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Uso de cannabis pode ter relação com mudanças no epigenoma

Por  • Editado por Luciana Zaramela | 

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ckstockphoto/envato
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O uso de cannabis pode ter relação direta com alterações no epigenoma (um conjunto de interruptores que ativam e desativam genes para mudar o funcionamento do nosso corpo). É o que diz um estudo publicado na revista científica Molecular Psychiatry. Para chegar a essa informação, uma equipe de cientistas coletou a amostra de sangue de aproximadamente de mil pessoas e analisou especificamente os níveis de metilação do DNA.

A adição ou remoção de grupos metila do DNA é uma das modificações epigenéticas mais estudadas. Sem alterar a sequência genómica, altera a atividade dos genes.

O estudo menciona que fatores ambientais e de estilo de vida podem gerar essas alterações de metilação, que podem ser transmitidas às gerações futuras, e os biomarcadores sanguíneos podem fornecer informações sobre exposições recentes e históricas.

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Cannabis e epigenoma

Ao todo, o estudo teve 20 anos, e os participantes forneceram amostras de sangue em duas ocasiões: em 15 e em 20 anos. Os pesquisadores encontraram marcadores de metilação do DNA nas amostras de sangue de 15 anos, 22 associados ao uso recente e 31 associados ao uso ao longo dos anos. Enquanto isso, nas amostras colhidas aos 20 anos, identificaram 132 marcadores ligados ao uso recente e 16 ligados ao uso cumulativo.

Mas o que isso quer dizer, exatamente? Os pesquisadores dizem que múltiplas alterações epigenéticas associadas ao uso de cannabis já haviam sido associadas a fatores como proliferação celular, sinalização hormonal, infecções e até mesmo distúrbios neurológicos como esquizofrenia e transtorno bipolar.

Mas a própria equipe reconhece que são necessários estudos adicionais para determinar se essas associações são consistentemente observadas em diferentes populações. O estudo também ressalta a necessidade de mais informações sobre o efeito a longo prazo da cannabis na saúde.

Cannabis medicinal

Vale ressaltar que, além do epigenoma, a cannabis pode ter diversos impactos — e isso pode ser positivo, como já ressaltou a Fiocruz em um relatório a respeito dos benefícios da cannabis medicinal. Segundo a instituição, algumas pesquisas são conclusivas em apontar a segurança e eficácia dos canabinoides na redução de sintomas e melhora do quadro de saúde para aspectos como:

  • Dor crônica
  • Espasticidade
  • Transtornos neuropsiquiátricos
  • Náusea
  • Vômito
  • Perda do apetite
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Há ainda algumas verdades que você precisa saber sobre cannabis, como a diferença entre o tetrahidrocanabinol (THC) e o canabidiol (CBD). O THC é o principal componente psicoativo, o que significa que é responsável pelos efeitos associados ao uso. Já o CBD não tem efeitos psicoativos significativos.

Fonte: Molecular Psychiatry, Northwestern Medicine