Polícia Federal investe em novo sistema de dados com reconhecimento facial

Polícia Federal investe em novo sistema de dados com reconhecimento facial

Por Felipe Gugelmin | Editado por Claudio Yuge | 07 de Julho de 2021 às 23h20
Divulgação/Fernando Frazão/Agência Brasil

A Polícia Federal (PF) assinou na última segunda-feira (5) um contrato para a criação do projeto Abis (Solução Automatizada de Identificação Biométrica), que irá coletar e armazenar dados biométricos de cidadãos brasileiros. A parceria confirmada pelo diretor da instituição, Paulo Maiurino, prevê a aquisição de novas ferramentas tecnológicas que vão permitir a implementação da iniciativa.

Segundo a PF, o novo sistema deve entrar em operação com um banco de dados formado por 22 milhões de cadastros pré-existentes. As informações serão movidas da rede atualmente em operação, a Afis (Sistema Automatizado de Identificação de Impressões Digitais), usada há 16 anos e que se tornou uma referência mundial na identificação de digitais em cenas de crimes e busca de pessoas desaparecidas.

Imagem: Divulgação/Fernando Frazão/Agência Brasil

A promessa da corporação é que a transição para o sistema Abis possa realizar com exatidão o cruzamento de dados, consultas de impressão digitais e o reconhecimento facial de pessoas. Inicialmente, deve ter a capacidade de armazenar até 50,2 milhões de cadastros — o que poderá ser feito em 48 meses —, com plano de ampliação para conteúdo de 200 milhões de brasileiros.

Quer ficar por dentro das melhores notícias de tecnologia do dia? Acesse e se inscreva no nosso novo canal no youtube, o Canaltech News. Todos os dias um resumo das principais notícias do mundo tech para você!

Tecnologia gera controvérsia ao redor do mundo

Junto ao novo sistema, a Polícia Federal também vai investir na atualização dos equipamentos para o cadastro de dados biométricos e coleta de amostras forenses ou que sejam de interesse para investigações. Segundo a corporação, o Abis era um projeto antigo, que só se tornou possível após o fim de pendências junto ao Tribunal de Contas da União.

O anúncio surge em um momento no qual sistemas de reconhecimento facial têm sua aplicação questionada no mundo. A União Europeia, por exemplo, propõe que essa tecnologia seja totalmente banida de espaços públicos, já que pode comprometer o direito das pessoas ao anonimato.

Em janeiro de 2021, a Anistia Internacional lançou uma iniciativa semelhante, que visa limitar a maneira como forças policiais podem usar a tecnologia. A organização não governamental afirma que a população deve ser capaz de viver sem ser rastreada, pois sistemas com essa abordagem podem resultar na violação de direitos fundamentais e embasar uma série de ações consideradas abusivas.

Fonte: Agência Brasil

Gostou dessa matéria?

Inscreva seu email no Canaltech para receber atualizações diárias com as últimas notícias do mundo da tecnologia.