Especialista revela se desligar o celular à noite ajuda na bateria e travamentos
Por João Melo • Editado por Léo Müller |

Você talvez já tenha ouvido o conselho de que desligar o celular à noite, antes de dormir, faz bem para o aparelho. Essa é uma prática preventiva que acompanha os usuários de dispositivos móveis há muito tempo, mas será que o hábito faz sentido para smartphones com sistemas operacionais mais modernos?
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A dúvida se faz ainda mais presente devido aos avanços de sistemas como Android e iOS, que possuem um nível de otimização que promete gerenciar recursos sem intervenções humanas constantes.
Diante disso, o costume de desligar o celular no período noturno coloca, de um lado, softwares com capacidade de gerenciar de forma automatizada a energia e a memória do aparelho e, do outro, a preocupação dos usuários com o desgaste físico dos componentes de hardware.
Processos em segundo plano
Um dos detalhes que merecem atenção é que os smartphones atuais são projetados para organizar a memória de forma inteligente e autônoma. Esse mecanismo entra em ação quando, por exemplo, a pessoa sai de um aplicativo e volta à tela inicial, com o sistema mantendo parte do seu estado de memória para permitir uma reabertura mais ágil.
Esse comportamento tem o objetivo de dar mais fluidez à experiência de navegação, sem que o aparelho precise sempre carregar "do zero" os dados do aplicativo. No entanto, esse cenário ideal nem sempre se concretiza, especialmente com aplicativos de terceiros mal otimizados.
"Com vários aplicativos instalados no aparelho, o usuário também não sabe 100% do que esses aplicativos realizam quando estão em atividade ou quando estão em segundo plano", pontua Eduardo Pouzada, professor de engenharia elétrica do Instituto Mauá de Tecnologia (IMT).
O docente explica que aplicativos mal programados podem gerar os chamados vazamentos de memória, que utilizam recursos do sistema por mais tempo do que o necessário. Em alguns casos, tanto o desempenho quanto o consumo de energia do dispositivo são afetados por esse problema.
Em paralelo, o sistema utiliza memória cache para armazenar temporariamente informações e acelerar tarefas frequentes. Ainda que o cache ajude no desempenho do smartphone, dados desatualizados ou até mesmo corrompidos tendem a contribuir para lentidão em determinados serviços instalados.
Calor: o verdadeiro inimigo da bateria
Ainda que as atividades em segundo plano influenciem o desempenho do aparelho, esse não é o principal motivo que leva especialistas a recomendarem reinicializações periódicas.
Pouzada ressalta que a questão mais importante está relacionada à temperatura de funcionamento do dispositivo e aos impactos do calor sobre a bateria. Isso porque temperaturas elevadas aceleram processos de degradação química das células, reduzindo gradualmente sua capacidade de armazenamento de energia.
Diante disso, o engenheiro elétrico afirma que dar um "descanso" ao smartphone pode trazer benefícios para a conservação do aparelho a longo prazo, especialmente em regiões muito quentes, onde a temperatura do ambiente não cai tanto durante a noite.
"Desligar o celular pode prolongar a vida útil da bateria porque, mesmo quando o aparelho está sem uso, ela continua alimentando o equipamento. Quando o dispositivo está desligado, a bateria deixa de sustentar diversas atividades do sistema. Por isso, em condições normais de operação, ela tende a durar mais quando o aparelho é desligado periodicamente e reiniciado depois. É uma questão de prevenção e de uso mais prudente do equipamento", destaca o especialista.
O professor acrescenta que fatores como brilho elevado da tela, longos períodos de gameplay e uso prolongado de recursos multimídia tendem a aumentar o consumo energético e elevar a temperatura do aparelho.
Com o celular desligado por algumas horas, essas atividades ficam suspensas e o dispositivo tem a oportunidade de esfriar completamente.
Qual é a frequência ideal para reiniciar o celular?
Eduardo Pouzada recomenda aos usuários reiniciar o celular ao menos uma vez por dia. De acordo com o docente do IMT, essa prática evita o acúmulo de processos e possíveis perdas de desempenho em tarefas de trabalho ou entretenimento.
"Se você quiser manter o celular funcionando bem, desligue-o à noite, faça as manutenções necessárias e remova o que não for mais útil. Eu recomendaria esse cuidado a cada 24 horas", orienta o especialista.
O engenheiro, no entanto, afirma que esse hábito é recomendado mais como uma rotina preventiva, não sendo uma regra para todos os usuários e aparelhos. Smartphones mais modernos, por exemplo, foram projetados para permanecer ligados por períodos mais longos sem apresentar falhas significativas.
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