Microsoft quer usar blockchain para gerenciar identidades digitais

Por Redação | 14 de Fevereiro de 2018 às 14h12
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Por estar associada a criptomoedas, é comum que a tecnologia Blockchain seja encarada igualmente com certa desconfiança pelos usuários. Todavia, empresas da indústria estão tentando provar que o uso desta ferramenta pode ser benéfico para a sociedade. No Brasil, o Itaú já implantou uma funcionalidade semelhante para operações entre pessoas jurídicas, e agora, é a vez da Microsoft anunciar que tem planos de utilizar a “corrente de blocos” para armazenar e processar dados de identidade digital.

Em colaboração com a Decentralized Identity Foundation (DIF), a Microsoft pretende se apoiar na tecnologia blockchain para resolver alguns dos desafios que a empresa enfrenta ao gerenciar digitalmente identidades e dados particulares, de modo que a privacidade e a segurança possam ser melhoradas em todos os aspectos – tanto no mundo físico quanto no digital.

Segundo a companhia de Redmond, atualmente é comum que os usuários cedam informações pessoais às empresas e inúmeras aplicações e serviços – um ato que acaba espalhando dados particulares em diversos provedores diferentes. Dado isto, é essencial que os indivíduos possam controlar todos os elementos acerca de suas identidades digitais, e, para tal, é necessária a criação de um hub digital seguro e criptografado, onde eles possam armazenar as informações de suas identidades e facilmente possam acessá-las e controlá-las.

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Solução prática e confiável

A ideia, portanto, é desenvolver uma alternativa que permitirá processar enormes volumes de informações de identidades sem congestionar a rede blockchain. E, apesar de ainda não ter nenhum protótipo desta solução, a Microsoft realizou uma pesquisa em conjunto com a DIF, e compartilhou os resultados.

De acordo com a criadora do Windows, a tecnologia Blockchain é adequada para várias outras aplicações, além de ser utilizada para criptografar moedas digitais. Assim, o usuário poderá ter controle de sua identidade digital, bem como armazenar dados pessoais com segurança, ao invés de recorrer a serviços de terceiros para tal.

“Hoje, os usuários concedem amplo consentimento a inúmeros aplicativos e serviços para coleta e retenção de seus dados, que serão usados além de seu controle”, explica a Microsoft em comunicado de seu blog oficial. “Com brechas para acesso e roubo de informações particulares se tornando cada vez mais sofisticados e frequentes, os usuários precisam de uma maneira de se apropriar de suas próprias identidades”.

Como deverá funcionar

A proposta da Microsoft é lançar novos serviços, dentre os quais estão:

  • Identificadores descentralizados (DIDs): uma especificação W3C que define um formato de documento comum para descrever o estado de um Identificador Descentralizado;
  • Hubs de Identidade: um armazenamento de dados de identidade criptografado que possui a funcionalidade de retransmitir mensagens/intenções, além de gerenciar atestados e identificar específicos endpoints de computados;
  • Universal DID Resolver: um servidor que resolve DIDs por meio de blockchains;
  • Credenciais verificáveis: uma especificação W3C que define um formato de documento para codificação de atestados baseados em DID.

A empresa ainda comenta que, após ter examinado sistemas de armazenamentos descentralizados, protocolos de consenso, blockchains e mais uma variedade de padrões sistematizados, eles acreditam que a tecnologia de protocolos de blockchains é adequada para habilitar identificadores descentralizados (DIDs). Segundo a Microsoft, estas soluções ainda devem permitir que os desenvolvedores tenham acesso a um conjunto de certificados mais precisos, que também podem reduzir os riscos legais e de conformidade (como GDPR, KYC / AML) ao processar essas informações, ao invés de controlá-las pelo usuário.

A ideia é que seja possível criar uma alternativa para os padrões centralizados (e considerados antiquados) de criptografia de informações pessoais, em especial no que tange a velocidade, conveniência e estabilidade para o usuário. Desta forma, a companhia visa colaborar com protocolos descentralizados de Camada 2, que operam por cima das blockchains públicas comuns para alcançar uma escala global, mas ainda preservando os atributos de um sistema DID de classe mundial.

Mais detalhes técnicos que comprovam o conceito da implementação destas soluções devem surgir em breve. Por hora, os aplicativos de identidade descentralizada já estão programados para chegar ao programa Microsoft Authenticator, que é usado por milhões de pessoas para comprovar suas identidades.

“Com o consentimento [do usuário], o Microsoft Authenticator poderá atuar como seu Agente de Usuário, para assim gerenciar dados de identidade e assinar certificados”, explica a Microsoft em sua publicação. “[Se] designado desta forma, apenas a identidade é fixada à ferramenta. As informações serão armazenadas a parte em uma loja de dados criptografada, sobre a qual o usuário terá total controle”.

Fonte: The Next Web

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