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Em pleno 2026, Microsoft admite que Windows 11 ainda usa códigos dos anos 1990

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Unsplash/Rui Silvestre
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Em maio de 2026, a Microsoft admitiu que o Windows 11 ainda tem uma dependência estrutural de códigos desenvolvidos na década de 1990. A confirmação veio de Mark Russinovich, CTO do Azure e fundador da Sysinternals, em um vídeo publicado pela página Microsoft Dev Docs no X. Ele ressaltou que a API Win32 segue como um dos pilares do sistema, apesar de décadas de esforços para modernizá-lo.

Essa estrutura, que ganhou destaque com o Windows 95 e já existia no Windows NT, é essencial para o funcionamento do sistema, como abrir aplicativos de desktop, gerenciar arquivos e interagir com janelas. Isso acontece porque o Windows priorizou a compatibilidade com sua base histórica, mantendo a camada Win32 como parte central da arquitetura.

Assim, o Windows 11 funciona como um sistema em camadas: por cima, interfaces modernas e novas APIs; por baixo, um núcleo altamente consolidado que remonta aos anos 1990. Mesmo iniciativas de modernização, como o WinRT, não conseguiram substituir totalmente esse modelo.

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Em tom mais leve, Russinovich chegou a comentar que ninguém nos anos 1990 imaginava que a Win32 continuaria sendo uma API de primeira linha em 2026 — a expectativa da época era mais próxima de “carros voadores e estações lunares” do que de uma dependência prolongada de códigos da era do Windows 95.

Por que os códigos dos anos 1990 ainda são importantes?

A permanência da API Win32 no Windows 11 está ligada a três fatores principais que ajudam a explicar por que a Microsoft não conseguiu substituí-la completamente.

O primeiro é o tamanho do ecossistema. Ao longo de mais de 30 anos, milhões de aplicativos foram criados com base no Win32, incluindo softwares corporativos, ferramentas profissionais e sistemas antigos que ainda são importantes para empresas e usuários. Para substituir isso, seria preciso quebrar a compatibilidade em grande escala, o que afetaria sistemas usados no mundo inteiro.

Um exemplo desse legado é o conjunto de ferramentas Sysinternals. Criado em 1996 por Mark Russinovich, o próprio executivo já afirmou que não esperava que elas continuassem relevantes em 2026. Ainda assim, o cenário foi o oposto: os utilitários seguem essenciais no diagnóstico do Windows moderno. O Sysmon ganhou integração mais profunda ao sistema, enquanto o ZoomIt evoluiu e entrou para o pacote oficial PowerToys.

O segundo fator é o histórico de tentativas de substituição. O WinRT foi criado para modernizar a plataforma, mas não conseguiu atingir o mesmo nível de flexibilidade, desempenho e uso. Segundo Mark Russinovich, isso acontece por causa da divisão do ecossistema entre aplicativos Win32 e o ambiente de navegadores (HTML e JavaScript), o que dificultou a criação de uma nova camada dominante.

Por fim, há a questão da confiabilidade. O código Win32 é considerado “testado em batalha”, funcionando de forma consistente em uma enorme variedade de hardware e cenários. Mesmo não sendo a abordagem mais moderna, ele oferece estabilidade e previsibilidade — dois elementos críticos para um sistema operacional usado em escala global.

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