Campanha contra a pirataria foca na chantagem e no roubo de identidade

Campanha contra a pirataria foca na chantagem e no roubo de identidade

Por Felipe Demartini | Editado por Jones Oliveira | 01 de Outubro de 2021 às 22h00

Uma nova campanha contra a pirataria de conteúdo cita diferentes maneiras pelas quais os sites de streaming ilegal podem contaminar computadores e dispositivos. A invasão de babás eletrônicas e outros dispositivos domésticos, assim como o uso irregular da webcam para registrar imagens íntimas que possam ser usadas em chantagens são apenas alguns dos argumentos usados por uma organização britânica nas divulgações online.

O vídeo foi produzido pela FACT, que trabalha com iniciativas de proteção de marca e propriedade intelectual, e traz o jogador de futebol inglês Jimmy Bullard conversando com Jamie Woodruff, hacker ético e especialista em segurança. Durante o papo, o atleta visita alguns sites de transmissão ilegal de partidas do futebol britânico, enquanto reproduções do que acontece na tela são exibidas aos espectadores como forma de explicar os perigos.

De acordo com Woodruff, citando dados da FACT, um quarto dos sites de transmissão irregular do mundo têm o futebol inglês como foco. Todos, também, utilizam as mesmas táticas, abrindo diferentes pop-ups com propagandas e realizando diferentes redirecionamentos do usuário como forma de levar a um clique no lugar errado ou ao download de uma solução maliciosa sem que o utilizador perceba.

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Segundo o especialista, um deles chegou a ter 128 cookies de rastreamento diferentes, chegando até mesmo a acompanhar o mouse do usuário de forma a exibir publicidade e links maliciosos. Durante o acesso, o usuário pode ter seu IP e localização registrados, enquanto os downloads indevidos ou até autorizados, na forma de reprodutores que permitem acesso ao conteúdo, podem levar à contaminação do celular ou computador, bem como de outros dispositivos que estejam conectados à rede.

Woodruff cita um caso em que a webcam de uma vítima foi usada para captar imagens íntimas que, mais tarde, foram usadas em um caso de extorsão. Mineradores de criptomoedas e malwares que roubam os dados dos usuários também são alguns exemplos dados pelo especialista, que também cita o fato de algumas das plataformas ilegais exigirem cadastro, indicando possíveis fraudes de identidade, ou pagamento, o que acaba levando ao roubo de cartões de crédito.

Bullard se mostra impressionado com o acesso durante todo o comercial, chegando a citar que já teve sua conta bancária comprometida por criminosos. A campanha termina com o slogan “Nada na vida é de graça” e pede que os usuários busquem serviços legítimos de streaming, apenas realizando registros em sites reconhecidos e acessando os ambientes de empresas que tenham os direitos de transmissão de partidas.

Exagero com raízes reais

Por mais que campanhas desse tipo tendam a chamar a atenção de forma estrondosa, com foco em usuários leigos, a distribuição de softwares piratas e os serviços de streaming tem mesmo se tornado uma arma comum dos criminosos. Isso vale, principalmente em um momento no qual o home office mesclou computadores pessoais e de trabalho.

Um levantamento recente da Sophos, empresa especializada em segurança, mostrou como os chamados droppers se tornaram uma questão importante, com malwares sendo entregues junto de instaladores ou desbloqueios de softwares pagos. Sem suporte de seus empregadores, e diante de licenças caras, muitos funcionários podem acabar aderindo à pirataria, e com isso, correndo risco.

As dicas dadas pela FACT, nesse sentido, são válidas. O ideal é que os usuários fiquem atentos aos cliques e evitem baixar soluções fora de ambientes oficiais e reconhecidos. Ter uma boa solução de segurança, assim como aplicar atualizações em softwares e no próprio sistema operacional, também ajuda na proteção contra intrusões desse tipo.

Fonte: FACT (YouTube)

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