Análise: Samsung Galaxy Tab E 7.0

Por Pedro Cipoli
photo_camera BRUNO HYPOLITO / CANALTECH

Uma parcela das vendas de várias fabricantes se concentra nos segmentos mais básicos de produtos, chamando a atenção do consumidor pela qualidade de aparelhos mais avançados, só que baratos. Este é o caso do Galaxy Tab E 7.0, que pouco se diferencia dos modelos de 7 polegadas que a Samsung já tem no mercado, mas que oferece um apelo maior para quem não quer gastar muito.

Construção

A parte frontal do Tab E 7.0 é semelhante (senão completamente idêntica) ao Galaxy Tab de 7 polegadas original. O diferencial é que ele é mais fino e tem uma construção mais arredondada, algo essencial em um tablet menor para não escorregar das mãos. Como acontece com modelos mais acessíveis, o plástico domina toda a extensão do produto trazendo uma qualidade razoável, mas visualmente projetado para parecer mais simples.

Os 310 gramas de peso fazem do Tab E 7.0 um modelo ideal para quem busca praticidade, não cansando as mãos durante o uso, assim como sua espessura máxima de 9,7 milímetros - um valor esperado considerando o segmento, mas que sugere uma capacidade de bateria maior que acabou não se revelando verdade. A região traseira é bastante limpa, com somente algumas inscrições de homologação, câmera sem flash e uma pequena caixa de som ao lado dela.

Tela

As semelhanças com o Galaxy Tab 7 original continuam no display, tanto pelo tamanho quanto pela tecnologia. É natural esperar uma resolução mais baixa de 1.024 x 600 (WSVGA) em um produto criado para o mercado de entrada, sendo possível ver os pixels sem grandes dificuldades (densidade de pixels de 169 pontos por polegada quadrada), o que era comum nos tablets e smartphones do começo da década, inclusive nos iPhones e iPads.

O mesmo vale para a tecnologia de tela. Hoje estamos acostumados com displays IPS de alta qualidade, que se tornaram regra mesmo nos segmentos mais baixos de preço, então o Galaxy Tab E 7.0 causa uma certa estranheza por usar um TFT LCD de baixa resolução. As cores são meio opacas e os ângulos de visão ficam prejudicados. Não há proteção contra riscos e arranhões, ponto que exige um cuidado maior do usuário para não danificá-la.

Configuração

Mesmo os produtos mais baratos com Android trazem chips quad-core, e o Tab E 7.0 não escapa dessa regra. O fabricante do chip é pouco conhecido no Brasil, o Spreadtrum SC8830, com quatro núcleos Cortex-A7 (32 bits) rodando a 1,3 GHz, 1 GB de memória RAM e GPU ARM Mali-400 dual-core, que já tem uns bons anos de mercado.

No geral, a responsividade do Tab E 7.0 é muito boa, com transições rápidas de tela e capacidade de lidar com um multitarefa mais simples. O gargalo que vimos foi na hora de executar jogos mais exigentes, já que a Mali-400 já não consegue mais lidar com os gráficos dos games atuais, algo que a baixa resolução de tela não ajuda.

A princípio, a escolha do Android 4.4.4 Kit Kat de fábrica nos pareceu ruim, mas é difícil imaginar essa configuração lidando bem com o Android 5.0 Lollipop ou qualquer versão posterior. De fato, o Tab E 7.0 dificilmente será atualizado. Como armazenamento interno temos 8 GB, padrão de modelos de entrada, e suporte para cartões micro SD de até 32 GB.

Câmera

O Tab E 7.0 tem um par de câmeras de 2 megapixels que estão presentes por detalhes cosméticos. Realmente tentamos tirar fotos com alguma qualidade, mas o resultado é sempre o mesmo, com fotos granuladas, baixa precisão nas cores e bastante ruído, de uma forma geral. O mesmo vale para os vídeos, restritos à resolução VGA.

Entendemos que é um produto de entrada, mas bem que a Samsung poderia ter optado por usar apenas uma câmera com qualidade melhor. O benefício para o consumidor seria superior, já que não adianta ter duas câmeras para melhorar a ficha técnica se elas são pouco úteis no dia a dia, mais projetadas para enfeitar o Tab E 7.0 do qualquer outra coisa.

Extras e bateria

É natural esperar somente o básico nos extras, mas o Tab E 7.0 não decepciona, já que traz uma versão atualizada do Bluetooth, versão 4.0, e os padrões B, G e N de conexão Wi-Fi (com Wi-Fi Direct até), além de GPS com GLONASS (e A-GPS na versão 3G). Sim, há uma versão 3G por um valor um pouco maior, que vale a pena somente para quem não tem um smartphone com conexão 3G.

Para finalizar, temos a bateria de 3.600 mAh, menor do que os tradicionais 4000 mAh que a Samsung usou durante um bom tempo nos seus modelos de 7 polegadas. Em nossos testes isso se traduziu em cerca de 5 horas com a tela ativa e até 7 dias em standby, mostrando uma limitação no gerenciamento de energia por parte do Spreadtrum SC8830, mas, ainda assim, são resultados compatíveis com os concorrentes do mesmo segmento.

Conclusão

Encontramos o Galaxy Tab E 7.0 à venda por preços que variam de R$ 370 até R$ 610, dependendo da loja e conectividade 3G, preços compatíveis com a experiência de uso que ele é capaz de oferecer. Não é um produto de baixo custo, mas posicionado no segmento de entrada com um preço um pouco maior do que a média. A Samsung aposta na força de sua marca para cobrar um pouco mais.

Há uma boa quantidade de concorrentes para o Tab E 7.0 de fabricantes especializados em produtos mais baratos, caso da Positivo, Qbex e DL, muitos deles ganhando em alguns pontos e perdendo em outros. É uma questão de ver quais recursos valorizar e quais abrir mão, valendo uma boa pesquisa antes de decidir entre ele e outros.

Vantagens

  • Preço acessível;
  • Responsivo;
  • Opcional com 3G.

Desvantagens

  • Câmeras inúteis;
  • Android desatualizado (ainda que seja um ponto compreensível).
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