Universidade centenária fecha as portas após sofrer golpe de ransomware

Universidade centenária fecha as portas após sofrer golpe de ransomware

Por Felipe Demartini | Editado por Claudio Yuge | 13 de Maio de 2022 às 14h52
Divulgação/Lincoln College

Uma universidade centenária dos Estados Unidos anunciou o fim de suas atividades em decorrência de um ataque de ransomware, pela primeira vez na história. Esta sexta (13) será o último dia de atividades do Lincoln College, instituição de ensino no estado americano do Illinois, que não foi capaz de lidar com os custos e danos causados aos sistemas após sofrer um golpe de sequestro digital em dezembro do ano passado.

O incidente, associado a cibercriminosos de origem iraniana, impediu por semanas o acesso aos dados e sistemas da universidade, impedindo o cadastro e o acesso a todas as informações da instituição. Apesar de o Lincoln College afirmar que informações pessoais de alunos e professores não vazaram por conta do ocorrido, a recuperação levou mais de três meses para ser concluída, o que levou a uma baixa significativa no número de matrículas.

De acordo com o diretor David Gerlach, os custos envolvidos no ataque foram relativamente baixos, com menos de US$ 100 mil investidos na restauração dos sistemas. O problema, entretanto, foi a interrupção das atividades, que agravaram ainda mais os problemas de frequência que a universidade já enfrentava desde 2020, com a pandemia da covid-19 levando alunos a trancarem cursos ou adiarem o ingresso na faculdade.

Sem a possibilidade de fazer matrículas e com ainda menos alunos para esse ano, a organização tinha como única alternativa para se manter além do semestre atual a assinatura de uma parceria, patrocínio ou o recebimento de uma doação de US$ 50 milhões, que não veio — uma campanha de financiamento coletivo junto à comunidade também não foi bem-sucedida. Assim, não sobrou alternativa a não ser encerrar as atividades, dispensar os alunos ainda em curso para outras instituições e a demitir todos os funcionários.

Em comunicado, Gerlach lamentou a decisão e lembrou que o Lincoln College já havia resistido a outras calamidades globais, como as crises econômicas de 1887, 1929 e 2008, a Segunda Guerra Mundial e a Gripe Espanhola, além de um incêndio que destruiu boa parte de suas instalações em 1912. Ainda assim, não houve como escapar dos grandes investimentos em tecnologia e segurança feitos, justamente, para tentar evitar incidentes assim, que não caminharam ao lado de um crescimento nas receitas ou até mesmo uma manutenção delas por conta da pandemia.

Os detalhes sobre o caso não foram revelados diretamente. Uma apuração da imprensa americana levantou questões sobre a proteção dos sistemas do Lincoln College e possibilidade de o ataque de ransomware ter sido evitado. A universidade, por exemplo, não faz parte de um grupo de mais de 700 instituições ligadas a um centro de pesquisa, informação e mitigação de ataques mantido pela Universidade de Indiana, que fornece a todas serviços de recuperação, defesa e inteligência de ameaças.

Entretanto, não há muito mais que possa ser feito pela instituição. Em seu site oficial, o Lincoln College agradeceu às gerações de alunos e servidores que passaram pelos seus corredores, apontando o impacto positivo que seus formandos e estudantes exerceram e seguem tendo no mundo.

Fonte: The Register, Lincoln College

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