Estudo brasileiro investiga interferência entre rede 4G e TV Digital

Por Rafael Romer | 24 de Maio de 2013 às 16h21

Uma nova pesquisa em desenvolvimento no Brasil pretende estudar o quanto as novas redes de internet móvel de quarta geração, o 4G, podem causar inteferências no sinal da TV digital brasileira. Desenvolvido pela Universidade Presbiteriana Mackenzie em conjunto com a Sociedade Brasileira de Engenharia de Televisão (SET), em São Paulo, o estudo, que teve início há cerca de um mês, deve chegar à sua conclusão em outubro deste ano. "Temos razões para temer que as interferências sejam sérias e danosas", explica o presidente da SET e um dos envolvidos no estudo, Olímpio Franco.

Franco cita pesquisas realizadas na Europa e no Japão sobre a interferência entre a TV Digital e a rede LTE nas faixas de 800MHz e 700MHz, que comprovaram que a convivência entre ambas pode causar saturações nas entradas de antenas de televisores, causando tela preta no dispositivo.

Testes recentes realizados no Reino Unido também mostraram a interferência, apesar de poucos televisores terem sido afetados. De acordo com um dos testes, feito na região de West Midlands, na Inglaterra, apenas 15 de 22 mil casas tiveram o sinal de TV iterrompido pela rede 4G. A expectativa era que 150 domicílios fossem atingidos.

No Brasil, a faixa de 700MHz, usada pela televisão analógica, deverá ser desocupada para ser utilizada pela rede 4G e emissoras de televisão passarão a transmitir para todo o país com sinal digital — estima-se que o leilão dos 700MHz aconteça no primeiro trimestre de 2014.

A interferência não é causada por um problema específico, mas por uma série de situações que podem ocasionar a colisão dos sinais na mesma faixa. Entre eles, está a proximidade física entre as estações base LTE e as antenas externas de recepção de TV, a diferença de topologia entre as redes, o uso de terminais móveis LTE próximos a televisores, entre outros.

De acordo com Franco, entre as áreas que poderão ser mais afetadas, consideradas "críticas", estão capitais como Rio de Janeiro, Belo Horizonte e São Paulo, além de cidades do interior do estado de São Paulo, como Campinas. "Essas são as regiões que possuem hoje o espectro mais congestionado", afirma. "Somente ao longo desse trabalho é que se poderá dizer se outras regiões terão problemas da mesma ordem".

Apesar da situação parecer complicada, a convivência entre a TV Digital e LTE em 700 MHz não é impossível. Para solucionar a situação, será necessário o uso de equipamentos de filtro nos transmissores de LTE, que evitarão as intereferências. O problema é que dispositivos portáteis, como GPS, smartphones e receptores USB são muito mais difíceis de serem filtrados. "Mas tudo indica que a viabilidade poderá ter um custo alto", alerta Franco.

Preocupação

Esta não é a primeira vez que entidades da área de telecomunicações alertam para possíveis problemas que a rede 4G pode trazer para o sistema de televisão brasileira por causa de interferências. No início do mês, a Associação Brasileira de Radiodifusores (Abra) e a Associação Brasileira de Rádio e Televisão (Abratel) já alertaram a Anatel sobre o problema, citando o mesmo estudo japonês sobre o assunto. Na ocasião, a Agência responsável pelas telecomunicações no Brasil respondeu que os fatos seriam analisados e considerados.

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