Brasil vira referência em combate a fraudes e exporta esse conhecimento ao mundo
Por Bruno De Blasi |

O Brasil não é apenas um dos mercados mais atacados por fraudes digitais do mundo: é, também, um dos que mais avançaram em soluções para combatê-las. Para o CEO Latam da Unico, Luis Felipe Monteiro, essa combinação criou uma vantagem competitiva real para empresas brasileiras que atuam fora do país.
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"O Brasil é hoje referência global no combate a fraudes digitais, o que capacita empresas brasileiras a serem altamente competitivas em outros mercados", afirmou o executivo ao Canaltech. “Grande parte das perdas do setor financeiro tem raiz na burla de identidade, seja por contas laranja, account takeover ou outras formas de fraude sofisticada, o que torna a verificação de identidade uma prioridade estratégica.”
Sob pressão
A posição de referência foi construída sob pressão. Dados da Unico mostram que as tentativas de fraudes sofisticadas cresceram 1.082% em 2025, impulsionadas pelo uso de IA para replicar rostos, vozes e comportamentos. Para 2026, a projeção é de avanço de até 550%.
O custo é um dos fatores centrais nessa escalada. Ainda de acordo com a companhia, ataques que exigiam cerca de R$ 5 mil em hardware hoje podem ser feitos por menos de R$ 30 por mês, o que amplia o acesso e a frequência dessas ameaças.
Diante desse cenário, a resposta desenvolvida no Brasil passou por abandonar a autenticação pontual, feita apenas na abertura de conta, em favor de um modelo de confiança contínua.
"Estamos saindo de um modelo focado apenas em autenticação inicial para uma abordagem de confiança contínua, no qual cada transação é validada de forma inteligente, equilibrando segurança e experiência do usuário", explica Monteiro.
Na prática, utilizando o motor de aprendizado contínuo da empresa, isso significa avaliar mais de 40 pontos de dados em tempo real, incluindo comportamento de uso, localização, dispositivo, biometria e histórico de transações, para decidir o nível de verificação exigido em cada momento.
Assim, transações de baixo risco passam de forma invisível enquanto situações atípicas acionam etapas adicionais.
“Esse modelo permite aprovar até 90% das transações legítimas sem fricção, enquanto protege contra a engenharia social e fraudes sofisticadas”, explica. “A defesa não se limita ao início da jornada, mas acompanha o cliente de forma transparente, assegurando proteção em todas as interações críticas e permitindo que as empresas mantenham controle soberano sobre suas políticas de risco.”
Do Brasil para o mundo
A expansão internacional da Unico parte justamente desse aprendizado. Atualmente, a empresa está presente em mais de 20 países e 23 segmentos, e no primeiro trimestre de 2026 registrou 130% de crescimento na receita internacional.
No Brasil, a plataforma cobre 96% da população economicamente ativa e, em 2025, evitou mais de R$ 23 bilhões em perdas por fraudes. Para Monteiro, é justamente essa escala que retroalimenta a inteligência do sistema e que diferencia empresas brasileiras na disputa global.
"Nosso objetivo é posicionar a Unico como referência global, oferecendo soluções avançadas de verificação de identidade já testadas com sucesso nos mercados mais desafiadores", conclui.