Apple anuncia o fim do iTunes; Relembre a importância do controverso aplicativo

Por Felipe Ribeiro | 04 de Junho de 2019 às 21h10
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Chegou a hora do adeus. Depois de longos 18 anos, o iTunes, software de jukebox que revolucionou a indústria da música, finalmente chegará ao fim. Com o macOS 10.15 Catalina, as principais funções do iTunes serão separadas em três aplicativos — Música, TV e Podcasts —, colocando um fim às duas décadas de domínio do programa dentro do ecossistema de software e hardware da Maçã.

Segundo a Apple, o iTunes deverá ser completamente desligado no outono americano (primavera brasileira). Contudo, ele sobreviverá no Windows — por enquanto.

Confira abaixo um breve histórico sobre o controverso hub de mídia da Apple que, agora, começa a deixar de existir.

Hub do ecossistema Apple

Poucos vão lamentar a "morte" do iTunes, que se tornou cada vez mais inchado e ineficiente. Isso, porém, é algo mais recente, porque no começo foi justamente essa abordagem que o tornara atraente para o mercado. O iTunes foi a interface da estratégia Digital Hub da Apple, que Steve Jobs revelou em 2001. Ele considerou o Mac como o hub que ficava no centro da vida digital de todos, conectando câmeras digitais, players de música e "organizadores portáteis".

Isso se tornou a filosofia por trás do iTunes: um software que pode abrigar todo o seu entretenimento. O programa recebeu suporte para vídeo em maio de 2005, a podcasts em junho de 2005 e o e-books em janeiro de 2010. Além do suporte para o o iPod, o iTunes também se tornou o software complementar da Apple para o iPhone; até o iOS 5, você tinha que usar o iTunes para ativar o telefone e também poderia ser usado para instalar e gerenciar aplicativos. E isso era uma chatice, convenhamos.

Os primeiros anos do iTunes eram sobre a criação de uma grande jukebox digital para o iPod, juntamente com uma loja de música cheia dos maiores artistas. O software foi inicialmente lançado no Mac, em janeiro de 2001, antes do lançamento do primeiro iPod, em outubro daquele ano. Juntou-se o lançamento da iTunes Store em abril de 2003, com um catálogo inicial de apenas 200.000 músicas. Somente mais tarde o inferno congelou com a chegada do iTunes ao Windows em outubro de 2003, permitindo que usuários não-Mac, a maioria do mundo da computação, comprassem músicas da Apple e as sincronizassem em um iPod pela primeira vez.

Primeira versão do iTunes/ Imagem: The Verge

O iTunes, como software de música, chegou bem antes da loja de música com a qual se tornou sinônimo, mas foi a forte integração desses três pilares que o tornou um software tão formidável. Você pode comprar uma faixa por apenas 99 centavos, extrair um pouco mais de um CD, organizá-los em uma lista de reprodução e depois sincronizá-los rapidamente com o seu iPod, tudo com o mesmo software. A Apple sabia que as pessoas poderiam ser tentadas a pagar pela música digital em vez de piratear, se o processo fosse conveniente o suficiente, e o sucesso da iTunes Store provou que a empresa estava certa.

iTunes mais moderno/ Imagem: The Verge

Agora que o software estava disponível no maior sistema operacional do mundo, o iPod foi capaz de transformar um acessório específico do Mac em um player de música que praticamente qualquer pessoa com um computador pode possuir.

Mudou completamente a indústria

O iTunes tornou-se o modelo de como as pessoas poderiam fazer o download legal da mídia, facilitando significativamente o pagamento pela música, em vez de roubá-la dos sites de compartilhamento de arquivos mais antigos, como foi o caso do Napster, que completou 20 anos no último sábado (1º). Graças à popularidade do ecossistema iPod e iTunes, a Apple logo dominou os downloads digitais, permitindo-lhe definir os termos.

O foco da Apple em faixas vazias de 99 centavos fez com que muitos artistas e gravadoras acusassem a Apple de tirar o valor da música. A receita total da indústria da música caiu para US$ 15 bilhões (R$ 57 bilhões, na cotação atual), em 2012, no auge das vendas digitais. Para se ter ideia, em 2003, apenas com vendas físicas as cifras eram de US$ 20 bilhões (R$ 77 bilhões), de acordo com a Federação Internacional da Indústria Fonográfica (IFPI, em inglês).

Começam a surgir os concorrentes

O advento do streaming (impulsionado em grande parte pela entrada tardia da própria Apple) fez com que o modelo de compra do próprio iTunes não fosse mais o status quo, nem o gigante da indústria da música que já foi. A principal competência do iTunes — organizar e gerenciar sua coleção de músicas — não era mais necessária, uma vez que tudo o que você poderia desejar estava sendo transmitido da nuvem por uma taxa mensal fixa e com catálogos de artistas bastante vastos. Quando o iTunes foi lançado pela primeira vez em 2001, a Apple orgulhosamente demonstrou sua capacidade de copiar, organizar, reproduzir e gravar músicas. Agora, a única organização necessária é criar uma playlist personalizada ou duas no Spotify ou no Apple Music (um dos substitutos do iTunes).

Não é só que o mundo da música seguiu em frente. A abordagem global do iTunes não faz sentido há anos, já que seus usuários foram mais bem atendidos por softwares e hardwares mais especializados. Os usuários de vídeo têm o Apple TV, bem como os aplicativos recentemente redesenhados pela Maçã para Smart TVs e iOS. Itens como podcasts e livros podem ser baixados diretamente para um dispositivo móvel. O iCloud removeu a necessidade de backups de computador e as atualizações do iOS agora são baixadas diretamente, sem a necessidade de espetar o dispositivo em um PC ou Mac e sincronizá-lo com o iTunes.

E até mesmo o nome iTunes parece defasado. A Apple parece ter se cansado da icônica nomenclatura começando com “i” em letras minúsculas ultimamente. Exemplos como o Apple Watch, Apple Pencil, AirPods e HomePod não nos deixam mentir.

O sucesso do iTunes, no entanto, por mais estranho que isso possa parecer hoje, não pode ser considerado exagerado. Ele sobreviveu a praticamente todos os outros softwares focados no consumidor de sua época, como o Winamp e o Windows Media Player. Com o passar dos anos, no entanto, a filosofia original da Apple de fornecer um balcão único para todos os seus meios de comunicação tornou-se a maior ruína do iTunes ao sobrecarregar o aplicativo com mais e mais funções. O mundo seguiu em frente, tendo conectividade constante, armazenamento em nuvem e o streaming de mídia como norma obrigatória. O iTunes ainda está por aí como um aplicativo legado para aqueles que precisam dele. Mas para todos os outros, o iTunes agora é oficialmente uma coisa do passado.

Fonte: The Verge , Business Insider

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