Quanto custa fabricar um celular? Veja quanto vira lucro no Brasil
Por André Leonardo • Editado por Léo Müller |

O preço dos smartphones no Brasil é alto, mas será que todo o valor pago em um celular novo se torna lucro? Descubra como impostos e custos operacionais devoram essa margem no país.
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Para entender essa matemática, é preciso analisar o Custo Global de Produção (BoM, do inglês Bill of Materials, ou Fatura de Materiais). Ele soma os valores físicos do aparelho, como tela, chip e chassi. No entanto, a diferença entre o BoM e o preço da vitrine não é o lucro puro.
Para entender essa matemática, é preciso analisar o Custo Global de Produção (BoM, do inglês Bill of Materials, ou Fatura de Materiais). Ele soma os valores físicos do aparelho, como tela, chip e chassi. No entanto, a diferença entre o BoM e o preço da vitrine não é o lucro puro.
Apesar de não haver disponibilidade de dados oficiais para o mercado brasileiro é possível utilizar algumas estimativas de de consultorias como a Counterpoint para estimar quanto é gasto na produção de um smartphone e as margens de lucro.
| Componente | Custo estimado por aparelho |
| Chip / processador | US$ 120 a US$ 130 |
| Tela OLED | US$ 110 |
| Câmeras / sensores | US$ 70 a US$ 90 |
| Bateria + placa-mãe | US$ 40 |
| Montagem e testes | US$ 25 a US$ 30 |
| Materiais, embalagem e outros | US$ 30 a US$ 40 |
Em celulares premium, a tela e os sensores de câmera são os itens mais caros, representando quase um terço do gasto com peças.
Um processador avançado, como o Snapdragon 8 Elite Gen 5 for Galaxy, presente no Galaxy S26 Ultra, ou o chassi de titânio de aparelhos como o iPhone 16 Pro ou Pro Max, também inflacionam os valores iniciais.
Com base nessas estimativas, também é possível ter uma ideia da margem bruta e líquida de algumas empresas e analisar suas estratégias.
| Empresa | Margem bruta estimada | Margem líquida estimada | Lucro estimado por aparelho |
| Apple | 50% a 55% | 25% a 30% | US$ 300 a US$ 360 (US$ 1.200) |
| Samsung | 40% a 45% | 15% a 20% | US$ 90 a US$ 120 (US$ 600) |
| Xiaomi | 5% a 8% | 3% a 5% | US$ 18 a US$ 30 (US$ 600) |
No caso da Samsung, em um smartphone topo de linha, a margem bruta fica entre 40% e 45%, enquanto a margem líquida — após despesas operacionais, impostos e logística — gira em torno de 15% a 20%.
Um dos pontos interessantes é que a Samsung vende muitos celulares de entrada (linha Galaxy A), o que joga o "lucro médio por aparelho" para baixo.
Já a Apple adota uma estratégia de aparelhos premium com preços mais altos, alcançando cerca de 50% a 55% de margem bruta e 25% a 30% de margem líquida.
Onde o lucro se reduz
O cenário no Brasil agrava essa situação. Thiago Muniz, especialista da B2B Stack, relata que os dados exatos de lucro são confidenciais. Porém, o verdadeiro abismo financeiro mora na alta carga tributária.
Reinaldo Sakis, diretor da IDC Latin America, reforça o alerta. Para evitar a taxa de importação, 95% dos celulares vendidos no país são montados aqui. Mesmo assim, impostos como ICMS e PIS/COFINS rompem a marca de 22%.
O consumidor brasileiro exige muita atenção e aciona bastante a assistência técnica oficial. Além disso, Sakis aponta que os gastos globais com marketing ficam entre 3% e 5%. Toda essa estrutura consome a margem de cada aparelho vendido.
Em 2026, o quadro não mudou, e os custos de produção continuam subindo. A crise dos chips, as tensões geopolíticas e conflitos pelo mundo dificultam a logística. Essa tensão encarece a cadeia de suprimentos e produção, o que ajuda a manter os preços altos.
O preço de venda é uma complexa combinação de fatores. Como as memórias afetam proporcionalmente mais os produtos de entrada, teremos menos disponibilidade desses em 2026 e mais oferta de modelos médio e premium. O equilíbrio virá do mix de produtos, com entrada mais caros e premium menos ajustados. Globalmente, há poucos motivos para baixar preços e muitos para elevá-los, impactando o Brasil”, explica Reinaldo Sakis, diretor da IDC Latin America.
Os smartphones são caros no Brasil, portanto vale apena conferir quais são os seis melhores celulares topo de linha para comprar em 2026.