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Quanto custa fabricar um celular? Veja quanto vira lucro no Brasil

Por  • Editado por Léo Müller | 

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Danilo Berti / Canaltech
Danilo Berti / Canaltech

O preço dos smartphones no Brasil é alto, mas será que todo o valor pago em um celular novo se torna lucro? Descubra como impostos e custos operacionais devoram essa margem no país.

Para entender essa matemática, é preciso analisar o Custo Global de Produção (BoM, do inglês Bill of Materials, ou Fatura de Materiais). Ele soma os valores físicos do aparelho, como tela, chip e chassi. No entanto, a diferença entre o BoM e o preço da vitrine não é o lucro puro.

Para entender essa matemática, é preciso analisar o Custo Global de Produção (BoM, do inglês Bill of Materials, ou Fatura de Materiais). Ele soma os valores físicos do aparelho, como tela, chip e chassi. No entanto, a diferença entre o BoM e o preço da vitrine não é o lucro puro.

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Apesar de não haver disponibilidade de dados oficiais para o mercado brasileiro é possível utilizar algumas estimativas de de consultorias como a Counterpoint para estimar quanto é gasto na produção de um smartphone e as margens de lucro.

ComponenteCusto estimado por aparelho
Chip / processadorUS$ 120 a US$ 130
Tela OLEDUS$ 110
Câmeras / sensoresUS$ 70 a US$ 90
Bateria + placa-mãeUS$ 40
Montagem e testesUS$ 25 a US$ 30
Materiais, embalagem e outrosUS$ 30 a US$ 40

Em celulares premium, a tela e os sensores de câmera são os itens mais caros, representando quase um terço do gasto com peças.

Um processador avançado, como o Snapdragon 8 Elite Gen 5 for Galaxy, presente no Galaxy S26 Ultra, ou o chassi de titânio de aparelhos como o iPhone 16 Pro ou Pro Max, também inflacionam os valores iniciais.

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Com base nessas estimativas, também é possível ter uma ideia da margem bruta e líquida de algumas empresas e analisar suas estratégias.

EmpresaMargem bruta estimadaMargem líquida estimadaLucro estimado por aparelho
Apple50% a 55%25% a 30%US$ 300 a US$ 360 (US$ 1.200)
Samsung40% a 45%15% a 20%US$ 90 a US$ 120 (US$ 600)
Xiaomi5% a 8%3% a 5%US$ 18 a US$ 30 (US$ 600)

No caso da Samsung, em um smartphone topo de linha, a margem bruta fica entre 40% e 45%, enquanto a margem líquida — após despesas operacionais, impostos e logística — gira em torno de 15% a 20%.

Um dos pontos interessantes é que a Samsung vende muitos celulares de entrada (linha Galaxy A), o que joga o "lucro médio por aparelho" para baixo. 

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Já a Apple adota uma estratégia de aparelhos premium com preços mais altos, alcançando cerca de 50% a 55% de margem bruta e 25% a 30% de margem líquida.

Onde o lucro se reduz

O cenário no Brasil agrava essa situação. Thiago Muniz, especialista da B2B Stack, relata que os dados exatos de lucro são confidenciais. Porém, o verdadeiro abismo financeiro mora na alta carga tributária.

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Reinaldo Sakis, diretor da IDC Latin America, reforça o alerta. Para evitar a taxa de importação, 95% dos celulares vendidos no país são montados aqui. Mesmo assim, impostos como ICMS e PIS/COFINS rompem a marca de 22%.

O consumidor brasileiro exige muita atenção e aciona bastante a assistência técnica oficial. Além disso, Sakis aponta que os gastos globais com marketing ficam entre 3% e 5%. Toda essa estrutura consome a margem de cada aparelho vendido.

Em 2026, o quadro não mudou, e os custos de produção continuam subindo. A crise dos chips, as tensões geopolíticas e conflitos pelo mundo dificultam a logística. Essa tensão encarece a cadeia de suprimentos e produção, o que ajuda a manter os preços altos.

O preço de venda é uma complexa combinação de fatores. Como as memórias afetam proporcionalmente mais os produtos de entrada, teremos menos disponibilidade desses em 2026 e mais oferta de modelos médio e premium. O equilíbrio virá do mix de produtos, com entrada mais caros e premium menos ajustados. Globalmente, há poucos motivos para baixar preços e muitos para elevá-los, impactando o Brasil”, explica Reinaldo Sakis, diretor da IDC Latin America.
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Os smartphones são caros no Brasil, portanto vale apena conferir quais são os seis melhores celulares topo de linha para comprar em 2026.