Técnica de manipulação genética CRISPR pode ser usada primeira vez em humanos

Por Wagner Wakka | 18 de Abril de 2019 às 12h12
Nature

A Universidade da Pensilvânia quer testar o uso de CRISPR, técnica genética ficou famosa no ano passado pela sua versatilidade, em seres humanos. A sigla vem de Clustered Regularly Interspaced Short Palindromic Repeats, o que basicamente se refere a repetições na cadeia do DNA que podem ser programadas para direcionar trechos específicos do código genético e editar o DNA de forma precisa. A ideia é que o sistema permita a pesquisadores modificarem genes e ativá-los para entender seu funcionamento.

Segundo o NPR, os pesquisadores estão usando o CRISPR para editar cadeias de DNA de pacientes com formas de câncer resistentes, cujo tratamento convencional falhou. São suas pessoas que estão nessa situação.

A proposta é pegar células imunes dos próprios pacientes, editá-las usando o CRISPR e, então, devolver ao corpo da pessoa na esperança de que tais células possam ajudar a combater a doença.

O universidade já entrou com um pedido para o procedimento junto à Agência Nacional de Medicina dos Estados Unidos para a liberação legal. No total, a pesquisa prevê que pelo menos 18 pacientes passem pelo mesmo experimento.

A ação, contudo, pode nem ser aprovada pela agência. Isso porque estudos sobre a técnica ainda precisam passar por discussões éticas mais aprofundadas.

Uso no câncer

O setor tem buscado mecanismos que possam criar células comuns com poder de atacar tumores, chamadas de CAR-T. Pesquisadores já conseguiram modificar outras células para criação de organismos como esses, mas nunca usando o CRISPR. Portanto, esta seria a primeira empreitada do método em seres humanos.

O gene em questão é chamado de PD-1. Contudo, atualmente, ele é injetado no corpo humano, causando efeitos colaterais com a quimioterapia. A modificação genética pode ajudar a diminuir a ação nociva no corpo humano.

Uma pesquisa divulgada em julho do ano passado, entretanto, pode ser um empecilho para o andamento das ações da Universidade da Pensilvânia. O documento levantou que, ao quebrar sequências de DNA usando o sistema, há perda considerável de material genético. “Os danos genômicos observados em células mitoticamente ativas causadas pela edição CRISPR-Cas9 podem ter consequências patogênicas”, informou o trabalho.

Outro ponto de preocupação de pesquisadores é de que tais inversões possam criar genótipos complexos e diferentes do esperado com sequências de RNA, introdução de DNA e perdas acima do esperado: “Nós especulamos que os levantamentos atuais podem ter ignorado uma proporção substancial de genótipos potenciais gerados pelo corte e reparo de Cas9 no alvo, alguns dos quais podem ter consequências patogênicas potenciais após a edição somática de grandes populações de células mitoticamente ativas”.

Em termos práticos, isso significa que há o risco de a modificação dos genes criarem efeitos diferentes do esperado.

Os testes da Universidade da Pensilvânia estão descritos em trabalho publicado no site da Agência Nacional de Medicina.

Fonte: Clinical Trials, NPR

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