Estamos abertos a discutir qualquer coisa, inclusive liberar equipamentos da Huawei para testes independentes, ou mesmo licenciar nossas tecnologias de quinta geração, o 5G, para uma companhia ou consórcio americano”, garantiu Peng. Segundo ele, a gigante chinesa está disposta até mesmo a incluir código-fonte de software do 5G, além de projetos de design e tecnologias de produção, planejamento de rede e testes.

Para isso, basta o presidente Joe Biden aceitar uma conversa com o alto comando da Huawei. Peng garante que as companhias americanas têm muito a ganhar ao fazer negócios com a empresa.

O fato de a Xiaomi ter conseguido se livrar da lista de entidades proibidas de negociar com empresas e investidores americanos pode ser um bom sinal para a Huawei, afinal de contas. Sua vez, Joe Biden.

Fonte: Nikkei Asia (via Android Headlines)

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