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Tirar a cera de ouvido faz mal? entenda importância do cerúmen

Por| Editado por Luciana Zaramela | 08 de Janeiro de 2023 às 14h00

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twenty20photos/Envato
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A ciência adverte: melhor não remover a cera de ouvido, sob o risco de fazer mal ao sistema auditivo. Com o nome oficial de cerúmen, a secreção pode ser um tanto quanto nojenta, nos dando o reflexo de removê-la. Há até mesmo tradições culturais diferentes para o ato — na Ásia, limpar os ouvidos de alguém é considerado sinal de afeto, enquanto os antigos romanos tinham pinças especiais para isso, e os escandinavos, palitos de outro.

A compulsão pode até ser comum a vários grupos humanos, mas há uma razão para que a substância fique por ali. O cerúmen é feito de óleo, suor e células de pele morta, com porcentagens variáveis em cada indivíduo. A pele das orelhas cresce constantemente, soltando seções mortas, que viajam do ouvido externo ao interno através do suor e do óleo.

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Composição, diferenças e doenças

O suor, que dá parte do cheiro à cera de ouvido, vem das glândulas apócrinas, também presentes nos mamilos, axilas e virilha. Já o óleo vem das glândulas sebáceas, que ficam ao redor dos folículos capilares do canal auditivo externo. A quantidade produzida vai influenciar na viscosidade e textura dos amontoados da substância. É daí que saem os diversos tipos diferentes de cerúmen, indo do seco e em flocos ao espesso e mais pastoso, como cera ou manteiga, variando também em cor e cheiro.

Essas diferenças são genéticas, sendo que a cera de ouvido mais úmida é mais comum em populações descendentes de europeus e africanos, enquanto a seca é mais prevalente no leste asiático. O cerúmen mais aquoso, segundo um estudo da Nature de 2006, é dominante, enquanto o seco é mais recessivo. Não há uma associação evolucionária a essa mudança, ou seja, a consistência da substância não confere vantagens de saúde, mas há alguma relação com o clima: a cera úmida é mais comum em regiões mais quentes.

A cera de ouvido não muda de tipo, mas, à medida que ficamos mais velhos, as glândulas produzem menos óleo e suor e a pele fica mais seca, podendo tornar o cerúmen um pouco menos úmido e quebradiço. Quando estamos com uma gripe, resfriado ou alergia, podemos sentir que os ouvidos parecem "tampados", mas isso ocorre devido ao acúmulo de fluidos pelo inchaço dos tubos ligando os ouvidos e a garganta, já que, junto ao nariz, formam vias compartilhadas.

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A maioria das infecções não afeta a secreção, mas condições mais sérias, como otite externa, lesões severas no crânio e rompimento do tímpano pode deixá-la com a consistência de um pus líquido, que ocorre ao misturar o líquido de um ouvido médio infectado com a cera. Ela contém proteínas antibacterianas e antifúngicas, prevenindo infecções, e deixando o ambiente acídico o suficiente para repelir micróbios.

Benefícios do cerúmen

Viscoso, o cerúmen deixa o interior dos ouvidos úmido, sendo um lubrificante protetor natural. É como as substâncias oleosas da pele, que evitam que o tecido fique seco demais. Sem a cera, nossos ouvidos coçariam, nos fazendo irritar a pele do canal ou até rompê-la, deixando que bactérias e outras infecções entrem. Além disso, ela captura grãos de poeira e outras partículas que poderiam acabar entrando no ouvido interno.

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Recomendamos não remover a cera do interior do ouvido em casa, inclusive as hastes flexíveis de algodão — elas podem acabar empurrando o cerúmen mais fundo ainda, piorando a situação. É melhor utilizar óleos minerais ou soluções salinas em gotas para ajudar a amolecer a secreção e fazer com que saia sozinha. Caso isso não funcione, é melhor contar com a ajuda de um profissional.

Às vezes, é preciso visitar um otorrino para que ele remova o excesso de cera, que pode causar zumbido (também conhecido como sibilo ou tinnitus) ou prejudicar a capacidade auditiva. Fora estas situações, não há motivo para cutucar o canal auditivo, então o melhor é não fazer nada por conta própria: na dúvida, sempre prefira visitar seu médico.

Fonte: Popular Science