Bilionário fundador do Alibaba é acusado de corrupção pela mídia estatal chinesa

Bilionário fundador do Alibaba é acusado de corrupção pela mídia estatal chinesa

Por Munique Shih | Editado por Claudio Yuge | 25 de Janeiro de 2022 às 16h20

Recentemente, a mídia estatal chinesa (CCTV na sigla em inglês) produziu um documentário intitulado “Tolerância Zero” vinculando o Ant Group, braço financeiro do Alibaba, criado por Jack Ma e outras empresas privadas à corrupção.

Com base no longa-metragem, o ex-secretário do Comitê do Partido Municipal de Hangzhou, Zhou Jiangyong, que está preso desde agosto do ano passado por corrupção, abusou de seu poder para favorecer a empresa de tecnologia de seu irmão, a Youcheng United Information Technology Development.

Zhou teria usado a sua influência no meio político para que a companhia de seu irmão recebesse contratos para construir os sistemas de pagamento móvel no metrô dos centros costeiros de Ningbo e Wenzhou, além de fazer acordos com diversas empresas privadas para beneficiar a Youcheng United.

Segundo o documentário, diversas firmas teriam enviado uma grande quantia de dinheiro para a empresa do irmão de Zhou, em troca ele as beneficiava com propriedades mais baratas, além de políticas preferenciais e incentivos governamentais.

Embora o ex-membro do governo não tenha mencionado a companhia de Jack Ma, ele revelou que uma empresa privada teria comprado duas propriedades em Hangzhou por um preço muito baixo. De acordo com uma análise do Financial Times de Londres, a firma mencionada se tratava de uma subsidiária do Ant Group, a Shanghai Yunxin Venture Capital Management.

Busca de Pequim pela "prosperidade comum" pode intensificar ainda mais a repressão as big techs em 2022 (Imagem: Reprodução/JD Lassica/ Wikimedia)

Em março de 2019, a Shanghai Yunxin também pagou o equivalente a US$ 268 mil (R$ 1,4 milhões) por uma participação de 14,3% na Youcheng United, ganhando um posto no Conselho de Administração. Meses depois, a empresa adquiriu uma participação de 13,5% na Hangtie Youcheng Technology, fornecedora de serviços de pagamento de metrôs, também controlada pelo irmão de Zhou, por US$ 221 mil (R$ 1,2 milhões).

Além disso, os registros do leilão de terras também mostram que em menos de um ano após a conclusão do segundo investimento, a empresa adquiriu um terreno em Hangzhou a uma quantia de U$ 819 (R$ 4,4 mil) por metro quadrado, um valor muito abaixo do preço usual dos terrenos região de US$ 7,1 mil (R$ 38,9 mil) por metro quadrado, tornando-se o único licitante qualificado.

De acordo com o relato de uma pessoa próxima ao Ant Group para o Financial Times de Londres, o crescimento da big tech está amplamente ligado à sua capacidade de atrair autoridades locais.

"Qualquer pessoa familiarizada com as condições nacionais da China sabe que o fator de poder não pode ser evitado ao fazer negócios no país, o conluio entre governo e firmas, e transações de poder e dinheiro são a única maneira das empresas chinesas se desenvolverem. O que deve vir, virá", disse o informante.

Novas repressões ao setor de tecnologia na China?

Em um comunicado publicado na última quinta-feira (20), a Comissão Central de Inspeção Disciplinar do Partido Comunista (CCDI) anunciou que Pequim intensificará os esforços para "cortar a conexão entre poder e capital".

"Serão feitos esforços para investigar e punir qualquer comportamento corrupto por trás da expansão desordenada dos monopólios do capital e das plataformas", afirmou o órgão. As autoridades também disseram que "não haverá misericórdia" para aqueles que "se engajarem em gangues políticas, pequenos círculos e grupos de interesse".

O anúncio da CCDI de que o órgão irá investigar práticas corruptas na economia da plataforma digital sugere que a repressão às big techs lançadas no ano passado poderá se intensificar em 2022, com o Ant Group sendo o primeiro da lista.

Ainda não se sabe sobre os planos de Pequim neste período que antecede o 20º Congresso do Partido que ocorrerá apenas em outubro deste ano.

Muitos acreditam que a repressão é uma tentativa da China de minar o poder de suas big techs, mas outros relatam que Pequim não tem interesse em "esmagar" seus gigantes tecnológicos. Em suas próprias palavras, ela quer "guiá-los" para melhor servir aos interesses do desenvolvimento nacional ou trazer a chamada “prosperidade comum”.

Fonte: VOA,People

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