7 dicas para participar de leilões online com segurança

7 dicas para participar de leilões online com segurança

Por Felipe Gugelmin | Editado por Claudio Yuge | 05 de Julho de 2021 às 19h00
Montagem Canaltech/Pixabay

Com a adoção cada vez maior da internet, leilões se tornaram mais democráticos e oferecem opções de investimento e economia para pessoas localizadas em qualquer canto do Brasil. No entanto, a facilidade de acesso veio acompanhada por riscos: golpistas apostam em sites falsos com promessas de descontos imperdíveis para enganar compradores e lucrar em cima do desconhecimento e inocência das vítimas.

Apesar das denúncias e avisos constantes, páginas do tipo continuam a se proliferar e adotam táticas agressivas para enganar consumidores. Mas calma: você pode se proteger de golpes do tipo com facilidade. Para facilitar esse processo, consultamos especialistas e reunimos algumas dicas simples para que você possa investir e comprar com segurança.

1. Foco no edital

Todo leilão, seja judicial ou extrajudicial, precisa de um edital, que pode ser entendido como o “RG” do processo. Esse documento define as regras do leilão, incluindo o nome do leiloeiro responsável, qual é a gestora encarrega e detalhes sobre formas de pagamento e entrega do produto (ou produtos) que está sendo ofertado.

No caso dos leilões judiciais, os editais também possuem detalhes sobre o processo relacionado (que normalmente vem acompanhado de um link para sua consulta) e o nome do juiz responsável, entre outros detalhes. Caso uma casa de leilão não forneça o documento, ou contenha links que redirecionem para páginas que estão fora do ar, é bom ligar o alerta.

Até é possível que criminosos forjem um edital, mas basta uma pesquisa rápida para revelar a farsa. Sempre pesquise o nome do leiloeiro indicado, do juiz e o número do processo informado antes de fazer um investimento — todos esses dados são públicos e podem ser conferidos com facilidade com a ajuda de buscadores como o Google.

2. Busque informações sobre a gestora e o leiloeiro

Na tentativa de enganar compradores iniciantes nos leilões online, golpistas criam sites bastante convincentes e que imitam as características de páginas legítimas. Em alguns casos, eles usam nomes parecidos com empresas reais e até informam o nome do leiloeiro responsável, o que dificulta identificar o golpe logo de cara.

Desconfie de sites que não trazem o nome do leiloeiro. Imagem: Captura de Tela/Canaltech

Para se proteger, é recomendado fazer uma busca com cada um desses elementos: caso o leiloeiro realmente exista, mas tenha seu nome ligado a outra gestora, é sinal de que a página acessada não é confiável. Também é recomendado pesquisar o endereço informado e avaliá-lo com cuidado usando ferramentas como o Google Street View — não raramente eles levam a pátios do Detran ou a terrenos vazios, muitas vezes com placas associadas a outras empresas.

Caso possível, solicite uma visita presencial à sede da empresa, ou peça para que ela seja mostrada em uma ligação por vídeo. A recusa em compartilhar informações ou respostas que dificultem inspeções presenciais é um forte sinal de que algo errado está acontecendo e você não deveria investir seu dinheiro no negócio.

3. Preste atenção aos sites

Sites falsos costumam imitar a estrutura de páginas confiáveis, mas geralmente apelam para elementos que revelam que não são confiáveis. Enquanto não é incomum que imóveis ou veículos sejam representados por imagens ilustrativas (especialmente em casos de leilões judiciais), quando todo o material divulgado se baseia nisso, é preciso ligar o alerta.

Páginas falsas também costumam exibir listagens que mostram lances ativos em todos as ofertas mostradas ao visitante. Em páginas de gestoras reais, isso é bastante incomum: geralmente há mais disputas em leilões próximos do fim, e não é incomum encontrar leilões que ainda não receberam nenhum lance.

Imagem: Captura de Tela/Canaltech

Também vale a pena prestar atenção nos endereços: domínios registrados com o final ".com/br" geralmente denotam páginas registradas no exterior, o que é proibido para gestoras de leilão. No entanto, não há exatamente uma regra para esse quesito: embora muitas companhias reais usem o final ".com.br", também há nomes confiáveis que usam domínios finalizados em ".net", por exemplo.

Outro elemento que ajuda a denunciar gestoras falsas, e que vale para todas as páginas da internet, é a falta de conexões seguras. Empresas confiáveis sempre usam o protocolo HTTPS em suas URLs, e sites que não dispõem da tecnologia estão sujeitos a brechas que podem comprometer seus dados pessoais.

4. Consulte o Reclame Aqui e o Leilão Seguro

Mesmo quando um site de leilões passar positivamente pelos critérios anteriores é uma boa ideia conferir sua reputação em sites especializados. O Reclame Aqui é uma ferramenta útil por denunciar imediatamente qualquer golpe — vítimas de golpes tendem a registrá-los na plataforma e denunciar que foram prejudicados para todos os visitantes.

Imagem: Captura de Tela/Canaltech

Outra forma de garantir sua segurança é acessar o Leilão Seguro, página criada para registrar sites, telefones e empresas falsas. Atualizado diariamente, ele lista o nome dos domínios falsos, bem como a data em que eles foram registrados e as denúncias registradas contra eles.

Alguns sites falsos chegam a usar o selo fornecido pelo site para enganar consumidores — mas dificilmente os links associados à imagem levam ao endereço em que você pode conferir a legitimidade das gestoras.

Imagem: Captura de Tela/Canaltech

5. Desconfie de valores muito atraentes

Muitas pessoas investem em leilões devido aos valores abaixo do mercado apresentados por muitos itens. No entanto, desconfie se a oferta for muito atraente e trazer valores que parecem irreais: como diz o ditado, o barato pode acabar saindo caro.

Em leilões judiciais, por exemplo, o desconto máximo que um leilão pode trazer para seu lance inicial é de 50% do valor do produto. Embora criminosos saibam disso e tendam a oferecer produtos com preços semelhantes aos das gestoras reais, é comum que eles façam ofertas supostamente imperdíveis para atrair a atenção de vítimas — na tentativa de economizar, elas podem se ver prejudicadas em alguns milhares de reais.

6. A burocracia ajuda na sua proteção

Com a internet, muitos processos se tornaram mais rápidos e cômodos. No caso dos leilões online isso também acontece, mas isso não significa que tudo se tornou completamente informal e rápido. Antes de uma pessoa participar de um leilão, empresas sérias exigem que ela faça um cadastro em suas plataformas — o que envolve enviar documentos pessoais e aguardar por uma análise.

“Geralmente, para participar de um leilão, qualquer um pode olhar o site dos leiloeiros, das empresas de leilão, entrar no leilão, ver as informações, isso é público. Agora você só vai conseguir participar do leilão nos leiloeiros credenciados mesmo se você fizer um cadastro no site, você tem que preencher seus dados, enviar seus documentos e aí tem empresa que só recebe de forma física e tem empresa que recebe pelo próprio site”, explica Rafael Alem, da Gestora D1 Lance.

Isso é necessário para garantir a proteção das gestoras e impedir que leilões sejam tumultuados ou o dono do lance ganhador suma sem deixar rastros, atrapalhando o processo. Antes de participar de um leilão, também é preciso se habilitar e afirmar que concorda com os termos descritos no edital. É somente após passar por essas etapas que você vai conseguir começar a dar seus lances.

Sites de leilão falsos não se preocupam com essas etapas: geralmente, basta um cadastro rápido de e-mail para iniciar a participação nos lances. Os criminosos não costumam se importar com burocracia e verificações: a intenção deles é fazer vítimas o mais rápido o possível, e qualquer etapa que desacelere o processo não beneficia suas ações.

7. Cuidado com descontos e pressões para pagar logo

Caso você tenha prosseguido até a etapa de lances e tenha saído como ganhador, desconfie de qualquer empresa que apresse você a fazer um pagamento. Conforme explica Alem, da D1 Lance, o edital de cada leilão determina o prazo de pagamento — geralmente de 24 horas — e não faz diferença realizá-lo logo após o fim da disputa ou após terem decorrido várias horas.

Operadores de sites falsos geralmente pressionam vítimas a pagar o quanto antes, prometendo descontos e uma maior agilidade na liberação do produto arrematado. Eles também são marcados pela informalidade: em vez de registrar cada etapa do processo por e-mail, prática comum do mercado, eles fazem atendimentos por plataformas como o WhatsApp e não têm problemas em se comunicar usando mensagens de voz.

A pressão e as promessas de desconto são táticas usadas para confundir as vítimas e suprimir seu lado racional. Na dúvida, não feche o negócio: confira novamente as características do leilão e busque por sinais que denunciem o golpe — eles geralmente surgem após investigações feitas rapidamente.

Gostou dessa matéria?

Inscreva seu email no Canaltech para receber atualizações diárias com as últimas notícias do mundo da tecnologia.