Tinder, Bumble, Happn, OkCupid e outros: os apps de paquera são seguros?

Tinder, Bumble, Happn, OkCupid e outros: os apps de paquera são seguros?

Por Felipe Gugelmin | Editado por Claudio Yuge | 30 de Junho de 2021 às 20h20

Após mais de um ano e meio de distanciamento social, muitas pessoas começaram a recorrer a aplicativos de paquera para conhecer novas pessoas e engatar romances. Devido ao crescimento do uso desses aplicativos, a Kaspersky decidiu atualizar uma pesquisa conduzida em 2017 para verificar a segurança oferecida por eles — o resultado é positivo, mas ainda traz algumas observações.

Segundo a análise conduzida pela empresa em 2021 a partir de apps como Tinder, Bumble, OkCupid, Mamba, Pure, Feeld, Her, Happn e Badoo, os aplicativos do tipo se tornaram mais seguros, especialmente no que diz respeito à transferência de dados. No entanto, a própria maneira como eles funcionam traz riscos, já que há um incentivo ao compartilhamento de dados pessoais.

Imagem: Divulgação/Kaspersky

Se em 2017 quatro dos aplicativos ainda usavam o protocolo HTTP, considerado inseguro, atualmente a tecnologia não é usada por nenhum deles enquanto dados são enviados. No entanto, a integração com outras redes sociais é problemática: ao fazer o cadastro com o perfil do Facebook ou Instagram, por exemplo, o usuário preenche seus dados automaticamente e pode revelar elementos indesejáveis — como fotos e detalhes de seu ambiente de trabalho ou de estudo.

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“Com todos esses dados, é fácil encontras as contas das redes sociais dos usuários e, dependendo das configurações de privacidade dessas contas, muitas outras informações pessoais”, alerta a Kaspersky. O compartilhamento excessivo de dados pessoais expõe os usuários a ameaças como a perseguição virtual (stalking) e o doxing — a divulgação pública de dados sensíveis (como endereços) como estímulo para a realização de ataques contra a vítima.

Evolução positiva

A empresa de segurança também alerta sobre o fato de que quase todos os aplicativos obrigam o compartilhamento da localização atual do usuário em algum nível. Dentro os apps analisados, o Mamba é o único que permite desfocar fotos gratuitamente para impedir a identificação dos locais em que elas foram registradas, enquanto o Pure é o único que inibe capturas de tela das conversas realizadas através dele.

"É sempre um desafio encontrar o equilíbrio entre estabelecer a presença digital e manter a privacidade online. A mudança para a paquera online cria mais uma questão, em que os usuários precisam determinar a melhor maneira de fazer conexões e proteger sua segurança”, afirma Tatyana Shishkova, especialista em segurança da Kaspersky. Ela afirma que os apps de paquera têm reforçado suas proteções e muitos oferecem proteções adicionais para quem contrata suas versões pagas — incluindo borrar o fundo de imagens e a inserção manual do local do usuário.

A empresa de segurança dá dicas de como conhecer pessoas online mantendo a segurança:

  • Não compartilhar muitas informações pessoais em seu perfil, incluindo sobrenomes completos, fotos com amigos, dados sobre seu empregador e visões políticas;
  • Não vincular outras contas de mídias sociais a seu perfil;
  • Se possível, sempre selecione sua localização manualmente;
  • Só passe a usar outros apps de mensagem para se comunicar após ter confiança no “match”, e sempre mantenha suas informações privadas protegidas ao fazer isso;
  • Use uma solução de segurança confiável para detectar atividades maliciosas ou suspeitas que possam afetar seu aparelho.

Para o futuro, a Kaspersky prevê que apps de namoro vão apostar em sistemas de inteligência artificial para impedir fraudes, bem como na verificação de contas para garantir a autenticidade das contas utilizadas. A empresa também espera que soluções de segurança atualmente pagas virem gratuitas, e que os usuários tenham mais conscientização dos riscos que o compartilhamento excessivo de informações pessoais pode trazer.

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