Presidente de câmbio de Bitcoins é preso por lavagem de dinheiro

Por Redação | 28 de Janeiro de 2014 às 16h38

Em mais uma etapa da operação que tenta coibir o crime na Deep Web, o FBI prendeu Charlie Shrem, CEO do BitInstant, um dos principais câmbios de Bitcoins do mundo. Ao lado de um homem chamado Robert Faiella, ele é acusado de lavagem de dinheiro ao trocar cerca de US$ 1 milhão em moedas virtuais para uso no Silk Road, o mercado virtual de drogas fechado no final de 2013.

Shrem foi preso no domingo (26) no aeroporto John F. Kennedy, em Nova York, cidade onde reside. Já Faiella foi capturado nesta segunda-feira (27) em sua casa, no estado americano da Florida. Ambos receberam duas acusações: de conspirar para realizar lavagem de dinheiro e de operar um negócio não licenciado de transmissão e troca de valores.

De acordo com as informações das autoridades americanas, publicadas pelo jornal The Los Angeles Times, era Faiella o responsável por liderar o esquema ilegal de uso das Bitcoins trocadas pelo BitInstant no Silk Road. Ele cobrava uma comissão de quem desejasse trocar dólares ou qualquer outro tipo de moeda pelo dinheiro virtual, realizando a transação por meio de sua casa de câmbio e transferindo a quantia de volta ao interessado.

Apesar de não estar envolvido diretamente, Shrem teria conhecimento de toda a situação e, inclusive, teria usado o esquema de Faiella para comprar drogas para uso próprio. Além disso, ele é acusado ter se omitido do caso, uma vez que membros de alto escalão de operações de câmbio são obrigados a registrar relatórios sobre qualquer atividade suspeita realizada em seus sistemas.

Baque importante

O caso chama a atenção não apenas pelo alto valor envolvido, mas também pela posição de destaque que Shrem ocupa na comunidade de tecnologia. Além de ser o presidente do BitInstant, ele é um dos diretores da Bitcoin Foundation, uma organização voltada para fomentar e legitimar o uso das moedas virtuais.

Ele também é um associado de Cameron e Tyler Winklevoss, os gêmeos que moveram um dos maiores processos já recebidos pelo Facebook, alegando terem tido a ideia da rede social roubada por Mark Zuckerberg. A dupla é uma das financiadoras do BitInstant e também trabalha para obter os meios regulatórios necessários, de forma a permitir que as Bitcoins sejam usadas como uma forma legítima de investimento.

Os gêmeos, inclusive, estão na lista de depoentes de uma série de audiências que serão conduzidas pela Benjamin Lansky, uma das maiores reguladoras financeiras do estado de Nova York. O tema, justamente, é a criação de regras e regulações para o uso de moedas virtuais e até que ponto elas são legítimas para os negócios.

Em comunicado à imprensa, os Winklevoss afirmam estarem profundamente preocupados com a prisão de Shrem, mas apoiam toda ação do governo nos esforços contra a lavagem de dinheiro. Eles, porém, se eximem de responsabilidade, afirmando desconhecerem qualquer operação ilegal no BitInstant e, inclusive, receberem garantias constantes de sua gerência de que tudo estava correndo dentro das normas.

Além disso, os irmãos Winklevoss afirmam estarem ansiosos para ver maior regulação no mundo das Bitcoins. Afinal de contas, para eles, esse é o grande negócio para o futuro próximo e um movimento que começou com um investimento de US$ 1,5 milhão no BitInstant. A preocupação, então, é que a prisão de Shrem e seu envolvimento com o Silk Road possa trazer tudo abaixo.

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