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Crítica Olhar Indiscreto | Série brasileira agrada apesar de derrapar no final

Por| Editado por Jones Oliveira | 26 de Dezembro de 2022 às 20h16

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Divulgação/Netflix
Divulgação/Netflix
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A minissérie Olhar Indiscreto foi a primeira produção brasileira a chegar ao catálogo da Netflix. A obra, assinada pela argentina Marcela Citterio, conta uma história de voyeurismo e mistério, e estreou na plataforma na primeira hora do dia 1 de janeiro. O Canaltech teve acesso antecipado aos 10 episódios e te conta o que achou da produção.

Para começar, a obra se debruça sobre a vida de Miranda (Débora Nascimento) — uma hacker bonita e inteligente que tem como hobby observar a vida dos outros. Seu passatempo fica ainda mais interessante quando Cléo (Emanuelle Araujo), uma prostituta de luxo, se muda para o prédio em frente e ela passa a observá-la todas as tardes e noites.

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Com o passar do tempo, as duas acabam criando um laço de amizade, mas a vida de Miranda muda drasticamente quando Cléo lhe pede que cuide de sua cachorrinha durante um final de semana, enquanto ela viaja com um cliente rico.

Atenção! Essa crítica tem spoiler de Olhar Indiscreto!

A virada na trama

A partir desse ponto, a trama começa de vez. Enquanto Cléo desaparece, a hacker se vê envolvida com uma família rica, cheia de segredos e podridões. Sem saber direito em quem confiar, ela tem que lutar para encontrar sua amiga, mesmo que isso coloque sua própria vida em perigo.

E, vale falar, que o primeiro acerto da produção é justamente o fato de as viradas não demorarem a acontecer. Já no primeiro episódio vemos Miranda matando um homem acidentalmente e tentando acobertar seu erro.

Os capítulos que se seguem também terminam com um gancho interessante para o próximo, tornando fácil terminar a série em “uma sentada só”. A sensação de "quero mais" foi uma constante enquanto assistíamos aos episódios.

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Atuações que agradam

Para que a trama de Olhar Indiscreto tivesse um bom ritmo, foi preciso contar com um bom texto — mérito de Citterio e da brasileira Camila Raffanti, que ficou responsável pela adaptação — e com um elenco competente.

Débora Nascimento e Emanuelle Araujo entregam boas atuações, o que não é uma novidade, uma vez que já as vimos brilhar em diversas novelas na rede aberta de televisão. Além delas, a veterana Débora Duarte também impressiona, embora tenha pouco tempo de tela.

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Ela dá vida à avó de Miranda, uma senhora com demência e perda de memória que mal se lembra dos fatos importantes de sua vida.

Completam o time Gabriela Moreyra, Gabriel Muglia, Sacha Bali e Gustavo Machado—que embora apareça só nos episódios finais, é uma boa adição à trama. Ele que já brilhou em Elis, Eu Receberia as Piores Notícias dos Seus Lindos Lábios e Albatroz, aparece dando vida a um capanga maldoso e sem escrúpulos.

Já os atores Nikolas Antunes e Ângelo Rodrigues vivem, respectivamente, os protagonistas Heitor e Fernando, dois cunhados que se envolvem emocionalmente com Miranda. Aqui é preciso falar que embora seja notável o esforço de Ângelo para neutralizar o sotaque português, a estratégia não foi bem sucedida. Por vezes, sua fala fica tão forçada que era melhor ter deixado o sotaque transparecer em cena. 

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Excluindo esse fato, no entanto, nem ele e nem Nikolas decepcionam. A sintonia do grupo transparece em tela e deixa a trama mais fluída e menos truncada, o que é fundamental, também, nas cenas de sexo e sadomasoquismo, bem frequentes na trama.

Olhar feminino

Por falar nas cenas explícitas, elas são feitas com delicadeza (sem gemidos exagerados ou caretas esdrúxulas), e isso é mérito da equipe predominantemente feminina, composta pela diretora geral Luciana Oliveira e pelas diretoras de episódios Fabrizia Pinto e Letícia Veiga. 

Além delas, a série contou também com a coordenadora de intimidade Barbara Harrington, que ensinou à equipe a criar cenas sem correr o risco de cair no assédio. Mais do que o ato em si, a profissional também se preocupou com os figurinos, com o estado emocional do elenco e com a segurança das atrizes que ficaram amarradas às cordas.

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Esse cuidado, a princípio, contribuiu para que as cenas fizessem sentido e não fossem apenas “o sexo pelo sexo”. Mas, após tantas imagens explícitas e desnecessárias, ficou difícil comprar a ideia de que a produção não focou apenas no erotismo.

Um ponto interessante de Olhar Indiscreto, no entanto, foi explorar o fetiche do voyeurismo, tema poucas vezes retratado em produções brasileiras. Ele foi o fio condutor para que Miranda se envolvesse em toda essa rede de mentiras e tivesse sua vida mudada radicalmente.

Um desfecho conclusivo, mas confuso

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Com tantas reviravoltas acontecendo, o desfecho de Olhar Indiscreto era o ponto mais aguardado da produção. Afinal, apenas no último capítulo seria revelado toda a trama de mentiras e segredos, e descobriríamos quem está por trás de tudo isso.

Vale ressaltar que para chegar até o clímax, os três últimos episódios foram bastante corridos, confundindo mais do que esclarecendo.

Acrescente a isso também uma trama que tentou juntar todos os elementos possíveis; descobrimos que Miranda está grávida e não sabe quem é o pai de seu bebê, ela é enterrada viva e se salva, a avó é assassinada, Rita leva uma facada e morre imediatamente e Cléo é revelada como Ana, a filha secreta de Vitória (Tânia Alves)—mas, na verdade, descobrimos posteriormente, que ela é Gabriela, a irmã desaparecida da vouyer.

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Talvez se a série tivesse ganhado um pouco mais de tempo de tela, a narrativa seria muito melhor desenvolvida. Porém, ainda assim, o texto conseguiu concluir as questões em aberto e dar um fim para cada personagem—ainda que para a maioria deles tenha sido a morte.

Afinal, vale a pena assistir Olhar Indiscreto?

Com uma trama bem amarrada, a minissérie Olhar Indiscreto, vale o play, e tem potencial para conquistar o público. Seu grande erro foi ter, nos últimos episódios, feito uma salada mista de soluções que, por vezes, pareceram uma medida desesperada para dar um desfecho à história. 

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Ainda assim, a série tem um bom argumento e uma ideia promissora que, claro, poderia ter sido melhor trabalhada. O fato do encerramento ser conclusivo agrada, pois não cria a expectativa de uma segunda temporada e não frustra o espectador. A atuação de Débora Nascimento e de Débora Duarte são os grandes destaques positivos.

Se você ficou curioso sobre a série, já pode maratoná-la na Netflix.