4 maneiras de enganar sistemas de identificação facial

Por Ramon de Souza | 29 de Março de 2018 às 09h58
The Conversation

As tecnologias de reconhecimento facial vieram para ficar. Representando um método de autenticação bem mais seguro e eficiente do que a leitura de impressões digitais, elas estão aos poucos se popularizando no mercado de smartphones — contudo, não podemos nos esquecer de que tal conceito ganhou conhecimento popular graças ao Facebook, que há tempos é capaz de te reconhecer nas fotos que os seus amigos publicam na rede social.

E engana-se quem pensa que o reconhecimento facial é um recurso útil apenas para desbloquear um celular ou ser marcado nos retratos daquela festa que rolou no fim de semana. Ele também é amplamente usado nos segmentos de segurança e publicidade, que usufruem de tal funcionalidade para identificar indivíduos que transitam em espaços públicos, “catalogando-os” e filtrando-os de acordo com padrões predefinidos.

Porém, com as constantes discussões a respeito de privacidade, espionagem e vigilância, também existem aqueles que rejeitam tal tecnologia com todas as suas forças — nem todos gostam de saber que uma versão digitalizada de sua face está sendo armazenada em computadores por aí. Também é chato ter a noção de que você poderá ser reconhecido por algoritmos em toda loja que entrar ou em toda foto em que aparecer.

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Sistemas de reconhecimento facial já se tornaram extremamente populares (Imagem: Axis)

Não demorou muito até que surgissem receitas caseiras que são supostamente capazes de enganar os sistemas de identificação facial. Esses inventos vêm de todas as partes do mundo, e, embora alguns sejam fruto de pesquisas científicas, outros foram criados por entusiastas do movimento maker e faça-você-mesmo (do-it-yourself ou DIY).

1. Óculos especiais

Uma forma muito comum de enganar sistemas de identificação facial é o uso de óculos feitos especialmente para tal finalidade. Esses acessórios geralmente são fabricados via impressão 3D e trazem um aro cujo design é um tanto peculiar. Um dos principais estudos nesse campo foi feito em 2016 por profissionais da Universidade Carnegie Mellon.

Eles podem não ser bonitos, mas são eficazes (Imagem: The Guardian)

Os pesquisadores bolaram um par de óculos que, graças a um esquema de cor específico, confundem a maioria dos sistemas de reconhecimento facial, forçando-os a interpretar o rosto de um cidadão comum como se fosse o de alguma celebridade, por exemplo.

2. Acessórios com luzes LED

Tem como imprimir um óculos especial para fugir das câmeras inteligentes? Sem problemas! Basta pegar uma armação comum e adicionar algumas luzes LED nela. Quem teve essa ideia maluca foi o professor Isao Echizen, que leciona para o Instituto de Informática de Tóquio. O cientista criou um visor equipado com lâmpadas de luz infravermelha que impedem a ação da maioria dos sistemas de reconhecimento facial, impedindo que eles consigam focalizar no rosto do usuário.

Outra alternativa é enfeitar um boné com as mesmas luzes. Essa ideia veio de uma parceria entre pesquisadores de universidades da China e dos Estados Unidos — tudo o que eles fizeram foi pegar um chapéu comum e adicionar três lâmpadas em sua aba. A luz infravermelha reflete no rosto do usuário e faz com que os computadores lhe identifiquem como uma pessoa aleatória.

3. Máscara realista

Obviamente, usar uma máscara não é exatamente o jeito mais discreto de fugir de sistemas de identificação facial, mas sempre foi e continuará sendo um dos métodos mais eficazes. Obviamente, se você não quiser passar vergonha na rua, precisará investir em um produto que seja bem realista — e, para a sua felicidade, existe uma empresa dedicada especialmente a vender esse tipo de item.

Não vamos te julgar caso fique com medo desta imagem (Imagem: URME Surveillance)

A URME Surveillance projetou uma máscara que é impressa em 3D sob demanda e que lhe permite se passar por Leo Selvaggio, artista responsável pelo projeto. No momento em que esta matéria foi escrita, o produto era vendido com desconto por US$ 200 — cerca de R$ 664 na cotação atual da moeda. A companhia afirma que o acessório é comercializado a preço de custo, pois sua missão é proteger o mundo contra sistemas injustos de vigilância.

4. Maquiagem e corte de cabelo

Se as opções anteriores não forem estilosas o suficiente para você, a saída é apostar nas maquiagens e cortes de cabelo do projeto CV Dazzle, criado pelo artista visual Adam Harvey. Ao estudar o impacto das tecnologias de espionagem na vida de cidadãos comuns, Harvey decidiu bolar algumas makes que, além de serem um tanto excêntricas, são capazes de “cegar” sistemas de identificação facial baseados no protocolo OpenCV.

Sendo estiloso e seguro ao mesmo tempo (Imagem: CV Dazzle)

No site oficial do projeto, você encontra um lookbook com exemplos de produções para você se inspirar, além de guias para quem estiver disposto a criar sua própria maquiagem.

E tudo isso realmente funciona?

Depende. Existem dezenas de tecnologias de reconhecimento facial distintas — algumas possuem fraquezas e outras não. Obviamente, é muito mais difícil enganar uma solução avançado à la TrueDepth (que projeta um modelo tridimensional de seu rosto e transforma esse scan em informações codificadas) do que um software simples que apenas tira fotos. Contudo, de uma forma ou de outra, nenhum sistema é perfeito.

“A maior parte dos sistemas de reconhecimento facial para uso profissional, que utilizam câmeras de videomonitoramento avançadas, não tem sua assertividade reduzida pelo uso de maquiagens, mudanças no corte do cabelo ou uso de bonés. Esses elementos não interferem porque a tecnologia se baseia em outros parâmetros”, afirma Rodrigo Guedes, especialista da Axis, empresa que fornece soluções de identificação facial para segurança, em entrevista ao Canaltech.

Exemplo de maquiagem supostamente usada para confundir câmeras inteligentes (Imagem: The Atlantic)

“No nosso caso, a câmera com software faz uma triangulação considerando a distância entre orelhas, boca, nariz e olhos. Para que o sistema alcance sua alta assertividade, é preciso que esses parâmetros estejam visíveis. Em outras palavras, o uso de óculos escuros pode, de fato, comprometer o reconhecimento. Essa é uma limitação comum a toda a indústria que trabalha com reconhecimento facial”, ressalta o executivo.

Rodrigo também comenta a respeito da iluminação do ambiente, que pode causar interferências e reduzir a eficácia da identificação. “Caso a câmera esteja voltada para uma porta, por exemplo, e haja uma entrada brusca de luz, é possível que a pessoa não seja reconhecida”, diz. Isso significa que há um embasamento prático para os bonés e óculos dotados de luzes LED.

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