Crítica | Série de High School Musical estende legado da franquia original

Crítica | Série de High School Musical estende legado da franquia original

Por Beatriz Vaccari | 19 de Janeiro de 2021 às 10h20
Disney

Quando anunciada pela Disney, High School Musical: O Musical: A Série teve uma recepção mista do público; por um lado, os fãs da franquia ficaram frustrados por não verem o elenco original voltar aos palcos e aos corredores do East High, enquanto por outro, era uma oportunidade de verem seu cenário favorito novamente com novas histórias e novas músicas. Havia dúvidas se a produção era destinada apenas aos fãs dos filmes ou totalmente independente, ou seja, para ter sucesso, era necessário um movimento que vinha diretamente do espectador: o de se arriscar a conhecer algo novo.

A atração vem com uma proposta totalmente diferente dos filmes, tanto na trama quanto em formato. Assim como Parks and Recreation, Modern Family e The Office, High School Musical: O Musical: A Série segue um formato de mockumentary, em que brinca com os depoimentos dos personagens diretamente para a câmera em meio aos eventos dos episódios, e é claro, zombando a maior parte do tempo da própria história e muitas vezes da trilogia que a antecede.

A surpresa vem justamente nesse aspecto, por ser uma produção da Disney e voltada para um público mais jovem, a série ganha o público por tirar sarro de si mesma e não vê problema em continuar as piadas que surgiram com a franquia original, em meados dos anos 2000.

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Atenção! A partir daqui o texto contém spoilers de High School Musical: O Musical: A Série. Leia por sua conta e risco.

Assistimos High School Musical: O Musical: A Série, será que vale a pena? (Imagem: Divulgação / Disney+)

Não é possível criar uma atração reutilizando a fórmula usada há 15 anos, e a Disney sabe bem disso. High School Musical: O Musical: A Série foi pensada nos mínimos detalhes para não só agradar os fãs da trilogia como também atrair as mais diversas faixas etárias a acompanharem a história — e isso surpreendentemente não inclui ter assistido aos filmes. A série passa nos dias atuais no mesmo cenário em que a franquia foi gravada, o East High School, em Salt Lake City, mas em vez de dar continuidade na história, High School Musical é tratado como o verdadeiro sucesso que foi, aproximando a trama retratada na tela para a realidade do espectador.

Num tom que pode agradar muito os fãs de Glee, o primeiro episódio mostra uma nova professora chegando ao colégio com o intuito de reviver o clube de teatro e fazer o primeiro musical inspirado em High School Musical no East High (soa um pouco familiar, não?). Em paralelo, o espectador conhece logo de cara Nini (Olivia Rodrigo) e Ricky (Joshua Bassett), um casal que, após um "eu te amo" não correspondido, viu o namoro esfriar durante o verão. Agora, de volta aos corredores do colégio, o garoto deseja reconquistar a ex, mas não esperava vê-la com um namorado novo, E.J. (Matt Cornett), que além de ser um dos atletas populares, ainda é amante do teatro e de musicais como Nini.

Ao anunciarem as audições para o musical baseado em High School Musical, a aspirante a cantora Nini deseja concorrer ao papel principal, de Gabriella Montez (originalmente interpretada por Vanessa Hudgens), mas vê sua chance correr perigo com a presença da talentosa Gina (Sofia Wylie). Logo, é apresentado ao público um típico triângulo (ou quadrado) amoroso, repetindo a fórmula vista por Gabriella, Troy e Sharpay; mas felizmente, essa situação acaba sendo coadjuvante diante de toda a trama apresentada.

Trama chega com novos rostos no mesmo local dos filmes originais (Imagem: Divulgação / Disney+)

Assim como Glee, o foco da série é acompanhar o grupo ensaiando e preparando-se para a grande noite de estreia do musical da escola, desenrolando pelas beiradas cada arco dos personagens, tanto os alunos quanto a própria professora Miss Jenn (Kate Reinders). High School Musical: O Musical: A Série trabalha seus personagens de uma forma que o tempo de tela de cada um acaba sendo bem distribuído, dando oportunidade ao público de não só se apegar a uns, mas também criar uma verdadeira repulsa a outros.

A série procura modernizar todos os elementos vistos na franquia original que hoje já são considerados antiquados, como, por exemplo, a presença de personagens LGBT e o tabu de Kenny Ortega com carícias e beijos entre os casais da história. O elenco possui rostos e talentos de sobra para criar identificação com qualquer tipo de espectador, embora ainda trate algumas histórias de maneira superficial, dando a entender que explorará muito mais na segunda temporada.

Primeira temporada mostra elenco recriando musical do primeiro filme (Imagem: Divulgação / Disney+)

Além disso, High School Musical: O Musical: A Série dispõe-se a agradar não só os fãs da franquia oficial (que atualmente estão na casa dos vinte e poucos anos) quanto um público novo, misturando novas versões das músicas cantadas na trilogia com inéditas e que merecem muito destaque. Há também a participação especial de dois atores do elenco original para aquecer o coração dos que procuram por nostalgia, mas ainda assim sem deixar a história depender alguma vez dos filmes antecessores.

O humor, ainda que um pouco amador, funciona de forma discreta. É claro que a produção ainda está aprendendo a lidar com o novo formato e que as próximas temporadas podem revelar muito mais do que já visto nessa (afinal, o mesmo aconteceu com The Office e Parks and Recreation, cujas primeiras temporadas são "as menos favoritas" dos fãs).

A série ganha justamente por apontar o dedo para o que hoje não funciona mais nos filmes originais e fazer piada disso, como quanto um dos personagens diz claramente para a câmera o quão fã é ser da franquia, mas não tê-la assistido inteira. "Eu já assisti o High School Musical original 37 vezes, e os primeiros quinze minutos das duas sequências", declara Carlos (Frankie A. Rodriguez) logo no primeiro episódio.

Romance, músicas e cenas de humor: o que o público pode esperar da série (Imagem: Divulgação / Disney+)

Fugindo um pouco também da história de casal feliz, que frequentemente é centrada em Ricky e Nini, outros elementos são reaproveitados do musical original. Dessa vez, Sharpay Evans é vivida pelo adolescente gay Seb (Joe Serafini), amante dos musicais mas, diferente da personagem que interpreta, um pouco inseguro; vale destacar também Ashlyn Caswell (Julia Lester), cuja interpretação no musical dá mais visibilidade para a personagem da Sra. Darbus na franquia original, além de ter seu próprio solo na noite de estreia.

High School Musical: O Musical: A Série pode soar estranho para quem com muita sede ao pote esperando uma trama semelhante a do filme no qual o título se refere, mas surpreende justamente por sair da zona de conforto e ignorar a fórmula que funcionou há quinze anos. Apresentando personagens carismáticos e que trazem humor e representatividade à tela além de entregar um pouco de romance e drama para os fãs dos gêneros, a série promete alçar voos nas próximas temporadas, agora que já apresentou sua proposta nos primeiros episódios. Não há previsão de lançamento para a segunda parte, mas os dez primeiros episódios já estão disponíveis no Disney+.

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