Um em cada oito smartphones no Brasil está infectado com malwares

Um em cada oito smartphones no Brasil está infectado com malwares

Por Felipe Demartini | Editado por Patrícia Gnipper | 21 de Abril de 2021 às 08h00
Divulgação/Secure-D

O estado de isolamento social causado pela pandemia e o aumento no índice de compras online, principalmente pelo celular, transformou os países emergentes como o Brasil em um celeiro bastante lucrativo para fraudes digitais. O Brasil está posicionado entre um dos piores em um levantamento sobre malwares mobile, que indicou a presença de um aparelho com sistema operacional Android contaminado a cada oito utilizados para a realização de transações em nosso país.

Os dados são da Upstream, que desenvolve a plataforma antifraude Secure-D, voltada justamente a análise de movimentações realizadas pelo celular. Os números são assustadores, com a empresa indicando que 96% das transações realizadas em nosso país, e avaliadas pela plataforma, foram bloqueadas por serem fraudulentas e relacionadas a 12 mil aplicativos maliciosos disponíveis, principalmente, nas lojas oficiais do Google e também fabricantes de smartphones.

De acordo com o levantamento, foram 449 milhões de transações mobile processadas pela plataforma em 2020, a partir de nosso país. Chamou a atenção dos especialistas, por exemplo, o caso de um usuário brasileiro cujo dispositivo chegou a ser usado em 15,9 mil tentativas de compras maliciosas em um único mês e a partir de apenas um aplicativo, chamado Best QR Code Scanner. Ferramentas desse tipo, categorizadas pela Upstream na categoria de “ferramentas e personalização, correspondem a 22% das contaminações registradas.

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Entretanto, este não foi o app “vencedor”. No Brasil, o principal responsável pelas transações fraudulentas foi o Snaptube, app que serve para baixar vídeos e músicas de redes sociais e plataformas online, que estaria instalado em mais de 8,6 milhões de dispositivos e seria o responsável por mais de 37 milhões de transações fraudulentas. Ele já foi retirado no ar nas lojas oficiais, mas em seu site oficial, ainda é citado como a principal solução para tais fins, com direito a links para download direto a partir de servidores próprios ou serviços nacionais reconhecidos.

Lista de aplicativos maliciosos com maior número de fraudes no Brasil também exige outro sintoma global, com bandidos preferindo lojas oficiais de fabricantes, menos moderadas, em relação à publicação na Google Play Store (Imagem: Divulgação/Secure-D)

Completam o ranking dos cinco apps maliciosos mais perigosos o App Cake, que promete liberar versões pagas de outros softwares e gerou mais de 10 milhões de transações fraudulentas a partir de 78,5 mil aparelhos, o Young Tunes e o Young Radio, serviços musicais que prometem links diretos para download de músicas e somam, juntos, 7,6 milhões de tentativas de compras e 276 mil usuários.

O levantamento cita ainda o app Meizu Safe, que pertence à fabricante de smartphones de mesmo nome e registraria 18,3 milhões de movimentações suspeitas, a partir de 9,8 mil dispositivos. A pesquisa da Secure-D, na verdade, aponta o conjunto de aplicações da empresa com a maior soma de transações suspeitas em todo o mundo, mostrando que a ameaça, já citada como grande em território asiático, também é considerável em território brasileiro.

Os números do Brasil são graves e colocam o nosso país na segunda colocação no ranking global de nações mais atingidas, ficando atrás apenas da Indonésia, onde 99% das movimentações analisadas pela Secure-D foram bloqueadas como suspeitas. Os dados, também, estão bem acima do patamar global, com uma taxa de um em cada 36 dispositivos infectados com malware.

“A desigualdade digital faz os mercados emergentes serem particularmente vulneráveis, com os celulares sendo a única forma de acesso de muitos dos usuários”, explica Dimitris Manlatis, CEO da Upstream. Segundo ele, estão na mira, principalmente, as pessoas mais leigas sobre assuntos relacionados à tecnologia, assim como os usuários de modelos mais baratos de smartphones, com muitos aplicativos na memória e pouco espaço e processamento para rodarem soluções de segurança.

Novos caminhos para fraude

Jogos e ferramentas de personalização são as categorias de apps que mais escondem malwares em todo o mundo; Brasil é o segundo colocado no ranking da Secure-D, entre países com maior número de transações detectadas como suspeitas (Imagem: Divulgação/Secure-D)

No panorama global, o aplicativo malicioso responsável pelo maior número de transações suspeitas foi o chamado FM Radio, com 99,8 milhões de movimentações bloqueadas pela plataforma. A mudança de hábitos gerada pela pandemia também fez com que os jogos se tornassem, mundialmente, a categoria de aplicações com maior número de detecções de malware, deixando para trás os apps de “ferramentas e personalização” que lideraram o levantamento de 2019 e ainda são os mais ameaçadores no Brasil.

O estudo também demonstra uma mudança no comportamento dos criminosos. Mesmo com a popularidade absoluta da loja Google Play, 71% dos aplicativos maliciosos foram distribuídos a partir de marketplaces menores, de propriedade das fabricantes dos dispositivos. Em todo o mundo, foram 46 mil softwares com malware localizados e bloqueados ao longo de 2020, com uma estimativa de US$ 1,3 bilhão em perdas evitadas a partir do uso de ferramentas de análise de transações.

Além disso, o levantamento demonstra uma preferência dos golpistas por cobranças na própria conta ou créditos dos usuários, no lugar das fraudes de cartão de crédito que parecem mais comuns, mas também podem ser detectadas de maneira mais fácil pelas bandeiras. Na visão de Manlatis, esse também é um sinal do foco dos criminosos em mercados emergentes e com maior população não bancarizada utilizando tal meio para realizar compras na medida em que o comércio eletrônico ganha espaço durante a pandemia.

Aumento nas compras online e no uso de celulares durante pandemia do novo coronavírus colocaram os países emergentes na mira, principalmente os usuários com menor conhecimento sobre tecnologia ou que possuem aparelhos de entrada, com pouco espaço e processamento para soluções de segurança (Imagem: Divulgação/Secure-D)

Na visão de Manlatis, as operadoras de telefonia devem encarar a segurança como um pilar fundamental de suas ofertas de comércio mobile, mantendo vigilância constante sobre transações e analisando novos vetores de ataques. “O combate às fraudes, especialmente nos países em desenvolvimento, garantirão que o ecossistema mantenha sua integridade e lucratividade, enquanto se tornam serviços essenciais e valiosos para as comunidades”, completa o especialista.

Aos usuários, cabe também manter aplicativos sempre atualizados, assim como soluções de segurança instaladas e funcionando. O ideal é baixar apenas aplicativos reconhecidos e de desenvolvedores conceituados, fazendo uma pesquisa prévia para entender o funcionamento e segurança das soluções, bem como garantir o download da versão oficial, e não um clona. Além disso, o ideal é ficar de olho em permissões solicitadas pelos softwares, negando qualquer autorização que pareça estranha para a categoria da aplicação.

A pesquisa publicada pela Upstream levou em conta um total de mais de um bilhão de transações mobile processadas pela plataforma, a partir de 35 operadoras de telefonia em 23 países. No total, foram 840 milhões de usuários com movimentações avaliadas de forma anônima.

Fonte: Secure-D

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