Samsung tem cerca de 50 milhões de celulares “encalhados” em estoque

Samsung tem cerca de 50 milhões de celulares “encalhados” em estoque

Por Lupa Charleaux | Editado por Wallace Moté | 21 de Junho de 2022 às 14h01
Ivo/Canaltech

A ambiciosa meta de vendas de celulares da Samsung parece não estar evoluindo como planejado em 2022. Um recente relatório do The Elec revela que a marca pode ter até 50 milhões de unidades aguardando para serem vendidas em estoques de distribuidoras globais.

Fontes da indústria revelaram que a Samsung tinha uma meta inicial de produção de 334 milhões de dispositivos para 2022. Com a desaceleração do mercado no primeiro semestre deste ano — devido aos lockdowns em fábricas na China e a guerra na Ucrânia —, o número precisou ser reajustado para 270 milhões de unidades.

Contudo, as 50 milhões de unidades “encalhadas” ainda representam 18% da meta reajustada. O The Elec indica que os intermediários da série Galaxy A ocupam grande parte do estoque global, sendo exatamente os modelos em que a marca estava se apoiando para atingir a ambiciosa meta de vendas neste ano.

Galaxy A33, A53 e a A73 foram alguns dos últimos modelos intermediários lançados no Brasil (Imagem: Divulgação/Samsung)

Redução da produção de dispositivos

Segundo o The Elec, a Samsung foi fortemente afetada pela baixa demanda por celulares no primeiro semestre de 2022. Em números normais, o estoque não vendido representa cerca de 10% das remessas, mas a sul-coreana está atualmente com quase 20% dos produtos parados nas distribuidoras globais.

O excesso de dispositivos em estoque fez a companhia cortar pela metade o número de aparelhos fabricados nos últimos meses. Enquanto a produção entre janeiro e fevereiro foi de cerca de 20 milhões de unidades por mês, o número caiu para 10 milhões em maio.

A Samsung também diminuiu o número de pedidos de componentes com os fornecedores. Conforme as informações das fontes do The Elec, houve uma queda de 30% e 70% das encomendas de peças entre abril e maio deste ano, a depender do componente.

Vale mencionar que, desde o começo do ano, houve um aumento considerável dos preços das matérias-primas dos produtos eletrônicos. Outro motivo que pode ter influenciado a gigante sul-coreana a reduzir a demanda de dispositivos e repensar a estratégia de vendas para os últimos seis meses de 2022.

Embora sejam aparelhos premium, a série Galaxy S22 parece não ter problemas de "excesso" de estoque (Imagem: Wallace Moté/Canaltech)

Por que os modelos intermediários não estão vendendo?

É curioso ver que celulares premium, como a série Galaxy S22 e os dobráveis Galaxy Z, não são os modelos que estão “encalhados” nos estoques da Samsung. Supostamente, a baixa demanda por dispositivos com preços mais acessíveis é um reflexo da atual situação econômica global.

Para uma pessoa com dificuldades financeiras, um smartphone novo deixa de ser uma prioridade de compra. Em alguns casos, o consumidor opta por manter o dispositivo por mais um tempo ou busca modelos com valores ainda mais baixos.

Mesmo que seja tradicionalmente um sucesso de vendas, isso justifica o motivo pelo qual a linha Galaxy A representa a maior parte das unidades em estoque. Algo que deve alterar os planos da Samsung e, talvez, limitar o lançamento de novos intermediários no futuro.

Fonte: The Elec, SamMobile, Android Authority

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