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Microsoft, Apple e outras são criticadas por pouca atitude contra abuso infantil

Por| Editado por Claudio Yuge | 21 de Dezembro de 2022 às 12h00

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Imagem: Reprodução/Belicosa Netnografia)
Imagem: Reprodução/Belicosa Netnografia)

A Microsoft aparece como a empresa mais criticada em um relatório do governo australiano, que apontou a falta de atitude de grandes corporações na luta contra o abuso infantil. Nomes como Apple e Meta também são citadas a partir de seus serviços, todos considerados lentos no processamento de denúncias ou por não adotarem tecnologias automatizadas que permitiriam detectar proativamente os crimes, mesmo em arquivos privados de seus usuários.

O relatório da eSafety, como é chamada a agência de segurança online da Austrália, analisou o controle e combate contra o abuso infantil nas plataformas das big techs a partir de relatórios de transparência enviadas pelas próprias. As submissões foram comparadas com parâmetros do governo australiano sobre como a sociedade espera que as companhias se comportem, com os resultados ficando abaixo do que era esperado pelo regulador.

A Microsoft, por exemplo, é citada negativamente pela demora mínima de dois dias para processar denúncias de exploração sexual infantil no Teams e no OneDrive, enquanto o prazo é de três dias para a plataformas de jogos Xbox LIVE — um dos casos citados pelo relatório indica 19 dias até que um reporte através do Teams fosse analisado, com as devidas medidas tomadas pela companhia. Além disso, a empresa é criticada por não usar uma ferramenta chamada PhotoDNA, que ela própria ajudou a desenvolver para detectar o compartilhamento e armazenamento de imagens de abuso mesmo em drives privados.

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Isso também valeria para a Apple e o iCloud, assim como o Snapchat, com as três sendo citadas como ineficazes no combate proativo à exploração sexual infantil — na Maçã, nem mesmo formulários de denúncia estão disponíveis aos usuários. Da mesma forma, há a ausência no uso de tecnologias assim em chamadas do Teams, Skype e Facetime, mesmo diante de denúncias de que tais serviços estariam sendo usados como uma forma de compartilhar e expor menores de idade a abusos dessa categoria.

Apenas o serviço de chat aleatório Omegle é citado positivamente nesse sentido, possuindo sistemas ativos de monitoramento e detecção de abuso sexual em suas chamadas ao vivo.

Quanto às denúncias, a Meta também aparece no lado mais claro, com a citação de que imagens contendo abuso sexual infantil podem ser retiradas do ar no Facebook em menos de três minutos, enquanto no Instagram o tempo médio seria de 40 minutos.

Apesar do uso da tecnologia automatizada, a Meta foi criticada por não compartilhar informações entre seus múltiplos serviços. Um usuário banido por crimes desse tipo no WhatsApp, por exemplo, pode criar contas ou seguir utilizando perfis existentes com os mesmos dados sem que a punição seja transferida, com o mesmo também valendo para o Facebook.

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O que dizem as empresas

Em resposta ao relatório, a Microsoft citou conflitos jurídicos e regras relacionadas à operação de um serviço de comunicação global como impedimento ao uso de tecnologias de detecção. Apesar disso, reforçou seu comprometimento com o combate ao abuso infantil e citou avanços nessa luta, diante do aumento da sofisticação dos criminosos. Já a Apple não se pronunciou.

Ainda falando sobre o assunto, a agência regulatória disse que seguirá solicitando relatórios de transparência das empresas, assim como medidas em relação às irregularidades encontradas. Além disso, o órgão afirmou estar em contato com a esfera política para entender que tipo de obrigações podem ser aplicadas às big techs e se mais normas desse tipo precisam estar em vigência no país.

Fonte: AlJazeera