Quanto custa manter um paciente com covid-19 na UTI?

Quanto custa manter um paciente com covid-19 na UTI?

Por Fidel Forato | Editado por Luciana Zaramela | 02 de Dezembro de 2021 às 09h40
halfpoint/envato

Manter um paciente internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) é oneroso, isto é, nada barato. Os custos do tratamento de um paciente com covid-19, então, internado em UTI, podem chegar, em média, a quase R$ 100 mil — precisamente R$ 97.328, de acordo com levantamento da Federação Nacional de Saúde Suplementar (FenaSaúde). Atualmente, o valor do tratamento de pacientes infectados pelo coronavírus é significativamente maior que o relatado nos primeiros meses da pandemia.

Para chegar ao valor médio de internação da covid-19, a FenaSaúde coletou dados financeiros, referentes ao mês de setembro de 2021, em seis operadoras de saúde associadas à entidade. Estas empresas representam 25% do total de beneficiários da saúde suplementar.

Tratamento de um paciente na UTI por causa da covid-19 se aproxima de 100 mil reais (Imagem: Reprodução/Pressmaster/Envato Elements)

Dentro dos custos médios da UTI da covid, os hospitais incluem gastos com equipamentos — como todo o material usado para a intubação de um paciente —, medicamentos adotados, manutenção dos espaços que operam 24h e equipe multiprofissional necessária. Neste último caso, podem ser necessários médicos, enfermeiros, fisioterapeutas e nutricionistas.

Aumento no custo das internações

Curiosamente, no que tange os custos de internações pela covid-19, a média subiu nos últimos meses e alcança, hoje, os maiores patamares desde o começo da pandemia. Em paralelo, vale lembrar que o número total das internações caiu, no Brasil, desde o início da campanha de vacinação, o que aponta para menor sobrecarga das equipes.

Custos de um paciente internado na UTI por causa da covid-19 podem chegar, em média, a 97 mil reais (Imagem: Reprodução/FenaSaúde)

Para comparar, os custos por internação, em março de 2020, eram estimados em R$ 34 mil por paciente. Passados seis meses, em outubro de 2020, o valor médio chegou a R$ 64 mil. Em março deste ano, o valor foi calculado em R$ 67,8 mil.

Entre agosto e setembro de 2021, foi observada uma queda de R$ 1 mil, o que aponta para a estabilidade dos custos. De acordo com nota da FenaSaúde, "a estabilidade se dá em níveis muito altos".

O que justifica o aumento dos custos da UTI?

A partir de análises do cenário brasileiro, a FenaSaúde entende que "os dados são reflexo da variação cambial, aumento de custos logísticos e das incertezas na economia brasileira, que refletem na escalada de preços". No entanto, esta não é a única justificava para os custos elevados da UTI da covid-19.

"Infelizmente, há uma característica comercial brasileira muito comum: depois que os preços aumentam por uma necessidade econômica do momento, passado isso, dificilmente eles voltam a cair", afirma a diretora-executiva da FenaSaúde, Vera Valente.

"É muito preocupante essa estabilidade dos custos em patamares tão expressivos, os maiores da série histórica e podem trazer consequências para a sustentabilidade do sistema. Além disso, infelizmente, os beneficiários sentirão os reflexos dos custos altos no reajuste do ano que vem", completa a diretora.

Inclusive, os últimos meses também foram marcados pela alta nas despesas das operadoras de saúde. No primeiro semestre de 2020, os custos eram de R$ 77,6 bilhões. No mesmo período deste ano, chegaram a R$ 97 bilhões.

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