Produtos químicos que demoram para se decompor prejudicam o fígado, diz estudo

Produtos químicos que demoram para se decompor prejudicam o fígado, diz estudo

Por Nathan Vieira | Editado por Luciana Zaramela | 28 de Abril de 2022 às 12h40
Icetray/Envato

Produtos químicos que demoram para se decompor podem causar prejuízos ao fígado, segundo estudo publicado na revista científica Environmental Health Perspectives. Essas substâncias são chamadas de "eternas" porque levam muito tempo para se mesclar ao ambiente, e estão presentes em vários objetos do cotidiano, como caixas de alimentos e maquiagens.

Para entender os malefícios dessas substâncias sintéticas que ganham o nome de PFAS, os cientistas analisaram dados de mais de 100 estudos anteriores envolvendo humanos e roedores para examinar se a exposição aos produtos químicos estava ligada a níveis elevados de alanina aminotransferase (ALT), uma enzima hepática que indica danos no órgão em questão.

Produtos químicos eternos

Três produtos foram relacionados com altos níveis dessa enzima: ácido perfluorooctanóico (PFOA), perfluorooctanossulfonato (PFOS) e ácido perfluorononanoico (PFNA), o que pode provocar excesso de gordura acumulada no fígado, uma condição que já vinha intrigando os cientistas por um aumento contínuo nos últimos anos.

Produtos químicos que demoram para se decompor prejudicam o fígado (Imagem: LightFieldStudios/envato)

A gordura no fígado, também chamada de esteatose hepática, causa uma série de problemas no bom funcionamento do órgão e pode resultar em complicações como a cirrose e o câncer de fígado, por exemplo. Os principais sintomas incluem:

  • Dor no abdômen
  • Barriga inchada
  • Aumento do tamanho do fígado
  • Dor de cabeça constante
  • Cansaço
  • Fraqueza
  • Perda do apetite

No entanto, essa consequência vem através de evidências de experimentos com animais. Os pesquisadores apontam que, embora a pesquisa em animais mostre uma ligação consistente entre a exposição a esses produtos e o acúmulo de gordura no fígado, é difícil tirar a mesma conclusão sobre humanos, considerando a escassez de dados confirmados por biópsia.

De qualquer forma, conforme os cientistas comentam, esse tipo de produto sintético está em toda parte no meio ambiente, até na chuva, na neve, nas águas subterrâneas, na água da torneira, nos rios, na água do mar e no ar, para se ter uma noção. A razão por trás disso é justamente sua natureza prolífica e resistente.

Com isso, ainda que seja necessário um número maior de pesquisas para compreender mais a fundo a relação entre a exposição a esses produtos químicos e os danos no fígado, a análise abre portas para esse alerta.

Fonte: Environmental Health Perspectives, IFL Science, NHS, Cleveland Clinic

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