Vacinação desacelera entre potências, mas ritmo brasileiro segue em alta

Vacinação desacelera entre potências, mas ritmo brasileiro segue em alta

Por Renato Santino | Editado por Luciana Zaramela | 08 de Setembro de 2021 às 09h59
Micens/Envato Elements

Ao longo de 2020, ao mesmo tempo em que a primeira onda da COVID-19 forçava o distanciamento social e causava mortes na escala dos milhões, a ciência fazia história com o desenvolvimento de múltiplas vacinas em tempo recorde. Agora, pouco mais de nove meses após o início da vacinação, especialistas se preocupam com o ritmo de imunização cada vez mais lento entre as potências.

Essa visão se agrava com a perspectiva da variante Delta, demonstradamente mais transmissível, restrições cada vez mais relaxadas e vontade reduzida em reimplementá-las em caso de necessidade.

“A estagnação da vacinação na nossa região é uma preocupação séria”, diz Hans Kluge, diretor da Organização Mundial de Saúde (OMS) para a região europeia. “Agora que as medidas de saúde pública são relaxadas em muitos países, a aceitação da vacina é crucial para evitar maior transmissão, mais casos severos e mortes e o risco de mais variantes preocupantes”, afirma.

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Potências estagnadas

Estados Unidos e União Europeia vivem situação similar neste momento. Ambos tiveram acesso rápido aos imunizantes e rapidamente viram seus números de adultos vacinados crescerem em ritmo acelerado. No entanto, o cenário mudou com o passar dos meses.

Países mais ricos agora enfrentam dificuldades para acessar parcela mais hesitante da população (Imagem: Micens/Envato Elements)

Os EUA conseguiram acelerar a vacinação antes, contando com acesso fácil às vacinas da Pfizer e da Moderna. Entre março e abril, o país já contava com um ritmo altíssimo de imunização, com um recorde de 4,6 milhões de doses aplicadas em 10 de abril, segundo o site Our World in Data.

No entanto, aos poucos o país perdeu fôlego, resultado de uma fatia grande da população ainda hesitante ou ativamente rejeitando a vacina.

Por volta de julho, a média de doses por dia já era muito inferior, e chegou a um mínimo de 500 mil aplicações diárias antes de começar a subir lentamente. Atualmente, o país já tem 176 milhões de pessoas totalmente imunizadas, o que representa cerca de 52,3% de sua população total.

Europa teve ritmo mais lento, mas superou os Estados Unidos em parcela de imunizados. (Gráfico: Our World In Data)

Já a União Europeia teve um início mais lento, com mais dificuldade em obter imunizantes, o que resultou em um pico tardio de vacinação: em 9 de junho, a região aplicou 5,5 milhões de doses, e desde então passou a desacelerar a imunização. Hoje registra uma média de 1,3 milhão por dia.

Atualmente, a região já tem 262,7 milhões de pessoas totalmente imunizadas, o que significa 58,75% da população do bloco.

Situação do Brasil

No Brasil, até o momento, não se vê o mesmo movimento de desaceleração na distribuição da vacina. O pico de doses em um único dia é recente, referente a 26 de agosto, com 4,37 milhões de aplicações. O gráfico ainda mostra uma tendência de alta em relação à média diária.

Contudo, o Brasil ainda fica muito para trás em relação ao percentual de cidadãos totalmente imunizados, resultado de uma campanha de vacinação que espaçou em três meses a primeira e a segunda dose dos imunizantes da Pfizer e da AstraZeneca.

Brasil ainda não mostra sinais de desaceleração no percentual de totalmente imunizados (Gráfico: Our World In Data)

Por enquanto, 31,1% da população brasileira já está completamente imunizada, o que inclui quem tomou as duas doses ou recebeu a vacina da Janssen, de aplicação única. No total, já são cerca de 63% da população com pelo menos a primeira dose.

Dentro do país, no entanto, ainda há grande discrepância. Há regiões como o estado de São Paulo, onde 74,4% da população já recebeu sua primeira dose e 40% já está totalmente imunizada, e estados como Roraima e Pará, que sequer chegaram a 50% da população com a primeira dose.

Fonte: CNBC

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