Galaxy Fold ou Mate X: qual dos smartphones dobráveis terá sucesso no mercado?

Por Rafael Rodrigues da Silva | 21 de Maio de 2019 às 23h10
Twitter/Mark Gurman

A diferença que três meses fazem: enquanto em fevereiro, durante o MWC, os smartphones dobráveis eram apresentados pelas empresas como a próxima grande revolução do mundo dos smartphones, apenas três meses depois há um enorme ponto de interrogação no futuro de dois dos principais modelos a serem lançados no mercado neste ano.

Quando a Samsung anunciou o Galaxy Fold e definiu a data de lançamento para o dia 26 de abril, o aparelho era tido como o modelo que iria inaugurar o mercado para smartphones dobráveis, além de servir como um termômetro para saber se a nova tecnologia iria ou não ser abraçada pelos consumidores. Mas, após diversos modelos enviados para análises apresentarem problemas de quebrar a tela depois de duas ou três dobradas, a Samsung recolheu todos os aparelhos que já haviam sido enviado para as lojas e cancelou a data de lançamento do Fold.

O aparelho ainda não possui uma data específica para ser enviado àqueles clientes que pagaram US$ 2.000 na pré-venda, mas a Samsung já afirmou que se não conseguir resolver o problema das telas até o dia 31 deste mês ela irá cancelar essas vendas e devolver o dinheiro de todos esses consumidores — e este cenário tem grandes chances de acontecer.

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Galaxy Fold (Umagem: Samsung)

Enquanto isso, a Huawei parecia pronta para tomar este mercado para si: o Mate X foi considerado como o melhor smartphone dobrável do MWC deste ano e tinha tudo para ser um sucesso de vendas mesmo com o seu preço nada acessível de US$ 2.600, mas os desdobramentos da guerra fiscal entre os Estados Unidos e a China podem colocar tudo a perder.

Isso porque, na semana passada, o presidente dos Estados Unidos assinou uma ordem executiva que coloca a Huawei na “lista negra” do país, proibindo a empresa chinesa de vender qualquer produto ou de fechar qualquer contrato com qualquer empresa do país sem a autorização explícita do governo federal — decisão que já fez com que a Google, a Intel e a Qualcomm avisarem que não irão mais conversar ou manter qualquer relacionamento com a Huawei até esse rolo ser resolvido.

Na prática, isso quer dizer que, se não conseguir reverter a decisão até o lançamento em junho, a Huawei não apenas será impedida de vender o aparelho nos Estados Unidos (o que não é uma grande perda, já que a falta de um distribuidor local já tornava os aparelhos da marca extremamente raros no território estadunidense) como também tornará todos os aparelhos vendidos “incompletos”. Isso porque, ainda que a empresa já possuísse um contrato fechado com a Google para o uso do Android no Mate X (o que não é uma certeza), mesmo que o aparelho utilize o Android Pie, ele não receberá nenhuma das atualizações de segurança mensais da Google, e muito menos poderá ser atualizado para o Android Q — a nova versão do sistema operacional da Google que está sendo desenvolvida especialmente com os smartphones dobráveis em mente.

Huawei Mate X (Imagem: Huawei)

Ainda que a empresa já estivesse se preparando para essa possibilidade — por exemplo, ela já possui um sistema operacional próprio que utiliza na China, país que proíbe o uso do sistema Android por conta de ele não permitir a censura de conteúdos da internet —, a empresa se vê numa encruzilhada onde nenhuma das saídas parece interessante: lançar mundialmente um produto com um sistema operacional que ninguém conhece e que, por ter sido produzido para satisfazer o governo chinês, aumentará ainda mais a fama da Huawei de espionar as comunicações de outros países; ou lançar o aparelho com o sistema Android, mas ter que avisar para todos os consumidores que eles podem demorar alguns meses — ou até anos — para receber atualizações no software do sistema operacional, deixando claro que estão comprando um smartphones de US$ 2.600 com funcionalidade limitada?

Apenas três meses depois de convencer o mundo que os smartphones dobráveis vieram para ficar, a Samsung e a Huawei enfrentam problemas muito diferentes, mas que podem levá-las para o mesmo caminho: a falha em criar uma demanda por esse novo modelo de aparelho celular. Por enquanto, é ainda muito cedo para saber qual será o fim dessa história, mas é impressionante ver como em apenas três meses ambas as empresas saíram de uma certeza de sucesso para nem saber se esses aparelhos chegarão a ser mesmos lançados mundialmente.

Fonte: The Verge

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