Ex-terceirizado da Apple diz que ouvia cerca de mil arquivos da Siri por dia

Por Rafael Arbulu | 23 de Agosto de 2019 às 11h23
Reprodução

Ao final de julho, o Canaltech publicou nota citando reportagem do jornal britânico The Guardian mostrando que a Apple estava em vias de ser processada por permitir que funcionários terceirizados ouvissem a conversas e interações dos usuários com a Siri. No início de agosto, voltamos a tocar no assunto, agora noticiando os processos movidos contra a empresa.

Nesta sexta-feira (23), um ex-contratado de uma empresa terceirizada contratada pela Maçã admitiu ao jornal irlandês Irish Examiner que ele e seus ex-colegas tinham de ouvir uma média de mil clipes por dia, contendo interações de comando simples, mas também encontrando coisas como dados médicos, encontros íntimos e sexuais e até discussão de crimes potencialmente cometidos.

O motivo disso: após a situação toda estourar na mídia, a Apple suspendeu o programa, causando a demissão de aproximadamente 300 profissionais de uma empresa irlandesa chamada Globetech, que conduzia esse tipo de trabalho no país.

Apple estaria ouvindo a conversas e interações de seus clientes com a assistente virtual Siri

"Meus colegas e eu somos, na maioria, pessoas jovens de Cork [uma cidade irlandesa] que agora estão sem emprego. Isso também inclui dúzias de pessoas que vieram para cá do Canadá, Austrália e da parte continental da Europa”, disse o profissional. “Eu entendo as razões pelas quais a empresa estava fazendo isso, mas ainda conseguia enxergar o porquê de as pessoas acharem que isso era uma violação de privacidade, pois não estávamos contando a ninguém. Eu acho que o problema era a falta de permissões”.

O homem, cujo nome não foi revelado pelo jornal, refere-se à justificativa da Apple para a prática: ao The Guardian, a companhia disse que esse trabalho era necessário para assegurar que a Siri respondesse a comandos e questionamentos com precisão, assertividade e qualidade. A Amazon se viu na mesma situação e usou as mesmas justificativas quando a mesma acusação recaiu sobre sua assistente, a Alexa.

"Nós acreditamos que todos deveriam ser tratados com a dignidade e o respeito que merecem — isso inclui os nossos próprios funcionários e fornecedores com os quais trabalhamos na Irlanda e ao redor do mundo. A Apple tem o compromisso de zelar pela privacidade do consumidor e tomou a decisão de suspender a gradação da Siri enquanto conduzimos uma minuciosa revisão dos nossos processos. Estamos trabalhando muito próximos de nossos parceiros a fim de assegurarmos o melhor resultado possível para nossos fornecedores, seus funcionários e nossos clientes ao redor do mundo”, disse a Apple.

Fonte: Irish Examiner

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