Variante B117 do coronavírus já tinha se espalhado meses antes de ser descoberta

Por Nathan Vieira | Editado por Luciana Zaramela | 06 de Abril de 2021 às 11h40
photocreo/Envato

Com o desenvolver da pandemia, as preocupações mais atuais se voltam às variantes do coronavírus, descobertas em países como Reino Unido, África do Sul e Brasil. No entanto, de acordo com um estudo promovido pela Universidade do Texas em Austin (EUA), a variante B117 já se circulava meses antes de ser descoberta, espalhando-se pelos EUA.

Segundo o estudo, a variante altamente contagiosa do SARS-CoV-2 começou a se espalhar nos EUA em outubro de 2020, sendo descoberta apenas dois meses depois, no Reino Unido, local onde se acreditava que a B117 teria se originado.

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“Quando aprendemos sobre a variante do Reino Unido em dezembro, ela já estava se espalhando silenciosamente pelo mundo", observou a professora Lauren Ancel Meyers, diretora do COVID-19 Modeling Consortium da Universidade do Texas em Austin.

Por meio de uma análise de dados de 15 países, os pesquisadores estimaram que viajantes do Reino Unido introduziram a variante em 15 países entre 22 de setembro e 7 de dezembro de 2020. “Este estudo destaca a importância da vigilância laboratorial. O sequenciamento rápido e extenso de amostras de vírus é fundamental para a detecção precoce e o rastreamento de novas variantes preocupantes", acrescentou a pesquisadora.

Variante B117 do coronavírus já tinha se espalhado meses antes de ser descoberta, segundo pesquisadores do Texas, nos EUA (Imagem: Pete Linforth/Pixabay)

Diante dessa questão, os pesquisadores desenvolveram uma nova ferramenta para planejamento de sequenciamento genético que ajuda a detectar a presença de variantes. Com a proposta de ajudar os EUA a expandir a vigilância nacional de variantes, essa ferramenta (que funciona como uma espécie de calculadora, por assim dizer) indica o número de amostras de vírus que devem ser sequenciadas para detectar novas variantes assim que surgirem.

“As autoridades de saúde estão procurando maneiras melhores de gerenciar a imprevisibilidade desse vírus e suas variantes futuras. Nossa ferramenta determina quantas amostras positivas de SARS-CoV-2 devem ser sequenciadas para garantir que novas ameaças sejam identificadas assim que comecem a se espalhar", explicou Spencer Woody, pós-doutor atuante no COVID-19 Modeling Consortium.

A ferramenta também ajuda os laboratórios a descobrir com que rapidez serão detectadas novas variantes, considerando a capacidade de sequenciamento atual. “Criamos esta ferramenta para apoiar as autoridades de saúde federais, estaduais e locais na construção de sistemas confiáveis de alerta precoce ​​para esta e futuras ameaças de pandemia”, concluiu Meyers.

Fonte: Emerging Infectious Diseases via Futurity

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