FBI pagou mais de US$ 1,3 milhão por desbloqueio do iPhone de San Bernardino

Por Redação | 21 de Abril de 2016 às 18h34

O diretor do FBI, James Comey, deu uma pista sobre o montante despendido pelo bureau para o desbloqueio do iPhone 5C pertencente ao terrorista Syed Farook. Conforme revelou a agência de notícias Reuters, Comey disse durante uma conferência realizada em Londres que o valor gasto foi superior ao que ele ainda deve ganhar no cargo – mais sete anos e quatro meses, portanto.

Bastou, então, fazer as contas. Considerando-se que o salário anual do diretor é de US$ 183,3 mil – desconsiderando-se promoções e bônus –, o total pago pelo bureau seguramente deve ter sido superior a US$ 1,34 milhão.

“Em minha opinião, valeu a pena”

Apesar do golpe apreciável no erário estadunidense, Comey afirmou que o investimento “valeu a pena”. De acordo fontes anônimas ligadas à polícia do país, o smartphone de Farook não continha quaisquer textos ou mensagens que pudessem fornecer novos indícios às investigações do massacre.

James Comey

Entretanto, a devassa do aparelho serviu para mostrar que os terroristas não entraram em contato com ninguém após a perpetração da chacina – o que, conforme constatou o FBI, sugere que Farook e sua esposa não tiveram assistência de amigos ou familiares.

Hackers profissionais

Apesar dos rumores iniciais de que o bureau teria contratado a empresa israelense Cellebrite para derrubar a segurança do iPhone 5C, informações obtidas pelo periódico The Washington Post revelam que o trabalho pode ter sido levado a cabo por “hackers profissionais”.

Ou, para usar o jargão comum, os especialistas comumente chamados de “grey hats” – hackers não necessariamente mal-intencionados que, entretanto, podem violar leis ou padrões éticos quando julgarem necessário. Trata-se do mesmo profissional que, eventualmente, acaba por vender falhas de segurança para agentes do mercado negro ou para companhias desenvolvedoras de dispositivos de segurança.

Precedente relativo

Seja como for, embora o precedente que preocupava a Apple não tenha se firmado – já que a Maçã acabou desobrigada de dar um tiro no próprio pé, desenvolvendo uma backdoor para o seu próprio sistema -, é certo que a ferramenta nas mãos do FBI poderia ser facilmente reutilizada para acessar outros iPhones 5C movidos a iOS 8. Estariam fora de risco apenas os modelos 5S ou superiores, nos quais há novos métodos de criptografia e segurança.

iPhone 5C

A dança envolvendo Apple, FBI, o Departamento de Justiça do EUA e uma miríade de críticos envolvidos com segurança de dados teve início após o chamado Massacre de San Bernardino – tragédia que deixou 36 vítimas, entre mortos e feridos, ao final do ano passado, fazendo crer em ligações escusas remetendo a células terroristas. Morto durante o embate com a polícia, o terrorista Syed deixou para trás seu iPhone 5C. O resto, como dizem, é História.

Fontes: Reuters, The Washington Post.

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