O que fazer se cair em golpes ou fraudes nas viagens de Carnaval?
Por Lillian Sibila Dala Costa • Editado por Jones Oliveira | •

Se você vai aproveitar o Carnaval, as chances de passar a data em um bloquinho ou viajar para curtir o feriado são grandes. Além dos foliões, no entanto, os golpistas também ficam animados com as festas, pois aproveitam o ânimo das pessoas e a farra nas ruas para direcionar seus golpes.
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As frentes de ataque são muitas, de cartões de crédito e pagamentos via Pix a pacotes de viagem falsos, cobranças abusivas e phishing. Embora a prevenção seja a melhor arma, nem sempre conseguimos evitar a ocorrência de um golpe: o que fazer, então, quando somos vítimas de fraude?
Pensando em melhor informar você, leitor, o Canaltech conversou com Alex Soares, partner solutions engineering da Akamai Technologies LATAM, para trazer as melhores dicas para seguir neste Carnaval, bem como Marina Sokolovski, advogada do escritório Gomes Sokolovski Advogados, para questões jurídicas.
Tive cartão ou celular roubados. Como proceder?
Segundo Soares, agir rapidamente nessa situação é essencial. A prioridade é entrar em contato com as instituições financeiras para bloquear contas, suspender cartões e desativar carteiras digitais, evitando transações não autorizadas. Se possível, o aparelho também deve ser apagado remotamente, se tiver essa função.
Caso isso não seja viável, a troca imediata de senhas de serviços sensíveis, como e-mail, aplicativos bancários e redes sociais, é a melhor forma de reduzir o risco de roubo de dados. Registre boletim de ocorrência e lembre-se que a culpa, em caso de roubo ou furto, não é do consumidor: os sistemas de segurança das empresas também devem ser capazes de identificar fraudes.
Comprei um pacote de viagem falso. E agora?
O especialista da Akamai nos informa que, caso perceber que adquiriu um pacote de viagem ou hospedagem fraudulento, o primeiro passo é interromper qualquer interação com o site ou contato suspeito. O pagamento indevido deve ser comunicado imediatamente ao banco ou à administradora do cartão de crédito, na tentativa de bloquear ou reverter a transação e evitar novas cobranças.
Também é fundamental preservar todas as evidências, como e-mails, comprovantes de pagamento, URLs e capturas de tela do site ou das mensagens fraudulentas. Esses registros são essenciais para o registro do boletim de ocorrência e para apoiar investigações de fraude.
Em muitos casos, esses golpes envolvem técnicas de phishing ou plataformas falsas de reserva que imitam serviços legítimos. Criminosos costumam criar sites convincentes ou enviar mensagens se passando por plataformas conhecidas de viagem ou até mesmo pelo próprio hotel. Por isso, também monitore atentamente suas contas de e-mail e financeiras, troque senhas e ative medidas adicionais de segurança, como a autenticação em dois fatores.
Por fim, entrar em contato com o hotel ou a plataforma de reservas legítima pode ajudar a confirmar que a reserva é realmente fraudulenta e evitar novas tentativas semelhantes. Embora nem todas as perdas possam ser recuperadas, agir rapidamente aumenta significativamente as chances de minimizar prejuízos financeiros e danos relacionados a dados.
Cancelei a viagem e a multa foi abusiva. O que fazer?
Segundo a advogada Marina Sokolovski, quando você cancela uma viagem, a companhia aérea tem o direito de cobrar multa, desde que o valor não seja abusivo. Vale apontar que o Código de Defesa do Consumidor proíbe penalidades desproporcionais ou cláusulas que coloquem o consumidor em desvantagem excessiva.
O primeiro passo é conferir as regras da tarifa adquirida, com as quais você concordou na hora de comprar, e solicitar à companhia aérea o detalhamento da multa aplicada. Se o valor for elevado demais ou não estiver claramente previsto no contrato, o consumidor pode contestar a cobrança e pedir a revisão do valor ou o reembolso proporcional.
Como medida preventiva, o ideal é que o consumidor, sempre que possível, dê preferência a passagens com maior flexibilidade de cancelamento ou reagendamento, mesmo que tenham um custo um pouco mais alto. Essas tarifas reduzem o risco de prejuízo em caso de imprevistos.
Ainda assim, mesmo quando há previsão contratual, a multa não pode ser abusiva. Se não houver acordo com a empresa, o consumidor pode recorrer à ANAC, ao Procon, ao consumidor.gov.br ou, em último caso, ao Judiciário.
Como evitar cair em golpes no Carnaval?
Como evitar os golpes é o melhor a se fazer desde o início, temos algumas dicas para você saber como se cuidar melhor no período de Carnaval. Um bom truque para os bloquinhos é o uso de um smartring e/ou smartwatch: os anéis e relógios inteligentes garantem que você consiga pagar por serviços e ler notificações sem levar o celular ou cartões consigo, evitando a maioria dos golpes de aproximação, Pix e furtos.
Caso você não tenha escolha e leve o celular ou o cartão para o bloquinho, Soares indica ter atenção redobrada a golpes comuns, como QR Codes falsos, maquininhas de cartão adulteradas e fraudes via Pix. QR Codes colados sobre os legítimos podem redirecionar usuários para páginas de phishing, enquanto máquinas de cartão podem ser manipuladas para cobrar valores maiores ou capturar dados do cartão.
No caso do Pix, golpistas podem alterar o destinatário ou pressionar a vítima a confirmar transferências rapidamente. Em todas as situações, é fundamental conferir cuidadosamente os dados do pagamento antes de confirmar qualquer transação.
Antes de sair, o ideal é reduzir sua exposição digital protegendo aplicativos bancários, ativando recursos de bloqueio e rastreamento remoto, habilitando a autenticação em dois fatores e mantendo os dispositivos atualizados. Essas medidas limitam significativamente o que criminosos conseguem acessar, mesmo em caso de roubo do celular.