Motorola Razr V3: 15 anos do celular de maior sucesso da Motorola

Por Rafael Rodrigues da Silva | 29 de Julho de 2019 às 14h55
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Há 15 anos, em julho de 2004, a Motorola lançava no mercado um de seus aparelhos mais icônicos: o Motorola RAZR V3. Considerado pela revista PC World, em 2015, como um dos cinquenta melhores aparelhos portáteis dos últimos cinquenta anos, e é atualmente o sexto celular mais vendido da história, com 130 milhões de unidades.

O RAZR V3 significou o auge da Motorola no mercado de smartphones e foi um aparelho extremamente inovador para a época, introduzindo muitas das coisas que seriam a regra na era dos smartphones. Assim, vamos lembrar aqui um pouco de como o RAZR V3 contribuiu para mudar todo o panorama do que conhecemos como um celular.

Design

(Imagem: Mass Made Soul)

A inovação do RAZR V3 já começa pelo próprio design do aparelho, que era muito diferente de qualquer coisa da época. Enquanto em 2004 a maioria dos aparelhos ainda eram “tijolinhos” - ou seja, relativamente grandes e grossos - o RAZR V3 surpreendeu por seu design bastante diminuto e fino em comparação com os concorrentes. Enquanto o RAZR V3 tinha apenas 98 mm de comprimento (isso com o flip aberto, fechado o aparelho tinha apenas cerca de 50 mm) e 13 mm de espessura, enquanto outros modelos da mesma época (como o Nokia 6010) tinham todos cerca de 120 mm de comprimento e entre 23 mm e 30 mm de espessura.

Essa diferença no tamanho fez com que o aparelho da Motorola se tornasse o queridinho de muita gente, pois era um telefone que cabia em qualquer tipo de bolso (na época, era comum as pessoas usarem “coldres” de celulares presos ao cinto, pois muitos modelos eram maiores do que os bolsos das calças), o que diminuía a chance de roubos, pois era possível levar o aparelho para qualquer lugar sem ficar muito claro para qualquer pessoa na rua que você estava carregando um celular no bolso. E, mesmo sendo tão pequeno, o aparelho ainda possuía uma bateria removível, que é o tipo de coisa que algumas companhias de smartphones hoje falam ser impossível de colocar em seus aparelhos e ainda manter o design fino.

(Imagem: Sam Rutherford/Gizmodo)

Mas não foi apenas de modo utilitário que o design do RAZR V3 influenciou o mercado de celulares. O aparelho também foi o primeiro a mostrar que escolher um celular poderia também ser uma escolha fashion. Com o RAZR V3, a Motorola foi a primeira a identificar uma oportunidade de marketing que o objetivo era mostrar para os consumidores não as capacidades técnicas do aparelho, mas de vender que apenas pessoas modernas e descoladas usavam o RAZR V3, fazendo os clientes criarem um laço emocional com o aparelho que não apenas tornou ele um fenômeno de vendas como também mudou todo o marketing de celulares dali pra frente. Além disso, o modelo também foi o primeiro a ser oferecido em uma imensa variedade de cores, o que também ajudou a solidificar a ideia de que um celular era muito mais do que apenas um aparelho de telefone.

Notificações

Imagem: (Sam Rutherford/Gizmodo)

Muito antes do conceito de “notificações” ter sido introduzido com os primeiros smartphones, o RAZR V3 da Motorola já oferecia a seus usuários algo que, na prática, eram notificações. O aparelho da Motorola foi o primeiro a possuir uma tela na parte externa do flip, e mesmo que com uma resolução bem baixa (apenas 96 x 80 pixels), era possível saber que você recebeu uma mensagem, ou mesmo identificar da onde está vindo uma ligação sem precisar abrir o dispositivo para consultar a tela principal. Ainda que na época ninguém - nem mesmo a própria Motorola - chamava essas visualizações prévias de notificações, o conceito é o mesmo, e a empresa pode se gabar de ter criado uma versão primitiva de algo utilizado hoje em todos os smartphones 15 anos atrás.

Câmera frontal

(Imagem: Mass Made Soul)

Outra inovação trazida pelo RAZR V3 era a existência de uma “câmera frontal”. Cito essa entre aspas porque, assim como o caso das notificações, é muito mais o conceito do que o fato propriamente dito. Isso porque não é que o RAZR V3 possuísse duas câmeras, mas por conta de seu design, este sensor do aparelho tinha dupla função: caso ele estivesse aberto, ela funcionava como uma câmera traseira já comum a diversos aparelhos da época.

Agora, a “magia” acontecia quando se fechava o aparelho: por conta de seu posicionamento, a câmera então se transformava em uma “câmera frontal”. A ideia era permitir aos usuários tirar fotos até mesmo com o aparelho fechado, e o posicionamento facilitava capturar imagens de si anos antes das selfies se tornarem um fenômeno na internet.

Para se ter uma ideia, a Apple - que durante anos foi a pioneira em praticamente todas as inovações criadas para smartphones de alto apelo comercial - só introduziu a câmera frontal em seus aparelhos no iPhone 4, lançado em 2010 - seis anos depois do RAZR V3 da Motorola. O que mostra que a história da companhia no mercado de smartphones poderia ter sido bem diferente se ela tivesse sido capaz de prever o interesse por selfies que tomaria a internet na próxima década.

(Imagem: Android Authority)

Assim, 15 anos depois, a Motorola tenta retomar o sucesso da linha RAZR com o anúncio de uma versão de tela dobrável, mas ainda que o RAZR V3 ainda seja um aparelho que, tecnicamente, é muito inferior a qualquer smartphone já criado, foi ele o responsável por criar essa “cultura móvel” que hoje faz do mercado de smartphones um dos maiores do mundo.

Fonte: Gizmodo, Mass Made Soul

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