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Crítica Corpo em Chamas | Ritmo lento deixa a série cansativa e monótona

Por  • Editado por Jones Oliveira | 

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Baseada em uma história real, a série espanhola Corpo em Chamas chegou à Netflix no dia 8 de setembro prometendo entregar uma trama intrigante de traição, ciúmes e morte, mas não foi bem isso que vimos na tela. Com ritmo extremamente lento e um enredo que se alonga mais do que o necessário — são oito episódios, mas poderiam ser quatro — a produção é morna e cansativa.

A trama começa mostrando um carro incendiado no meio de um matagal e logo descobrimos que o corpo de Pedro, um policial da Guarda Municipal, está incendiado dentro do porta malas. A partir daí, a história avança tentando desvendar quem cometeu o crime. Os principais suspeitos são Rosa Peral, sua esposa, e Albert, o amante dela, ambos policiais.

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Apesar da série entregar desde o primeiro capítulo que eles são os verdadeiros culpados, quem assiste à produção espera que, ao longo da trama, algo de surpreendente aconteça ou que pelo menos a motivação por trás do crime seja chocante, mas o desfecho é simples e morno, dando a sensação de que todos os oito longos episódios foram uma perda de tempo.

Claro que, por ser baseada em um crime real, a obra se limitou ao verídico, mas ainda assim poderia ter construído a história de uma maneira mais interessante, que instigasse pelo menos a curiosidade do espectador.

E, por falar na escolha narrativa, um grande erro da série é que ela avança e retrocede na linha do tempo sem muito critério, deixando a trama extremamente confusa. Em um momento, vemos Rosa no presente conversando sobre a morte de Pedro e, na cena seguinte, ela está aos beijos com ele. Quem não prestar muita atenção vai se perder e terá que voltar alguns minutos para entender o que foi mostrado.

Outro momento confuso acontece quando os personagens olham para a câmera e “ditam” a mensagem que estão digitando no celular. Seria muito melhor só mostrá-los escrevendo no telefone ao invés de criar essa cena mal feita. Erro bobo e desnecessário.

Corpo em Chamas acerta no elenco

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Se o enredo é repleto de erros, o elenco foi uma grata surpresa. Ele é encabeçado por Úrsula Corberó, a Tóquio de La Casa de Papel, e traz José Manuel Poga (o Gandía também de La Casa de Papel) como Pedro e Quim Gutiérrez (O Quarto Secreto) como Albert. Além deles, completam o time Eva Llorach, Raúl Prieto, Aleida Torrent e Aina Clotet.

Todos estão bem em seus papéis, mas claro que o destaque ficou com Úrsula que entregou uma performance consistente e deu vida a uma Rosa cínica e manipuladora, que só se importa com seus desejos.

Por falar no tema, um acerto da série foi mostrar como a sociedade julga uma mulher caso ela não se encaixe no padrão que lhe é esperado. Rosa se envolveu com três homens diferentes: Javi, Pedro e Albert e isso foi o suficiente para que ela fosse condenada culpada pela sociedade antes mesmo de enfrentar o juiz. É claro que o mesmo não aconteceu com Albert. Mesmo tendo se envolvido com uma mulher casada, ele não passou pela inquisição da opinião pública e saiu ileso.

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Um true crime que explora a mente dos criminosos

Um dos pontos mais elogiados pela imprensa espanhola é o fato da diretora Laura Sarmento Pallarés ter focado em aprofundar os personagens principais e explorar os sentimentos mais obscuros de cada um deles. Apesar de realmente parecer ser um acerto, essa escolha da diretora fez com que a trama não arrancasse.

Veja bem, para quem já conhecia o crime — como é o caso dos espanhóis, já que a tragédia repercutiu bastante na imprensa local —, a série não precisava mesmo explorar os pormenores do ato em si e poderia partir de um ponto desconhecido: a motivação por trás do fato. Mas para quaisquer outros espectadores que estavam leigos sobre o tema, fez falta uma melhor contextualização.

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Além disso, nada justifica o ritmo tão lento. Cortando boa parte das cenas desnecessárias, a obra caberia em excelentes quatro capítulos de uma hora cada.

Sendo assim, com mais erros do que acertos, Corpo em Chamas decepciona e se firma como uma série bem nichada, com potencial para agradar só os mais apaixonados pelo gênero — que ainda podem assistir ao documentário do streaming chamado O Caso Rosa Peral. Mas, se mesmo assim você quiser dar um chance para tirar suas próprias conclusões, já pode dar o play na Netflix.