Varíola dos macacos pode se tornar endêmica em países fora da África, sugere OMS

Varíola dos macacos pode se tornar endêmica em países fora da África, sugere OMS

Por Fidel Forato | Editado por Luciana Zaramela | 11 de Junho de 2022 às 19h00
MarinaDemidiuk/Envato Elements

A Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou, na última quarta-feira (8), para o risco da varíola dos macacos (monkeypox) se estabelecer em países não endêmicos. As regiões em maior risco são a Europa e a América do Norte, já que concentram o maior número de casos atípicos do vírus. No entanto, a situação ainda pode ser controlada.

No momento, a OMS contabiliza aproximadamente mil casos da varíola dos macacos em humanos, fora da África. Até agora, 29 países registraram a doença, incluindo o primeiro caso do Brasil. Nenhum óbito foi registrado em decorrência da infecção.

Varíola dos macacos pode se tornar uma doença endêmica em países da Europa e da América do Norte (Imagem: Dr. Noble/CDC)

Controle da varíola dos macacos

“É um reflexo infeliz do mundo em que vivemos que a comunidade internacional só agora esteja prestando atenção à varíola dos macacos, porque ela apareceu em países de alta renda”, afirmou o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, em coletiva de imprensa.

Isso porque, apesar dos casos atípicos da doença, alguns países da África convivem há anos com a varíola dos macacos. Por exemplo, a República Democrática do Congo já tinha registrado mais de 1,2 mil casos em maio deste ano, incluindo 58 mortes.

Fora do continente africano, Tedros apontou que, em alguns países, o surto está mostrando sinais de transmissão comunitária — quando não é mais possível identificar a origem da transmissão. Este pode ser considerado como um dos marcadores de uma doença endêmica. “O risco da varíola do macaco se arraigar nos países não endêmicos é real, mas esse cenário pode ser evitado”, comentou.

Para impedir que outras regiões se tornem endêmicas para o vírus monkeypox, Tedros recomenda que os países intensifiquem suas medidas de vigilância sanitária para “identificar todos os casos e os casos de contato para controlar esse surto e prevenir o contágio”.

Vacina só para casos de exposição

Para prevenir ou impedir a evolução de casos da varíola dos macacos, existem duas vacinas: a Jynneos e a vacina contra a varíola comum (smallpox). No entanto, a OMS não sabe quantas doses dos imunizantes estão atualmente disponíveis no mundo, já que não são aplicados em larga escala.

A diretora do departamento de doenças pandêmicas e epidêmicas da OMS, Sylvie Briand, afirmou que “a vacina contra a varíola pode ser utilizada para a varíola do macaco com um alto nível de eficácia”. Provavelmente, o estoque de doses deste imunizante é maior que o da Jynneos.

Diante do atual cenário epidemiológico, Tedros explicou a OMS “não recomenda a vacinação em massa contra a varíola dos macacos”. A imunização deve ser considerada apenas como uma forma de profilaxia pós-exposição (PEP) ao vírus.

Fonte: Reuters e France 24  

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