Crítica | Faz de Conta que NY é uma Cidade é um guia sincero de quem respira NY

Por Natalie Rosa | 22 de Janeiro de 2021 às 12h00
Divulgação: Netflix

Nova York não é simplesmente uma cidade dos Estados Unidos, mas uma das mais populares do mundo. Sinônimo de multidão, correria e agitação, a metrópole é conhecida por nunca parar e estar sempre cheia de gente. Além disso, se tornou cenários de muitas obras, entre romances, filmes, séries e documentários, muitos deles destilando amor ou ódio pela cidade.

Por isso, nos Estados Unidos, Nova York é sempre retratada de duas formas bastantes distintas: amada ou odiada. Raramente ouvimos a população do país chegar a um consenso sobre ela que estaciona em um meio-termo. Chegamos um pouco perto disso através das palavras de Fran Lebowitz, renomada escritora norte-americana, que na nova série da Netflix, Faz de Conta que NY é uma Cidade, elogia Nova York na mesma medida em que critica.

Imagem: Divulgação/Netflix

Atenção: esta crítica contém spoilers de Faz de Conta que NY é uma Cidade.

Na série, Lebowitz consegue exprimir o seu amor pela cidade de Nova York apontando suas qualidades e defeitos, mas sempre destacando que são esses defeitos que fazem com que a metrópole seja única. Conhecida por não economizar nas palavras e não se importar em dar opiniões sinceras, por mais amargas que sejam, a trama se torna um grande palco de desabafo, com bastante humor, que destrincha a cidade em todas as suas características.

Faz de Conta que NY é uma Cidade é dirigida pelo cineasta Martin Scorsese, que também é amigo de Fran, que faz algumas pontas nos episódios apenas ouvindo a amiga e rindo muito de suas declarações. É nitidamente visível o quanto Scorsese admira Lebowitz e suas opiniões, até as mais duras. Em seus poucos momentos de tela, é possível se divertir em ver o diretor se divertindo tanto com aquelas palavras.

Nova York é esmiuçada enquanto a escritora conta a sua própria história de vida, desde quando era criança e se tornou viciada em livros, até a atualidade, em que ela se orgulha de não ter se adaptado às novas tecnologias e não ter um celular, nem mesmo um aparelho mais simples, e muito menos saber usar um computador. A escritora destaca esses fatos deixando claro que há mais o que fazer na cidade.

Suas palavras são extremamente provocativas, mas que ao serem soltas em forma de humor até questionamos se concordamos com ela ou não, mesmo que inicialmente o nosso pensamento seja o oposto do dela. Uma de suas falas mais polêmicas em toda a série é a afirmação de que ela é capaz de separar o artista da obra, mesmo que ele tenha feito coisas horríveis. Fran diz concordar que o artista deva ser punido, mas afirma que a sua obra, sendo boa, não deve deixar de ser consumida.

Imagem: Divulgação/Netflix

Faz de Conta que NY é uma Cidade é uma grande palestra de uma pessoa que ama Nova York para que pessoas que amam Nova York possam ouvir. Ao longo de sete episódios, Fran Lebowitz transforma suas opiniões e experiências em um debate com ela mesma sobre o que é viver em uma cidade que nunca para, tornando suas palavras em uma verdade absoluta.

Sua acidez e ironia constantes transformam a série em uma peça peculiar, trazendo observações interessantes, ao mesmo tempo que curiosas, pois temos a chance de enxergar a adoração surreal pela cidade a partir dos olhos de quem considera Nova York a melhor cidade do mundo, algo que quem enxerga apenas como uma cidade turística, talvez, nunca entenderá por completo.

A série Faz de Conta que NY é uma Cidade está disponível em sete episódios na Netflix.

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