Psicólogos usam realidade virtual para tratamento de bulimia e anorexia

Por Wagner Wakka | 27 de Julho de 2018 às 16h24
photo_camera Captura/Youtube

A tecnologia de realidade virtual e aumentada está mudando a forma como médicos estão tratando seus pacientes. Uma reportagem do Wall Street Journal mostra a utilização de headsets de realidade virtual para a luta contra bulimia e anorexia.

Um dos especialistas na área é Howard Gurr, psicólogo que trabalha com a tecnologia para fazer uma combinação de comportamentos cognitivos com seus pacientes. A ideia é criar no imaginário de pessoas com bulimia e anorexia a associação entre lugares onde se sintam relaxados com ambientes nos quais não se sentem tão bem, como restaurantes e banheiros.

Ambas desordens são muito associadas também à ansiedade, por isso, esta associação tende a fazer com que o problema diminua e muitas vezes até desapareça. Com o headset, o psicólogo consegue levar o paciente até um local calmo, como uma praia, e depois associar este sentimento também com um ambiente de gatilho para a desordem

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O tratamento funciona com um sistema chamado Psious Toolsuite, feito exatamente para que pessoas possam confrontar problemas relacionados à autoimagem e distúrbios alimentares.  

Gurr explica que o tratamento não é bem uma novidade, mas a utilização da ferramenta de realidade virtual faz com que seja mais simples e barato tratar este problema. “Eu tinha que sentar no lugar com eles [os pacientes] e dizer: ‘vamos trabalhar em situações que provocam sua ansiedade e tentar reduzi-la'. Agora, com a realidade virtual, posso controlar este ambiente, então percorro todo o caminho dessensibilizando a ansiedade deles, sem sair do consultório”, explica.

Dessa forma, ele também consegue controlar melhor a reação do paciente em relação a isso. O programa não só oferece uma série de situações escolhidas pelo psicólogo, bem como oferece informações como nível de estresse e um guia para percepção de realidade.

Um dos exemplos citados pelo Wall Street Journal se refere ao banheiro em que a pessoa pode usar uma representação visual de si mesmo e descrever como se vê, bem como comparar consigo mesma.

"Se a realidade virtual fosse idêntica à real, teria muito pouco valor, porque é possível lidar com o mundo virtual", diz Robert Reiner, outro psicólogo que usa a terapia em realidade virtual. “É como pegar uma vacina contra a gripe. Você recebe uma pequena dose da doença e, quando a gripe atinge, você já sabe como lidar com isso”. Neste pensamento, a proposta dos óculos não somente é garantir segurança ao indivíduo, bem como permitir que ele possa tratar uma coisa de cada vez, direcionando a solução de seus distúrbios.  

Ainda, Gurr aponta que este é o tipo de tratamento mais eficaz com que tem trabalhado nos seus mais de 30 anos de carreira, sendo efetivo em mais de 90% dos casos relacionados a distúrbios alimentares.

Somente em relação à anorexia, houve melhora em 49% nas taxas de sucesso com pacientes usando a tecnologia. Em comparação, para o tratamento de bulimia, houve uma melhora de 44% na taxa de sucesso.

O Psious é um programa pago e custa em torno de US$ 39 por mês para quatro sessões de tratamento. O plano ilimitado custa US$ 1.299 no ano. No pacote, há treinamentos online, apresentação de casos clínicos e outros tipos de terapias com realidade virtual.

Fonte: WSJ

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