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Crise dos chips: memória já é mais cara que Snapdragon de última geração

Por  • Editado por Léo Müller |  • 

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Eric Mockaitis/Canaltech
Eric Mockaitis/Canaltech

A indústria de smartphones enfrenta uma crise de suprimentos que especialistas e fontes do setor classificam como "catastrófica". O aumento nos custos de memória e armazenamento atinge patamares sem precedentes e impacta diretamente o planejamento dos próximos grandes lançamentos globais.

Dados recentes revelam que o custo de produção para o conjunto de 16 GB de RAM LPDDR5X e 1 TB de armazenamento UFS 4.1 atingiu a marca de US$ 318. O valor é tão alto que já supera o preço estimado do Snapdragon 8 Elite Gen 6, futuro processador topo de linha da Qualcomm, segundo o informante Digital Chat Station.

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Como fabricantes de diversos segmentos utilizam os mesmos componentes de memória, a alta nos preços reflete em todas as categorias do mercado. Modelos como Xiaomi 18, Redmi K100 Pro Max e POCO F9 Ultra devem sofrer reajustes de aproximadamente US$ 140 para o consumidor final.

Para mitigar esse impacto financeiro e evitar repasses ainda maiores, a Xiaomi aposta em soluções de software integradas ao HyperOS. A marca utiliza as altas velocidades de leitura e escrita do padrão UFS 4.1 para alocar parte do armazenamento como memória virtual de sistema.

Essa estratégia permite que aparelhos com menos memória física entreguem um desempenho multitarefa equivalente a versões mais robustas e caras. Assim, a empresa busca proteger o orçamento dos usuários sem abrir mão da fluidez característica de seus celulares mais potentes.

Ententa a crise 

A origem do problema está na produção de memórias DRAM e NAND. Gigantes como Samsung e Micron agora priorizam componentes HBM para atender servidores de inteligência artificial. Essa mudança de foco restringe a oferta de peças para celulares e eleva os custos de fabricação em toda a escala.

Reinaldo Sakis, analista da IDC, recorre a uma analogia com o mercado automotivo para explicar o cenário atual. "Com a mesma pastilhinha de silício, você pode produzir um Fusca ou uma Ferrari. Eles optaram por fazer mais Ferraris, e aí não tem material para fazer o Fusca", afirma o especialista.

O cenário atual supera a gravidade da escassez vista na pandemia. "Esta é a pior crise que eles já viram na história", alerta Sakis. Em 2025, o custo de produção de aparelhos de entrada subiu 25%, com novas altas previstas para 2026, o que deve encarecer o preço médio global em quase 7%.

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Para evitar valores proibitivos, as marcas podem aplicar uma "reduflação" nos eletrônicos. A prática inclui a troca de chips 5G por versões 4G e a redução na capacidade das baterias. Com isso, novos modelos de 2026 podem chegar às lojas com ficha técnica inferior aos antecessores de 2025.

O professor Thiago Muniz, da FGV, aponta que a inteligência artificial pode servir de justificativa para esses cortes de hardware. Segundo ele, as marcas podem economizar em sensores físicos com a promessa de melhorias via software. O consumidor deve redobrar a atenção para não levar um produto com hardware defasado.

Fonte: Digital Chat Station