Temperatura do corpo humano diminuiu nos últimos 200 anos, dizem cientistas

Por Fidel Forato | 22 de Janeiro de 2020 às 15h00
Reprodução/ The Bump

Mesmo que a evolução das espécies seja lenta, o corpo humano também está sujeito a alterações ao longo das gerações. Esse é o caso da temperatura corporal, sobre a qual, durante muito tempo, acreditava-se ser em torno de 37 °C — valor considerado como normal para o corpo humano. No entanto, evidências recentes da Faculdade de Medicina da Universidade de Stanford (SUSM) afirmam que isso pode ter sido um dia verdade, mas já não é mais.

Segundo o grupo de pesquisadores do SUSM, desde os anos 1800, a temperatura média do corpo humano, em pacientes examinados nos Estados Unidos, caiu em quase um grau. "Nossa temperatura não é o que as pessoas pensam que é", explica Julie Parsonnet, professora de medicina na SUSM. "O que muita gente cresceu aprendendo, que a nossa temperatura normal é 37 °C, está errado", complementa a pesquisadora.

Entenda a questão

O valor considerado como a temperatura média (e ideal) do corpo humano foi calculado no ano de 1851, pelo médico alemão Carl Reinhold August Wunderlich. No entanto, uma série de evidências mais recentes divergem desse parâmetro. É o caso de um estudo com 25.000 pacientes britânicos, no qual se constatou que a temperatura corporal média atual é de, realmente, 36,6 °C. 

Outra pesquisa recente, publicada na revista eLife, analisou 677.423 medições de temperatura e descobriu “a temperatura corporal média em homens e mulheres, após o ajuste de idade, altura, peso e, em alguns modelos, data e hora do dia, diminuiu monotonicamente [de forma regular e crescente] em 0,03 °C por década de nascimento."

Temperatura média humana cai, constantemente, nos últimos 200 anos (Foto: Reprodução/ Futura Planète)

Especulações

Mas afinal, o que pode causar o declínio da temperatura corporal? Segundo os pesquisadores da SUSM, "é o resultado de mudanças em nosso ambiente nos últimos 200 anos, que, por sua vez, impulsionaram mudanças fisiológicas" no corpo humano.

Uma possível explicação para esse declínio da temperatura corporal pode ser uma redução na taxa metabólica dos humanos, causada por menores taxas de inflamação no organismo. Isso porque, nos últimos anos, os cuidados médicos melhoraram significativamente, reduzindo inflamações, por exemplo.

Segundo Parsonnet, "a inflamação produz todos os tipos de proteínas e citocinas que aumentam o metabolismo e elevam a temperatura", ou seja, o organismo não é mais obrigado a manter temperaturas mais altas para se proteger. Vale lembrar que um sinal de inflamação são as febres, que elevam a temperatura do corpo.

Os pesquisadores também levantam a hipótese de que os sistemas de aquecimento e de resfriamento modernos poderiam ter contribuído para uma menor taxa metabólica, já que as casas no século XIX não tinham aquecimento, enquanto, hoje, aquecedor central e ar condicionado são itens comuns. Esses novos aparelhos eliminam, como apontado, a necessidade de seres humanos gastarem energia para manterem suas temperaturas corporais constantes. 

O estudo também abre caminhos para uma pesquisa mais aprofundada sobre as mudanças fisiológicas entre humanos a cada geração, que é um resultado tanto da evolução da espécie quanto das novas tecnologias (que permitem mais indivíduos viverem e se perpetuarem). 

“O ambiente em que vivemos mudou, incluindo a temperatura em nossas casas, nosso contato com microorganismos e os alimentos aos quais temos acesso. Todas essas coisas significam que, embora pensemos nos seres humanos como se estivéssemos monomórficos [com uma única forma] e tivéssemos o mesmo padrão para toda a evolução humana, não somos iguais. Na verdade, estamos mudando fisiologicamente”, conclui a pesquisadora Parsonnet.

Fonte: Forbes

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