Cartões de vacinação falsos são vendidos por a partir de US$ 100 no Telegram

Cartões de vacinação falsos são vendidos por a partir de US$ 100 no Telegram

Por Felipe Demartini | Editado por Jones Oliveira | 16 de Agosto de 2021 às 10h17
Micens/Envato Elements

Com a vacinação avançando em todo o mundo e a aplicação das primeiras medidas de restrição para os não-imunizados, está se proliferando no Telegram um mercado de venda de cartões e comprovantes falsos. Os papéis, que podem servir como comprovação para acesso a eventos, viagens, matrículas e até empregos enquanto coloca colegas e outros indivíduos em risco de contaminação, são vendidos por a partir de US$ 100, cerca de R$ 525, pagos em criptomoedas.

O tamanho do problema foi evidenciado em um relatório da CheckPoint, empresa especializada em segurança digital. O levantamento encontrou cerca de 2,5 mil grupos atuando livremente no mensageiro, com mais de um milhão de seguidores no total — o maior, por exemplo, tinha 450 mil pessoas, enquanto a média é de 100 mil usuários. Nos espaços, são ofertados cartões de vacinação falsos de diferentes países, com a maioria pertencendo a nações europeias.

A presença de documentos brasileiros não aparecem no relatório, enquanto praticamente todas as nações do Velho Continente aparecem nos registros. Algumas das fotos publicadas no relatório exibem pilhas de cartões, comprovantes e outros documentos de países como Itália, França, Alemanha e Espanha, além de certificados emitidos pela União Europeia. Outras nações, como Estados Unidos e Paquistão, também têm registros em meio a conversas com clientes que são exibidas como comprovação da legitimidade dos negócios realizados.

Cartões de vacinação falsos são de diferentes países, com criminosos afirmando trabalhar com médicos para garantir a autenticidade de carimbos, informações e assinaturas (Imagem: Reprodução/Check Point)

Códigos QR, carimbos e até informações preenchidas à mão são falsificadas, com alguns dos criminosos afirmando trabalharem com médicos reais para garantir a autenticidade das informações. Enquanto isso, também se prolifera o discurso antivacina, com os imunizantes sendo chamados de venenos e os trabalhos justificados em prol da defesa de uma liberdade individual que, na realidade, dificulta a luta contra a COVID-19, coloca milhões de pessoas em risco e propicia o surgimento de novas variantes virais.

Em alguns grupos, o fluxo de pedidos é tão grande que os golpistas estão pedindo mais de 24 horas apenas para responderem a contatos e negociações iniciais. Na maioria dos casos, o pagamento é feito em criptomoedas, com preferência para Bitcoins, Monero, Doge, Ethereum e Litecoins. Entretanto, existem grupos cujos fraudadores também aceitam receber os valores por meio do PayPal.

Grupos contam com mais de um milhão de seguidores no total; fraudadores pedem paciência na resposta, devido à quantidade de pedidos, e diversificam meios de pagamento (Imagem: Reprodução/Check Point)

De acordo com os especialistas da CheckPoint, o mercado de certificados de vacina ilegais no Telegram surge como uma evolução daquele que já era visto, desde o começo do ano, na dark web. A ideia é atingir um número maior de pessoas e facilitar as transações; alguns dos grupos também falam em contatos com clientes feitos pelo WhatsApp ou e-mail, como forma de tornar a comunicação entre as partes sigilosa.

No Brasil, as carteiras de vacinação se enquadram na legislação sobre documentos, com o crime de falsificação sendo passível de pena de até seis anos de prisão e multa. Por enquanto, porém, não existem relatos de normas relacionadas à obrigatoriedade de imunização contra a COVID-19, mas eventos-teste que serão realizados no estado de São Paulo, por exemplo, já estudam exigir comprovação para acesso.

Fonte: CheckPoint

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