Quatro americanos foram infectados com variante de coronavírus de visons em 2020

Quatro americanos foram infectados com variante de coronavírus de visons em 2020

Por Augusto Dala Costa | Editado por Luciana Zaramela | 19 de Abril de 2022 às 16h10
Jo-Anne McArthur/Unsplash

Em 2020, primeiro ano da pandemia de SARS-CoV-2, pelo menos quatro americanos do estado de Michigan foram infectados com uma variante do vírus observada principalmente em visons, pequenos mustelídeos criados em cativeiro cuja pelagem é retirada para uso no mercado de peles. O Centers for Disease Control and Prevention (CDC), agência de saúde dos EUA, confirmou a informação na última segunda-feita (18).

O grupo infectado representa as primeiras transmissões conhecidas do novo coronavírus de animais para humanos nas Américas, sendo que dois dos humanos trabalhavam em uma fazenda de visons e os outros dois não tinham conexões conhecidas com o local, sugerindo uma circulação maior entre a população residente. Alguns países, em continentes diferentes, já reportaram esse tipo incomum de transmissão do vírus.

Os visons são mustelídeos cuja pele é utilizada na indústria da moda: diversas fazendas desse animal sofreram com surtos do novo coronavírus (Imagem: twenty20photos/Envato)
Os visons são mustelídeos cuja pele é utilizada na indústria da moda: diversas fazendas desse animal sofreram com surtos do novo coronavírus (Imagem: twenty20photos/Envato)

Mutação e transmissão

A demora para a confirmação dos casos fica por conta da difícil análise do genoma viral, na qual laboratórios do CDC trabalharam desde 2020. Os visons da fazenda passaram por um surto do vírus naquele ano, sendo a variante presente nos animais diferente da comumente transmitida por humanos — normalmente, a transmissão ocorre apenas de humano para humano ou de humano para animal.

Analisando as amostras de vírus das quatro pessoas infectadas em Michigan, os cientistas encontraram duas mutações que se acreditam ser sinais de adaptação aos visons: são as mesmas encontradas nos bichos em fazendas europeias e nas pessoas a elas conectadas. Isso e o fato de que os funcionários da fazenda testaram positivo para a covid-19 após convalescença e morte dos visons sugerem que eles se infectaram após entrar em contato com animais doentes.

É difícil, no entanto, ter certeza da origem das infecções, já que não há como saber se o vírus já não circulava na comunidade ou se veio de fato dos visons da fazenda. Os outros dois humanos infectados são um taxidermista e sua esposa, ambos sem conexão com a fazenda de visons.

Após surtos de covid em visons de diversas fazendas ao redor do mundo, milhares dos animais foram sacrificados (Imagem: Prazanthy Ramesh/Unsplash)
Após surtos de covid em visons de diversas fazendas ao redor do mundo, milhares dos animais foram sacrificados (Imagem: Prazanthy Ramesh/Unsplash)

A equipe que coletou as amostras das pessoas e animais locais foi chamada no início de outubro de 2020, quando o surto foi notado nos entre os bichos. O National Geographic reportou que a infecção nos dois funcionários da fazenda foi notada em 4 de novembro do mesmo ano, informação encontrada em documentos do estado americano. O CDC informou, em seu website, que algumas pessoas haviam se infectado com coronavírus "com mutações únicas relacionadas a visons" apenas em março de 2021.

Segundo o CDC, as informações foram inclusas em seu site logo que possibilidade de transmissão do vírus de visons para humanos ficou clara. Esse tipo de infecção já foi reportado na Dinamarca, Países Baixos e outros países com fazendas de visom — muitos deles sacrificaram grandes populações do animal em esforços de contenção do vírus.

Fonte: National Geographic, CDC, Michigan

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