Vai doar sangue? Aqui tem tudo o que você precisa saber!

Vai doar sangue? Aqui tem tudo o que você precisa saber!

Por Fidel Forato | Editado por Luciana Zaramela | 25 de Novembro de 2021 às 15h45
Twenty20photos/Envato Elements

Nesta quinta-feira (25), acontece o Dia Nacional do Doador de Sangue. A data simbólica é marcada por campanhas que buscam conscientizar a população para a importância desse ato simples, mas que pode salvar vidas. Hoje, o Brasil está com estoques baixos e a falta desse suprimento pode ameaçar a realização de cirurgias e transfusões.

Com a pandemia da covid-19, os estoques dos bancos de sangue atingiram patamares muito baixos e, dependendo do local, as doações não voltaram ao patamar pré-coronavírus. Em São Paulo, nos momentos mais graves, os estoques chegaram a estar com apenas 22% de sua capacidade, segundo o Pró-Sangue. Hoje, o banco ainda está em estado crítico para os tipos O+, O-, A- e B-.

Em outras palavras, muito ainda pode ser feito para que os hospitais operem com segurança. E isso independe do tipo sanguíneo, já que todas as doações são bem-vindas, desde que respeitados os critérios definidos de segurança.

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Pessoas com mais de 16 anos e que pesem mais de 50kg devem se informar sobre a possibilidade de doação de sangue (Imagem: Reprodução/Pressmaster/Envato Elements)

A seguir, compartilhamos um manual de dicas e orientações que o Canaltech preparou para quem tem interesse em doar sangue, mas não sabe por onde começar.

O que é preciso para doar sangue?

  • A pessoa precisa estar em boas condições de saúde e sem suspeita para nenhuma doença;
  • Ter entre 16 e 69 anos, desde que a primeira doação tenha sido feita até os 60 anos. No caso dos menores de idade, é preciso levar um formulário de autorização validado pelos responsáveis;
  • Pesar no mínimo 50kg;
  • Estar descansada. Em outras palavras, a pessoa precisa ter dormido pelo menos 6 horas nas últimas 24 horas;
  • Estar alimentada. Aqui, é importante frisar que alimentos gordurosos devem ser evitados nas 4 horas que antecedem a doação;
  • É obrigatório levar um documento original com foto recente, que permita a identificação do potencial doador.

O que me impede de doar sangue temporariamente?

  • Mulheres grávidas, que pariram recentemente ou que estão amamentando;
  • Quem bebeu qualquer tipo de bebida alcoólica nas 12 horas que antecedem a doação;
  • Quem fez tatuagem, maquiagem definitiva e micropigmentação nos últimos 12 meses, podendo ser reduzida para 6 meses em alguns casos;
  • Pessoas que passaram por situações nas quais há maior risco de adquirir doenças sexualmente transmissíveis devem aguardar 12 meses;
  • Quem passou por qualquer procedimento endoscópico (endoscopia digestiva alta, colonoscopia, rinoscopia, etc.) nos últimos 6 meses;
  • A pessoa que extraiu um dente ou que fez tratamento de canal nos últimos 7 dias. Em casos de cirurgias odontológicas com anestesia geral, o prazo aumento para 4 semanas;
  • Quem realiza acupunturara precisa aguardar, no mínimo, 24 horas;
  • A pessoa que está com anemia.

Questão das vacinas da covid-19 e da gripe

Após ser vacinado contra a gripe ou a covid, é preciso aguardar alguns dias para doar sangue (Imagem: Reprodução/Micens/Envato Elements)

Após receber qualquer vacina, é necessário esperar para poder realizar a doação também, sendo que cada imunizante demanda um tempo próprio e deverá ser checado previamente. No caso da vacina contra a gripe (influenza), o período de espera é de 48 horas.

Para as vacinas contra a covid-19, cada uma pode ter tempo mínimo específico, sendo eles:

  • 48 horas após receber uma dose da CoronaVac (Sinovac/Butantan);
  • 7 dias após receber uma dose da Covishield (Oxford/AstraZeneca/Fiocruz), da ComnRNAty (Pfizer/BioNTech) ou da Janssen.

Atenção com doenças

Agora, a doação pode ser temporariamente impedida quando a pessoa é diagnosticada com alguma doença ou quando o indivíduo visita alguma região, onde há alta prevalência de alguma enfermidade.

No caso das doenças confirmadas, é preciso aguardar 7 dias após desaparecimento dos sintomas de um resfriado, por exemplo. Para a covid-19, o candidato é considerado inapto por um período de 30 dias, após recuperação clínica completa (assintomáticos). Quem teve contato com algum doente da covid deve aguardar 14 dias.

Agora, para herpes labial ou genital, a pessoa só estará apta a doar após desaparecimento total das lesões. Já, em caso de Herpes Zoster, é preciso aguardar pelo menos 6 meses da cura.

Em caso de passar por alguma região com surto de febre amarela, é necessário esperar por pelo menos 30 dias antes de doar sangue. Agora, quem esteve em locais onde há alta prevalência de malária, também deve aguardar no mínimo 30 dias, mas este prazo pode chegar até 12 meses.

Lista de impedimentos definitivos para a doação

  • Pessoas com idade inferior a 16 anos ou superior a 69 anos. No entanto, quem tem 61 anos ou mais e nunca doou, está inapto. Isso porque o limite superior para a primeira doação é 60 anos;
  • Evidência clínica ou laboratorial de doenças infecciosas que são transmitidas pelo sangue, como hepatites B e C, infecção pelo HIV, doenças associadas aos vírus HTLV I e II e Doença de Chagas;
  • Caso de hepatite após os 11 anos, com algumas exceções para a Hepatite A;
  • Uso de drogas ilícitas injetáveis;
  • Quadro de malária;
  • Quem teve algum tipo de câncer, incluindo leucemia;
  • Paciente que é diabético com complicações vasculares ou em uso de insulina;
  • Pessoa que foi submetido a transplante de órgãos ou de medula;
  • Pessoas com Mal de Parkinson.

Vale dizer que, em maio de 2020, o STF derrubou a restrição de doação de sangue por homossexuais. Além disso, o Senado aprovou, no começo deste mês, um projeto de lei que proíbe a discriminação de doadores de sangue com base na orientação sexual. Agora, o PL 2.353/2021 deve seguir para a apreciação da Câmara dos Deputados.

No caso de ainda ter alguma dúvida, vale checar pelas redes sociais ou pelo telefone do local onde a doação será feita a questão. Assim, qualquer frustração poderá ser evitada.

Cuidados no pós-doação de sangue

Estar hidratado antes e depois da doação de sangue é fundamental, o que pode ser feito tomando água (Imagem: Reprodução/Engin akyurt/Unsplash)
  • É recomendado aguardar no local de coleta por mais ou menos 15 minutos. Isso porque aquele é um local seguro e, caso tenha alguma indisposição, poderá ser atendido por especialistas;
  • Não se deve consumir bebidas alcoólicas naquele dia;
  • Não é recomendado fumar por pelo menos 2 horas;
  • Evite esforço físico intenso por pelo menos 12 horas;
  • Beba bastante líquido.

Enquanto a pessoa se recupera, o processo da doação ainda não terminou, mas as próximas etapas são feitas exclusivamente pelos profissionais do local. Isso porque o sangue coletado passará por uma série de testes, como checagem de hepatite B, hepatite C, HIV, HTLV, doença de chagas e sífilis.

Caso algumas dessas doenças seja identificada, ela será notificada e deverá fazer um novo teste para confirmar o diagnóstico. Nesses casos, o sangue não será usado para transfusões, mantendo o padrão de qualidade, sem risco, das doações

Quando poderei doar de novo?

As doações de sangue não podem ser feitas semanalmente e nem mensalmente já que o organismo leva um tempo para repor a quantidade que foi doada. Por exemplo, a reposição do volume de plasma ocorre em 24 horas e a dos glóbulos vermelhos leva, em média, 4 semanas.

Só que, para o organismo atingir o mesmo nível de estoque de ferro que apresentava antes da doação, são necessárias pelo menos 8 semanas para os homens e 12 semanas para as mulheres. Dessa forma, foram estabelecidos intervalos mínimos para a doação:

  • Mulheres precisam respeitar 90 dias de intervalo entre as doações. Por ano, é permitido no máximo 3 doações;
  • Homens têm um intervalo mínimo de 60 dias. Por ano, podem doar 4 vezes.

Onde encontrar um lugar para doar?

Para doar sangue, basta procurar as unidades de coleta de sangue, como os hemocentros ou hospitais próximos de sua residência — é sempre importante checar se o local coleta doações, de fato. Ainda é uma opção buscar por informações nas redes sociais do estado em que mora, principalmente nas Secretarias locais da Saúde.

O Registro Nacional de Doadores Voluntários de Medula Óssea (Redome), do Instituto Nacional de Câncer (Inca), é um banco de dados com informações de possíveis doadores para quem precisa de Transplante de medula óssea. Só que eles também agrupam alguns hemocentros do país, onde as doações podem ser feitas. É possível fazer a consulta pelo CEP ou pelo estado, clicando aqui.

Como é doar sangue pela primeira vez?

Doar sangue pode salvar vidas e os bancos nacionais precisam de doações (Imagem: Reprodução/Pressmaster/Envato Elements)

Doamos sangue e te contamos como foi

Nota do repórter: nesta semana e fiz a minha primeira doação de sangue. Sempre tive receio em doar e a lista de exigências — admito — me assustava um pouco. Aqui, meu conselho é checar os itens e ver se está apto para doar, antes mesmo de ir até um centro de coleta ou agendar um horário online.

A minha doação foi feita no Hemocentro de São Paulo, o Pró-Sangue, no Posto das Clínicas. Durante a fase de triagem passei por uma entrevista completa — perguntaram sobre uso de inúmeras substâncias e meu comportamento sexual —, aferiram minha pressão e temperatura, e também fiz um teste rápido de anemia. Se algum risco fosse observado, neste momento, a doação seria cancelada, já que poderia afetar a saúde de quem iria receber o sangue.

Quanto à experiência em si, foi bem tranquila e melhor do que eu imaginava. Posso dizer que é muito parecido com um exame de sangue comum, só que a coleta demora um pouco mais — algo entre 10 ou 15 minutos, sentado ou deitado na cadeira-maca. Aliás, a quantidade de sangue doada também é maior que a do sangue coletado em exames de rotina, com bolsas com capacidade máxima de 450 ml por doação. Depois, ainda ganhei um kit lanche, enquanto aguardava o intervalo de 15 minutos para ir embora.

Hoje, já estou decidido a fazer uma segunda doação, quando puder, e pretendo transformar isso em hábito. No caso, um hábito que pode salvar vidas.

Fonte: Pró-Sangue e Ministério da Saúde  

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