Quem toma cloroquina há anos também está vulnerável à COVID-19, diz estudo

Por Natalie Rosa | 20 de Novembro de 2020 às 20h30
Reprodução

Com poucos meses de pandemia da COVID-19, um dos assuntos mais comentados na mídia foi dos efeitos da cloroquina ou hidroxicloroquina no tratamento da doença, mesmo que não houvesse resultados positivos dos testes. O medicamento, que existe há cerca de 70 anos, foi desenvolvido para tratamento de doenças como o lúpus e a artrite reumatoide, que prejudica o sistema imunológico do paciente.

Muitas pessoas precisam da cloroquina para viver normalmente, tomando o medicamento com frequência. Isso fez com que muitas pessoas acreditassem que o seu uso contínuo, mesmo que fosse por um longo período, seria eficaz na prevenção da entrada do coronavírus no organismo. Porém, de acordo com um estudo recente, aqueles que usam a cloroquina há anos contam com a mesma probabilidade de se infectar com a doença que aqueles que não tomam esses comprimidos.

Imagem: Reprodução/Christina Victoria/Unsplash

A pesquisa foi realizada por Marco Pinheiro, reumatologista da Universidade Federal de São Paulo, contando com a participação de quase 400 estudantes de medicina e quase 10 mil voluntários espalhados por 97 cidades brasileiras. De acordo com o especialista, o objetivo do estudo era descobrir se pacientes com doenças reumatológicas que se tratavam com a cloroquina há mais de cinco anos estariam mais imunes contra o SARS-CoV-2 ou se teriam sintomas mais leves.

Acompanhamento e resultado

A equipe de cientistas começou o trabalho ainda em março deste ano, no início da pandemia, contando com a ajuda de 9.589 pacientes voluntários, 5.166 deles com artrite reumatoide, lúpus ou outras doenças relacionadas, e que estavam usando a cloroquina diariamente por anos. O restante do grupo, 4.423 pessoas, não possuía nenhuma doença semelhante, mas morava com os outros pacientes, sendo eles os escolhidos por contarem com a mesma rotina e estarem expostos ao vírus da mesma forma.

Então, para que fosse feito o acompanhamento adequado desses pacientes, a equipe de Pinheiro contou com o apoio da Sociedade Brasileira de Reumatologia, que conseguiu oferecer para a pesquisa o voluntariado de 395 estudantes de medicina. Os alunos ficaram responsáveis por entrar em contato com os voluntários a cada 15 dias, perguntando como estava a saúde e se havia sintomas de COVID-19.

Imagem: Reprodução/Laura Dewilde/Unsplash

"Além dessa monitorização, também montamos um call center, em que o paciente poderia telefonar caso estivesse se sentindo mal nesse meio tempo das duas semanas", explica o pesquisador.

Com a coleta de dados, foi feita a comparação entre os dois grupos. "A cloroquina não protegeu nem evitou formas graves, que exigem intubação", contou Pinheiro, revelando que não houve nenhuma diferença na divisão de pacientes.

O médico explica também que não foram feitos testes nos pacientes que apresentavam sintomas, pois os recursos eram escassos e a recomendação era para que a testagem fosse feita apenas em casos mais graves. O estudo ainda irá passar por uma revisão antes de ser publicado, e foi apresentado nesta sexta-feira (20) no Congresso Brasileiro de Reumatologia.

Fonte: BBC Brasil

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