Testamos o Honor Magic V6: quando um dobrável realmente faz sentido
Por Renato Moura Jr. • Editado por Léo Müller |

Usar o Honor Magic V6 trouxe uma experiência rara em que, de alguma forma, eu estava lidando com algo diferente. Não é só mais um dobrável tentando acompanhar a tendência do mercado, pois ele claramente quer redefinir o que esse tipo de smartphone pode ser. Em vários aspectos, ele até consegue.
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A seguir, conto em detalhes como foi minha rotina usando um dos smartphones fold mais completos do mercado nacional. Confira:
| Prós | Contras |
| Design extremamente fino | Preço muito elevado |
| Leve para um dobrável | Software ainda pode evoluir |
| Bateria acima da média | Aquecimento em uso intenso |
Design: leve e prático
A primeira coisa que me chamou atenção foi o design. Já usei outros dobráveis antes e sempre existe aquela sensação de estar com um “dispositivo experimental” nas mãos — mais grosso, mais pesado, menos prático. Aqui, não.
O Magic V6 é surpreendentemente fino e leve a ponto de, fechado, parecer um smartphone tradicional. Isso muda completamente a experiência. Me vi usando o aparelho fechado na maior parte do tempo, como qualquer outro celular, sem aquela necessidade constante de justificar o formato dobrável.
Quando eu abria o aparelho, vinha outro impacto: a tela interna. Ela é grande, brilhante e, talvez o mais importante: quase sem vinco visível.
Pode parecer detalhe, mas não é. Em outros dobráveis, o vinco sempre acaba sendo difícil de ignorar. Aqui, a imersão é muito maior: assistir vídeos, navegar ou até trabalhar com múltiplos apps fica realmente confortável.
Aliás, multitarefa é um dos pontos onde mais senti diferença. Ter um “tablet” no bolso ainda parece exagero até você começar a usar de verdade.
Abrir vários apps, arrastar janelas, responder mensagens enquanto assiste algo — tudo flui de forma natural. Não é perfeito, mas já está perto de ser algo que faz sentido no dia a dia.
Desempenho: potência que acompanha a proposta
No uso diário, o desempenho do Magic V6 foi exatamente o que eu esperava de um topo de linha. Talvez até um pouco melhor no contexto de um dobrável.
Graças ao seu Snapdragon 8 Elite Gen 5 com 16 GB de RAM, tudo abre rápido, a navegação é fluida e a alternância entre aplicativos acontece sem qualquer esforço aparente.
O que mais me chamou atenção foi como essa potência sustenta a proposta multitarefa do aparelho. Mesmo com vários apps abertos na tela interna, não senti travamentos ou quedas perceptíveis de desempenho. Isso faz toda a diferença, porque um dobrável só faz sentido se conseguir lidar bem com esse tipo de uso mais intenso.
Em jogos, a experiência também é sólida. Não é um celular gamer, mas roda títulos pesados com tranquilidade e ainda se beneficia da tela maior, que torna tudo mais imersivo.
O único ponto de atenção é o aquecimento em sessões mais longas, algo que ainda aparece com frequência, embora dentro do esperado para um aparelho tão fino.
No geral, a sensação é de que o desempenho não é um limitador em nenhum momento — ele simplesmente acompanha o usuário, independentemente do que você esteja fazendo.
Bateria e uso real: finalmente um dobrável que não preocupa
Se tem algo que normalmente me incomoda em dobráveis é a bateria. Aqui foi o oposto: o Magic V6 simplesmente não me deixou na mão com seus incríveis 6.660 mAh.
A capacidade é absurda para a categoria, e isso aparece no uso real. Consegui passar um dia inteiro (às vezes mais) sem aquela ansiedade de procurar carregador, algo raro nesse tipo de dispositivo.
Isso muda tudo. Pela primeira vez, não precisei “adaptar” meu uso ao fato de ser um dobrável. Ele acompanhou meu ritmo como qualquer flagship tradicional.
Câmeras e extras: bons, mas não protagonistas
As câmeras são boas, apenas. Temos duas lentes (principal e ultrawide) com 50 MP, acompanhada de uma terceira (telefoto) com 64 MP.
Não tive a sensação de estar usando algo revolucionário, mas também não decepcionam. Elas entregam resultados consistentes, com versatilidade suficiente para o dia a dia.
O curioso é que, em um aparelho tão cheio de tecnologia, elas acabam ficando em segundo plano. O foco aqui claramente está na experiência geral, não em competir diretamente com os principais flagships do mercado, como S26 Ultra e iPhone 17 Pro.
Onde a experiência ainda não é perfeita?
Nem tudo são acertos. Como todo dobrável, o Magic V6 ainda tem alguns pontos que me fizeram lembrar que essa categoria ainda está em processo de evolução.
O primeiro é o software. Ele funciona bem, é fluido, mas nem sempre parece tão refinado quanto o hardware. Em alguns momentos, senti que faltava aquele polimento extra, principalmente em recursos mais avançados de multitarefa ou integração.
Outro ponto é o próprio conceito de dobrável. Por mais que ele seja mais confortável que outros modelos, ainda não é um formato 100% natural para todo mundo. Abrir e fechar o aparelho o tempo todo pode cansar e nem sempre há um motivo claro para usar a tela grande em tarefas simples.
Tem também o preço: lançado a R$ 19.999 no Brasil, não há qualquer esforço de ser acessível para o grande público.
Como foi usar o Magic V6?
Depois de um tempo com o Honor Magic V6, a sensação que ficou foi que esse é um dos primeiros dobráveis que realmente parecem prontos para o uso cotidiano, sem grandes concessões.
Ele resolve problemas clássicos da categoria (espessura, peso, bateria e vinco da tela) e entrega uma experiência que, na maior parte do tempo, parece uma evolução. Isso mantém a lógica vista no seu antecessor.
Ao mesmo tempo, ainda não é um produto perfeito. O software pode evoluir e o próprio conceito ainda depende muito do perfil de quem usa. Para alguns, pode ser incrivelmente útil e interessante; já para outros, é apenas um exagero.
No geral, me apeguei a sensação de que, ao menos para mim, o celular realmente fazia sentido. Infelizmente, o preço proibitivo acaba afastando grande parte do público, então não será uma experiência que muitos poderão usufruir.


