Inovação para smartphones: novos recursos justificam preços mais altos?

Por Wellington Arruda | 26 de Junho de 2018 às 08h29

Não é de hoje que as fabricantes de smartphones precisam reinventar seu portfólio para continuarem agradando os consumidores. Com isso, temos as linhas de produtos para separar os modelos, oferecendo mais opções e recursos distintos.

Vamos imaginar um exemplo atual: as pessoas queriam telas maiores, e elas chegaram com os phablets em meados de 2011 e 2012. Mas eles eram/são enormes, o que fez a indústria girar mais um pouco e aumentar o espaço utilizado pela tela, mas sem utilizar tanto material para o corpo do smartphone.

Não somente os displays, mas também outros recursos passaram a ganhar mais notoriedade. Câmeras de selfie estão mais avançadas, tanto que alguns modelos possuem dois sensores na parte da frente; as baterias receberam melhorias e o hardware básico também vem ficando cada vez mais forte.

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Mas a grande questão é que nossos celulares realmente se tornaram mais pessoais e utilizáveis, facilitando dezenas de processos diários – e atrasando muitos outros. E como isso também implica na maneira como você gasta sua graninha suada, é sempre gratificante encontrar um aparelho que você não vai se arrepender meses depois.

Normalmente, esse tal aparelho que estamos falando pode custar algo na casa dos R$ 4 mil, o que definitivamente não é um valor acessível para qualquer um. É aí, então, que surgem os smartphones “intermediários premium”.

Essa nova (mas não tão “nova” assim) categoria normalmente oferece recursos próximos dos celulares topo de linha, mas não em todos os quesitos, afinal o preço precisa ser atraente. Em uma outra analogia, poderíamos compará-los a smartphones que já foram dessa faixa anteriormente, considerando o espaço de tempo de dois anos.

A principal diferença entre essas duas categorias, entretanto, é o preço. Só que nós também devemos lembrar que existem marcas e linhas de produtos já consolidadas no país, e esse fenômeno acaba sendo forte por aqui.

“Esta consolidação é global, mas no Brasil acontece em ritmo mais acelerado, já que aqui a questão da marca é muito forte e, se a diferença de preço é pequena, o brasileiro opta pela grife”, explica Leonardo Munin, analista de pesquisa do mercado de celulares da IDC para América Latina.

Segundo levantamento realizado pelo comparador de preços Zoom, considerando o período de março a maior de 2018 e os smartphones lançados em 2016, os Galaxy J7 Prime e J7 Metal lideraram o ranking de pesquisas. O valor médio desses aparelhos, respectivamente, gira em R$ 789 e R$ R$ 571.

Os terceiro e quarto lugares são ocupados pelo Galaxy S7 Edge (R$ 1.748) e iPhone 7 Plus (R$ 2.797). Já de acordo com o Mercado Livre, dentre os smartphones de 2016, os mais buscados na plataforma atualmente são o iPhone 7/7 Plus e Galaxy S7/S7 Edge, respectivamente.

Considerando apenas esses modelos, temos novamente a visão de que o mercado brasileiro é muito focado em dispositivos que já fazem parte de linhas propriamente conhecidas e divulgadas por suas respectivas fabricantes.

Ainda assim, a variação de preços tem sido alta entre os modelos. Em 2017, 50,8 milhões de aparelhos foram vendidos, sendo 6% feature phones e 94% smartphones. No quarto semestre do ano passado, foram vendidos 786 mil modelos do primeiro grupo e 12,6 milhões do segundo.

A análise da IDC sobre o ano de 2017 também constatou que:

  • Smartphones entre R$ 700 e R$ 1.099 detiveram 49% das vendas;
  • Smartphones de entrada, até R$ 600, responderam por 22%;
  • Smartphones de R$ 1.100 a R$ 2.000 atingiram 20% das vendas;
  • Smartphones de R$ 2.000 a R$ 3.000 fecharam com 3%;
  • Smartphones acima de R$ 3.000 responderam por 5% das vendas.

Esse último grupo, apesar de não ter tanto volume, é um dos que mais obteve crescimento, mostrando que o consumidor brasileiro se sente mais confortável na hora de colocar seu dinheiro em um modelo mais completo. E foi exatamente aí que os tais intermediários premium deram as caras, mesmo aparentando vender menos que os high-end propriamente ditos.

Em contrapartida, o mercado de dispositivos intermediários/de entrada segue com muita força. Tanto que, atualmente, segundo levantamento recente da Gazeta do Povo, 18 modelos da linha Galaxy J estão à venda no Brasil.

Philip W. Schiller, vice-presidente de marketing, da Apple, apresentando Face ID do iPhone X (Foto: Apple/Divulgação)

Aspectos e tendências: o que já temos e o que vem por aí

Assim como nos anos anteriores, ainda veremos novidades no mercado de smartphones. Mas as mudanças têm sido rápidas, e ainda que elas comecem em dispositivos mais caros, a indústria é influenciada como um todo.

Um dos maiores exemplos dessa teoria, novamente, é que painéis com aspecto 18:9 e que ocupam maior área da parte frontal dos smartphones estão cada vez mais populares. Fabricantes como Motorola, LG e Samsung já começaram a levar esse conceito para smartphones de outras faixas de preço que não seja a do topo.

Ainda existem outras características, como melhorias e avanços de design, novos métodos de biometria (sob a tela, scanner de íris e facial, etc), tecnologias de carregamento rápido, câmeras de mais qualidade e com mais sensores, uso de Inteligência Artificial e por aí vai. Nesse caso, os únicos modelos que podem atender todos os quesitos são os premium.

É por isso que a aplicação de grana em um modelo de smartphone mais caro é influenciada, entre outros, pelo período de suporte de atualizações de software e como o hardware deve se comportar com o passar dos anos.

O medo da obsolescência programada, no caso, acaba se tornando outro fator importante para quem compra um smartphone novo. Não deliberadamente, o mercado de smartphones usados também é alimentado com isso.

Mas nós vamos tratar deste assunto na segunda parte deste artigo, com temas sobre obsolescência programada, atualizações de software e, de forma geral, do mercado de usados.

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