Biodetecção | Projeto usa cães farejadores para detectar câncer de mama

Por Nathan Vieira | 05 de Fevereiro de 2021 às 18h00
Anna Tarazevich / Pexels

Nesta quinta-feira (4), homenageou-se o Dia Mundial de Combate ao Câncer. Aqui no Canaltech, já falamos que a oncologia é uma área pra lá de tech, apresentando diversos projetos que visam se apresentar como aliados nessa luta. E bem nesta data tão importante, chega ao Brasil o Projeto KDOG, que utiliza cães no trabalho de biodetecção precoce de câncer em estágio inicial.

O projeto foi idealizado pelo Instituto Curie, centro de pesquisa e tratamento de câncer da França, e foi trazido ao Brasil por meio da Sociedade Franco-Brasileira de Oncologia (SFBO). A biodetecção consiste na utilização de animais ou outros organismos vivos para identificar algo como substâncias ilícitas ou agentes patogênicos, e a versão brasileira do projeto vai treinar cães para detectar mais de 40 tipos de câncer de mama em um laboratório. O treinamento vai acontecer por meio de cones oferecendo diversas amostras de odores do corpo humano.

Vale ressaltar que a versão brasileira do projeto acontece em Petrópolis, na região serrana do Rio de Janeiro. Os participantes do projeto são orientados a lavar as mãos com sabonete neutro antes de dormir, e colocar compressas sobre as duas mamas e retirar ao acordar. As compressas são colocadas então em um saco e enviadas para o projeto, onde são submetidas ao olfato dos animais no laboratório. A ideia é que os cães fiquem estáticos em frente à amostra que der positivo para câncer de mama.

Devido aos seus receptores de cheiros, os pastores alemães, belgas ou holandeses têm a preferência para esse trabalho (Imagem:  Free-Photos / Pixabay )

Mas o que leva os cães a farejarem o câncer de mama? Bom. Segundo os envolvidos no projeto, em entrevista à Agência Brasil, o câncer é uma modificação biomolecular que vem do corpo humano. Por isso, ela exala cheiro que, muitas vezes, é imperceptível para o homem, mas não para os cães. Ou seja, é por meio do cheiro que o cão detecta se é negativo ou positivo. O trabalho de biodetecção tem uma acertabilidade de 91,8%, de acordo com o projeto original, o KDOG França.

Futuramente, a intenção é disponibilizar o projeto no próprio Sistema Único de Saúde (SUS). Os cães deverão concluir 100% do treinamento previsto no primeiro semestre de 2021. Vale ressaltar que a estrutura montada prevê o treinamento de seis cães desde filhotes. Devido ao seu cônico olfativo, com muitos receptores de cheiros, os pastores alemães, belgas ou holandeses têm a preferência.

Fonte: Agência Brasil

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