Magazine Luiza alerta para golpes com falsas vagas de emprego

Magazine Luiza alerta para golpes com falsas vagas de emprego

Por Felipe Demartini | Editado por Claudio Yuge | 17 de Maio de 2022 às 12h00
Envato/Rawpixel

De olho na alta das taxas de desemprego no Brasil e na busca dos cidadãos por uma renda extra em período de crise, os golpes oferecendo vagas de trabalho se tornaram uma triste constante. Desta vez, os criminosos utilizam o nome do Magazine Luiza para oferecer postos profissionais remotos, com supostos serviços que podem ser feitos de casa e a partir do celular, com alta remuneração diária.

A oferta é parecida com a que, antes, já foi enviada em massa por bandidos que tentavam falar em nome da Amazon e do Sebrae, entre tantas outras organizações. Os valores variam de R$ 500 até R$ 4 mil por dia por um trabalho de meio período e acompanham um pedido de contato por WhatsApp, por onde o golpe se desenrola. A comunicação, na realidade, serve de fachada para que o usuário insira seus dados em sites fraudulentos e faça transferências via Pix para os bandidos.

“Olá, sou gerente de contratação na Magazzine Luiza, devido a vagas estaremos enviando uma candidatura de meio período para trabalhar em casa, o salário será pago no mesmo dia, 900-4000 reais por dia.
Interessados em entrar em contato comigo para consulta no WhatsApp"

Os golpes desse tipo acontecem com frequência desde dezembro do ano passado, por meio de mensageiros instantâneos. Os perfis que respondem aos contatos das eventuais vítimas respondem mensagem de maneira automatizada, revelando pouco sobre o trabalho em si e indicando links para cadastro na falsa oportunidade de emprego.

Mensagens são enviadas em massa a usuários do WhatsApp e iMessage, do iOS, prometendo altas remunerações em trabalhos de meio período e usando o nome de grandes empresas (Imagem: Captura de tela/Felipe Demartini/Canaltech)

O nome de empresas conceituadas, claro, serve para dar maior legitimidade aos golpes de phishing, como se chamam os ataques que usam tal artifício para passar aos usuários uma aparência de legitimidade. Junte-se a isso, claro, a necessidade passada por muitos brasileiros que perderam o emprego durante a pandemia ou enxergam na possibilidade de trabalho em meio período, com alto pagamento, uma chance de complementarem a renda.

Em comunicado enviado ao Canaltech, o Magazine Luiza informou que não entra em contato com candidatos a vagas por SMS. Segundo a empresa, todas as mensagens desse tipo são falsas, enquanto as posições de trabalho disponíveis na empresa podem ser encontradas em um site próprio, o carreiras.magazineluiza.com.br. Um guia de segurança também foi disponibilizado pela companhia, com dicas contra ataques de phishing que usam o nome da empresa para aplicar golpes.

O Magalu esclarece que não convoca candidatos para processos seletivos por meio de mensagem de SMS e, portanto, são falsas as mensagens que algumas pessoas têm recebido nos últimos dias. A companhia destaca que os interessados em fazer parte do seu quadro de colaboradores devem acessar o site https://carreiras.magazineluiza.com.br/ e cadastrar seu currículo de acordo com a vaga desejada. Além disso, a empresa recomenda, sempre que necessário, o acesso a seu Guia de Segurança: https://especiais.magazineluiza.com.br/seguranca/

Como funciona o golpe?

Como dito, a maior parte das mensagens do golpe com vagas de emprego chega pelo WhatsApp ou pelo iMessage, o mensageiro instantâneo do sistema operacional iOS. São formas rápidas e gratuitas de disseminação de mensagens de forma automatizada, com a segunda opção, ainda, aumentando a possibilidade de sucesso já que o texto pode se misturar a outros contatos legítimos de autenticação de serviços online.

Em todos os casos, o contato para a suposta vaga de emprego acontece por meio do WhatsApp, com a mensagem inicial fornecendo um número e também um link do próprio serviço que leva diretamente à conversa. Os avatares, normalmente, são de mulheres bonitas, cujas imagens parecem retiradas aleatoriamente das redes sociais, enquanto os perfis trazem nomes e nada mais, induzindo à conversa.

Conversas sobre as supostas vagas de emprego sempre acontecem por meio do WhatsApp, com poucas informações sobre a falsa vaga e envio rápido de link para cadastro em programa de geração de pedidos de e-commerce (Imagem: Captura de tela/Felipe Demartini/Canaltech)

No papo, as mensagens são respondidas de forma aparentemente automatizada, de acordo com os termos digitados pelo usuário. No contato feito pelo Canaltech, por exemplo, não há qualquer menção ao Magazine Luiza, com o suposto contato se apresentando como Alexia, parte do departamento de recursos humanos de uma empresa chamada Diamond Mall. Na conversa, o valor do pagamento também caiu, passando a ser de R$ 100 a R$ 3 mil por dia.

Após algumas perguntas, vem o link para cadastro em uma plataforma onde, conforme explicação claramente vaga e mal escrita, o usuário poderá receber comissões “concluindo tarefas e fazendo pedidos virtuais”. A promessa de altas remunerações vem da agilidade e do tempo empregado no trabalho, com a ideia de que, quanto mais o interessado trabalhar, mais poderá receber, retirando os fundos diariamente diretamente para a conta bancária.

O site indicado é o do tal Diamond Mall, que não deve ser confundido com o shopping de mesmo nome em Belo Horizonte (MG). Entretanto, na URL, ele aparece com outro título, Shop 6777, e uma interface focada diretamente nos celulares para o que parece ser um serviço de compras online. Logos de grandes e-commerces como Amazon e Shopee e imagens de produtos reconhecidos, como iPhones, PlayStation 5, jipes da Mercedes e até combustíveis da Shell, aparecem na interface, assim como um carrossel que exibiria supostas comissões recebidas por outros usuários em tempo real.

Site do suposto trabalho exibe carrossel com supostas comissões recebidas por outros usuários, enquanto exige a realização de pedidos e pode induzir a transferências aos golpistas feitas via Pix (Imagem: Captura de tela/Felipe Demartini/Canaltech)

A ideia do “trabalho” seria a realização de pedidos de pacotes de produtos, com comissões indicadas no site. A ideia é dar uma aparência de grandeza, já que um recebível de 7% em um kit com alguns celulares de alto padrão poderia, facilmente, resultar em ganhos de algumas centenas de reais por compras. Um belo negócio, não fosse absolutamente falso e, ainda, uma isca para a obtenção de transferências via Pix, cujo QR Code aparece com valor a cada operação realizada pelo usuário no site.

Como evitar golpes envolvendo vagas de emprego?

A dinâmica citada pelo Magalu costuma ser a mesma de outras empresas durante processos seletivos ou buscas por candidatos para vagas de emprego. Ofertas desse tipo não costumam chegar por mensagem de texto, cabendo ao interessado iniciar esse contato por meio de sites de carreiras ou domínios oficiais voltados para a busca de trabalho.

Sendo assim, desconfie sempre de solicitações desse tipo. Erros de ortografia, principalmente no nome das empresas citadas (como no caso citado aqui, onde está escrito Magazzine Luiza), são indicações fortes de se tratar de uma fraude, enquanto a vagueza das informações prestadas na conversa direta também serve como indicativo de que algo está errado.

O ideal é não preencher cadastros, entregar informações, clicar em links ou baixar aplicativos que venham por estes meios, em uma indicação que também pode incluir e-mails e ligações telefônicas. Caso desconfie que o contato seja real, busque representantes de confiança, com quem já conversou previamente sobre eventuais vagas, ou atendimentos e sites legítimos de vagas de trabalho, em vez de atender a solicitações desse tipo.

Vale a pena, ainda, desconfiar de ofertas de colocação profissional que prometam grande remuneração por curtos períodos de trabalho ou que exijam pagamentos ou transferências para continuidade no processo seletivo. Estas, também, são características comuns de golpes que envolvem vagas de emprego e focam na necessidade daqueles que se encontram mais fragilizados.

* Com informações do Manual do Usuário.

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