A Rússia achou uma forma nova — e inteligente — de censurar o Twitter

Por Ramon de Souza | Editado por Jones Oliveira | 08 de Abril de 2021 às 22h20
Reprodução/LightFieldStudios (Envato)

Todo mundo sabe que a Rússia é um país que gosta bastante de censurar serviços online, já tendo bloqueado mensageiros, plataformas sociais e uma série de serviços. Porém, o ato de bloquear um site ou aplicativo é algo que chama atenção do mundo inteiro — os usuários ficam furiosos, as empresas passam a fazer protestos e a mídia internacional começa a cobrir o caso. Por isso, o governo russo parece ter encontrado o “jeitinho perfeito” de censurar seu alvo da vez, o Twitter, sem sofrer com tais represálias políticas.

De acordo com a ONG Censored Planet, o Serviço Federal de Supervisão de Comunicações, Tecnologia da Informação e Meios de Comunicação de Massa (Roskomnadzor) decidiu simplesmente limitar a velocidade de conexão entre o usuário final e o domínio da rede social a aproximadamente 128 Kbps, o que torna o seu uso praticamente impraticável, já que você demoraria vários minutos apenas para abrir o feed inicial. Vai visualizar uma foto? Mais cinco vídeos. Quer postar um vídeo? Aguarde o dia inteiro.

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“Ao contrário do bloqueio, onde o acesso ao conteúdo é bloqueado, a limitação visa degradar a qualidade do serviço, tornando quase impossível para os usuários distinguir a limitação imposta/intencional de motivos diferenciados, como alta carga do servidor ou congestionamento da rede”, explica a organização. A ideia é, basicamente, que o internauta fique sem saber se está mesmo sendo censurado ou se está enfrentando algum problema com sua operadora de internet (ou até mesmo vislumbrando instabilidades no próprio site).

Imagem: Reprodução/twenty20photos (Envato)

Tem mais um detalhe aí: a agência regulatória russa bloqueou a “string” (trecho do domínio) t.co, que é usado para hospedar todo o conteúdo do Twitter. Porém, acabou afetando junto serviços que não têm relação com a disputa, incluindo reddit.com e microsoft.com, por usarem o mesmo trecho em seus domínios. Além disso, a limitação de velocidade não causa danos apenas ao usuário final, mas também para o serviço ou plataforma, já que seus servidores acabam com seus recursos de memória e de CPU sobrecarregados para manter a conexão por mais tempo do que o normal.

Qual é a necessidade disso, gente?

A briga entre a Rússia e o Twitter começou no mês passado — a Roskomnadzor já havia alertado que reduziria o limite de conexão com a rede social após ela “falhar” em remover supostos conteúdos sobre pornografia infantil. drogas e suicídio. Porém, o pronunciamento oficial do órgão citava uma diminuição de performance apenas na entrega de áudios, vídeos ou gráficos, e não na plataforma inteira. Por enquanto, a companhia de Jack Dorsey não se pronunciou a respeito da situação.

Imagem: Reprodução/mstandret (Envato)

A limitação é feita através de dispositivos chamados blackboxes — eles ganham esse nome por serem grandes caixas instaladas pelas operadoras de internet o mais próximo possível dos consumidores. Recebendo comandos das autoridades russas, esses gadgets fazem a filtragem de pacotes e identificam domínios cuja conexão deve ser mais lenta. De nada adianta usar VPNs ou outros métodos tradicionais para escapar da censura, pois os blackboxes exigem uma estratégia específica.

Na prática, basta usar o Encrypted ClientHello (ECH), protocolo de atualização do Transport Layer Socket (TLS) e que pode ser instalado na sua máquina através de softwares de código-aberto específicos de anticensura, incluindo GoodbyeDPI, Psiphon e Lantern.

Fonte: WIRED

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