Sangue de lhama poderia ser a solução contra o coronavírus; entenda

Por Nathan Vieira | 04 de Maio de 2020 às 14h55
Pexels

E se, de repente, as lhamas fossem grandes aliadas nessa luta que estamos enfrentando contra a COVID-19, popularmente conhecida como coronavírus? Pois é justamene isso que um estudo norte-americano vem apontar. De acordo com essa pesquisa, o sangue de lhama pode ser a chave para desbloquear novos tratamentos para a doença.

Basicamente, o estudo detalha como os anticorpos especiais no sangue de lhamas podem ser unidos para criar um novo anticorpo com a capacidade de ligar a proteína spike (como chamamos a proteína que o SARS-CoV-2 usa para infectar as células). Ao se ligar à proteína spike, o anticorpo pode impedir o SARS-CoV-2, de infectar outras células. Jason McLellan, biólogo molecular da Universidade do Texas em Austin e co-autor sênior do estudo, disse que este é um dos primeiros anticorpos conhecidos por neutralizar o vírus em questão.

Na batalha contra o coronavírus, cientistas buscam soluções

Isso foi descoberto, em parte, graças aos esforços de uma lhama chamada Winter. Em 2016, Winter ajudou os cientistas a estudarem o vírus, recebendo injeções de proteínas ativadas ao longo de semanas. Como resultado, os cientistas foram capazes de identificar anticorpos que transitavam em direção a essas proteínas spike e isolar os que se mostraram promissores na neutralização do vírus. Quatro anos depois, a lhama que ajudou nessa pesquisa continua viva, e esse trabalho inicial pode significar que estamos um passo mais perto de neutralizar a COVID-19.

O que acontece é que as lhamas produzem anticorpos diferentes dos seres humanos e um tipo específico é apenas um quarto do tamanho dos anticorpos vistos nas pessoas, uma vantagem que os pesquisadores pensam que podem levar em consideração.

Daniel Wrapp, co-primeiro autor do estudo e parte da equipe de pesquisa, declarou por meio de uma entrevista à Cnet que deparar-se com o resultado foi emocionante, uma vez que trabalhavam nisso há anos, mas que não havia uma grande necessidade de tratamento ao vírus na época, sendo apenas uma pesquisa básica.

Winter, a lhama que tem ajudado os cientistas contra o coronavírus (Imagem: Tim Coppens/CNET)

Independentemente dos sucessos iniciais do estudo — e do comportamento positivo da lhama Winter — isso não significa que os anticorpos sejam imediatamente viáveis ​​como preventivos ou curativos. Com base nisso, a equipe da Universidade do Texas em Austin continua com estudos pré-clínicos em animais, com o objetivo de desenvolver um tratamento para seres humanos.

Fonte: Cellpress via CNet

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